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Brasil tem grandes desigualdades regionais nos índices de aprendizagem

Monitoramento da Meta 3 do Todos Pela Educação mostra que Norte e Nordeste evoluem e Sudeste permanece com as melhores taxas

Todos Pela Educação

20 Janeiro 2017 | 13h37

FOTO JOAO BITTAR/UNESCO-MEC ITATINGA SP 16 E OUTUBRO DE 2007 ESCOLA MUNICIPAL DE ENSINO FUNDAMENTAL MARYGNES MAURICIO

FOTO JOAO BITTAR/UNESCO-MEC

Na semana passada, divulgamos aqui os dados do monitoramento da Meta 3 do Todos Pela Educação: Todo aluno com aprendizado adequado ao seu ano. O quadro geral mostra que o Brasil tem avançado nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental em português e matemática. Mas essa evolução não se reflete nas etapas seguintes, uma vez que os Anos Finais não crescem no mesmo ritmo e o Ensino Médio, por sua vez, apresenta retrocessos.

É preciso ressaltar, porém, que as médias nacionais não são suficientes para entendermos a realidade educacional brasileira. Isto porque elas escondem discrepâncias de diversas naturezas, como é o caso das desigualdades regionais. Discriminando os dados por região, é possível enxergar as evoluções e necessidades específicas de cada uma e, assim, incidir com políticas públicas focalizadas.

Anos Iniciais

No 5° ano do Ensino Fundamental, todas as regiões do Brasil evoluíram no número de alunos com aprendizado adequado. A região que mais cresceu foi a Norte, que teve um avanço de 10,1 pontos percentuais (pp) de 2013 para 2015 em língua portuguesa, chegando a 43,5%. Em  matemática, o avanço foi de apenas 3,8 pp – em 2013 o índice era de 25,2% e, em 2015, aumentou para 29%.

Já a região com os piores resultados em matemática foi a Centro-Oeste: passou de 44,6% para 45,2%, aumentando em apenas 0,6 pp o número de alunos com aprendizado adequado na disciplina. O Sul, que até 2013 tinha o melhor desempenho em português, foi o que menos cresceu nos últimos dois anos – foi de 57,6% para 65,1%. O Sudeste assumiu o lugar de região com o melhor resultado: cresceu 8,8 pp em dois anos, alcançando 65,6% alunos com ensino adequado na disciplina.

Anos Finais

No 9° ano do Ensino Fundamental, todas as regiões também cresceram. No entanto, nenhuma apresentou o mesmo ritmo do 5° ano. Nas duas disciplinas avaliadas, os estados do Centro-Oeste foram os que mais evoluíram: de 31,8% para 38,3% em português e de 17,8% para 20,7% em matemática. A região é seguida de perto pelo Sul do Brasil, que cresceu 5,8 pp em português e chegou a 38,6%. Em matemática, cresceu 2,8 pp e alcançou 21,7%.

Nordeste e Sudeste vêm logo em seguida com aumentos de 22,4% para 28% e de 34,2% para 39,7% em língua portuguesa, e de 11,6% para 13,5% e de 20,9% para 22,8% em matemática, respectivamente. A Região Norte aparece em último lugar, com crescimentos de apenas 4,1 e 1,3 pp em português e matemática, alcançando respectivamente apenas 26,6% e 10,8% de crianças com aprendizado adequado.

Ensino Médio

Os resultados do 3° ano do Ensino Médio são os mais preocupantes devido à baixíssima evolução em língua portuguesa e ao retrocesso de todas as regiões do País em matemática. Os melhores resultados vieram novamente da Região Norte, que cresceu 4,4 pp em português, chegando a 20,6% de alunos com aprendizagem adequada, e caiu apenas 0,1 pp em matemática, passando de 3,6% para 3,5%.

Já o Nordeste foi a segunda região que mais cresceu em português, passando de 18,6% para 20,4%. Ainda assim, é a região com menor quantidade de alunos com aprendizado adequado na disciplina.  As regiões que menos evoluíram foram o Sul e o Sudeste, mas  ambas se encontram à frente das outras com taxas de 32,9% e 32,2% em português e de 9% e 9,3% em matemática, respectivamente.

O cumprimento da Meta 3 do Todos Pela Educação e da sétima meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que também trata da aprendizagem dos alunos, passa justamente por um sistema educacional mais equânime. É preciso entender as diferenças regionais do Brasil e considerá-las na hora de aplicar políticas públicas educacionais.

Quer saber mais sobre os indicadores de aprendizado adequado? Acesse aqui o material divulgado pelo Todos Pela Educação.