Vestibular 2019 já começou: como as famílias podem ajudar

Vestibular 2019 já começou: como as famílias podem ajudar

Cris Marangon

24 Abril 2018 | 14h30

É comum a preocupação dos vestibulandos no ano de conclusão do Ensino Médio. E para as famílias? O que fazer para que esse momento seja uma boa experiência?

por Beatriz Carvalho*

Os processos seletivos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), dos vestibulares e do ingresso em universidades no exterior estão finalizados, ou seja, em 2018, essa etapa está fechada. No último trimestre de 2019, veremos ferver nas mídias esse assunto, com suas dicas, suas estratégias de estudo, o calendário de exames… enfim, tudo em evidência máxima.
Sabemos que o ingresso no Ensino Superior de qualidade é um projeto de vida mais amplo, compartilhado com a família e batalhado por muitos. A questão aqui é fazer do ano em que o estudante presta vestibular um momento diferenciado também para a família. Que seja uma jornada de acolhimento para os pais e foco para a concretização desse objetivo do filho.
Portanto, faço um chamado aos pais para que se conscientizem e digam: “Este ano, seremos pais de vestibulandos”. Tal como os filhos são convocados para um ciclo de foco nos estudos, é de muita valia se todos estivessem desde o início do ano lado a lado com eles.
Planejar o ano do vestibular com o filho e as ações para a família, tendo uma visão mais sistêmica do processo, faz muita diferença no final do percurso. Ser pai, mãe ou responsável nessas condições pressupõe investimentos pessoais, além de ser uma tarefa desafiadora.
A pergunta é: por que falar disso agora, ainda no primeiro semestre? Porque algumas ações são atemporais e outras demandam tempo para que sejam, de fato, efetivas. Destaco, então, alguns pontos de atenção que podem resultar em uma parceria efetiva ao longo do ano entre pais e filhos que pretendem caminhar juntos com esse objetivo.

Alinhamento de expectativa para o vestibular
Os pais idealizam a formação e o futuro dos filhos. Como cada ser humano tem a sua essência, seu temperamento e seus anseios, é preciso ter uma escuta genuína que garanta conexão com eles. Para isso, é necessário se afastar do próprio histórico e das ambições e enxergar as crias na sua individualidade, respeitando seus reais interesses para que consigam, em longo prazo, realizarem-se e proverem a vida que elegerem. Com evidências mais claras de quem são, é possível apoiar suas escolhas.
Entrevistas com profissionais da área de interesse para que os filhos possam escolher ou reafirmar a área na qual desejam atuar é interessante. Também fortalece a escolha levantar hipóteses e dados sobre profissões, carreira, mercado de trabalho (que está em mutação contaste) e outros aspectos que devem ser considerados na decisão por um curso superior.

Rotina de estudos e ambiente produtivo
Perceber que o ano é atípico para o filho e dar suporte para o seu planejamento e seus compromissos de estudos são fundamentais. É fundamental criar um ambiente familiar propício ao estudo. Uma rotina estruturada implica em horários ampliados, realização de simulados, horas de sono repensadas, alimentação diferenciada… Esse planejamento é intenso e, quando efetivo, implica em perdas de encontros familiares, viagens longas e compromissos importantes, mas precisam ser priorizados para que a robusta agenda de estudos seja concluída.
Conjugar lazer, esportes, família e estudo é a difícil tarefa que o filho terá pela frente e precisará de apoio para cumprir e abrir mão de algumas coisas para atingir seu objetivo. Quando os pais são parceiros desde o início, não há cobranças equivocadas perto do momento do vestibular, pois a jornada foi compartilhada e alinhada com a família antes.

Viabilidade do Ensino Superior
Pé no chão! Os adolescentes costumam idealizar o futuro. Que bom que sonham, que desejam o melhor e que buscam um propósito na vida. Os pais não devem boicotar sonhos, mas os viabilizar ou trazer dados de realidade – por vezes, de inviabilidade – ou apresentar os riscos do projeto de vida que está sendo proposto.
Quando os filhos acreditam que a nota da escola os coloca na universidade que desejam, no mínimo, é preciso simular possibilidades de ingresso. Quando querem estudar no exterior, precisam estimar custos, médias, pré-requisitos de exigências das universidades almejadas e entender se essa é a realidade financeira da família e, se não, o quão complexo é conseguir bolsa de estudos integral.
Aspectos como cultura, transporte, alimentação, custos de visita à família, moradia, clima e distância devem ser considerados na análise, tanto para as universidades no Brasil, quanto no exterior. Assim, quando tomarem a decisão, estarão mais seguros dos pró e contras dessa escolha.

Além dos resultados das avaliações
Filhos intelectualmente preparados para ingressar nas universidades, mas com questões frágeis de autoconhecimento, autorregulação, habilidades de relacionamento, baixa autonomia ou dificuldades em tomar decisões éticas e responsáveis. É fundamental investir nas competências socioemocionais É comum a fragilidade de lidar com os novos desafios de tocar a vida sozinho ou em grupo (nas repúblicas). Alguns chegam a desistir do objetivo, mesmo se identificando com o curso, devido à inabilidade de lidar com essas questões.
Dar apoio, sem pegar no colo; acolher sem infantilizar; colaborar para que o ambiente seja de confiança e estímulo; reforçar positivamente e reconhecer conquistas, empenho e dedicação, serão diferenciais na parceria deste ano tão precioso.
Nessa jornada, de filhos e pais de vestibulandos, que ocorre na 3ª série do Ensino Médio – e/ou nos anos de cursinho dos filhos – o foco precisa ser o da escuta, do diálogo, do reforço positivo, do reconhecimento das pequenas conquistas e do apoio para que façam o melhor nos estudos. Até onde eles irão dependerá das escolhas e atitudes que tiverem, mas, se os pais estiverem ao lado, será mais fácil o percurso!

*Beatriz Carvalho é orientadora educacional do Ensino Médio, no Colégio Sidarta (Cotia, SP)