A desigualdade entre negros e brancos também está na Educação
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A desigualdade entre negros e brancos também está na Educação

Menor escolaridade e acesso ao ensino de qualidade marcam a necessidade de políticas públicas específicas para população negra

Todos Pela Educação

24 Novembro 2016 | 09h29

FOTO JOAO BITTAR / UNESCO-MEC

FOTO JOAO BITTAR / UNESCO-MEC

O Brasil possui uma das populações mais negras fora da África: os brasileiros que se declararam pardos e pretos são maioria no País. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do IBGE, eles compõem 45% e 8,6% do total, respectivamente, em comparação à população autodeclarada branca (45,5%).

Entretanto, a desigualdade entre pessoas de diferentes tons de pele, herança da escravidão, é um dos piores problemas sociais do País. Situação antiga, persistente e pouco combatida pelo poder público, que faz com que os indivíduos sofram os efeitos do racismo e da discriminação em todos os ambientes da sociedade.

Na Educação não é diferente. Segundo a Pnad 2014, o atendimento de crianças pretas e pardas de 4 e 5 anos na Pré-escola é menor do que entre as brancas. Essa brecha, que chegava a 5,7 pontos percentuais entre brancas e pretas em 2001, tem sido reduzida, mas ainda retrata uma desigualdade no acesso que precisa ser combatida.

No Ensino Fundamental, embora no aspecto do acesso a diferença seja bem pequena, a a desigualdade entre esses dois segmentos da população se acentua quando olhamos para aqueles que concluem a etapa na idade certa: 82,6% dos que se declaram brancos conseguem concluir o Fundamental até os 16 anos, enquanto entre pretos e pardos o percentual é de 66,4% e 67,8%, respectivamente. Já em relação aos jovens de 15 a 17 anos, a taxa de matrícula no Ensino Médio entre os brancos é cerca de 15 pontos percentuais a mais do que entre os pretos e os pardos .

Em entrevista dada à Rádio Estadão, o professor José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, reiterou que o jovem negro sai da escola para entrar no mercado de trabalho mais cedo. “Sofremos com a incapacidade de atacar as desigualdades mais profundas produzidas nessa Educação equivocada que desconsidera a diversidade”. Confira aqui o áudio.

O Plano Nacional de Educação (PNE) tenta diminuir essa injustiça por meio de suas metas e estratégias, e assim promover uma Educação igualitária para todos. A meta 8, por exemplo, institui que a escolaridade média da população negra – contabilizada em 9,4 anos – seja equiparada à da população branca, que chega a 10,7 anos.

Atualmente, as cotas raciais são uma das únicas políticas públicas educacionais que atacam diretamente a herança escravocrata que ainda tem lastro no Brasil. Precisamos fazer mais para os que tiveram seus direitos negados por séculos – dos 516 anos após a chegada dos portugueses, a escravidão durou oficialmente por 388. E a Educação é o principal caminho para equalizar as oportunidades e educar a sociedade para o respeito e a diversidade. Por isso, é fundamental mais apoio às redes de ensino, às escolas, às famílias e aos alunos, com políticas específicas e vigorosas para que essas injustiças possam ser superadas.