Um olhar para a tecnologia no ambiente escolar

Um olhar para a tecnologia no ambiente escolar

Colégio Sidarta

29 Setembro 2016 | 15h57

A necessidade de incluir a escola na inevitável transformação pela qual passa a nossa sociedade, muito em função das novas tecnologias, é um desafio sobre o qual muito se fala – a famosa máxima: “uma nova escola para um novo mundo”.

Há alguns anos, estar “na frente” dessa corrida tecnológica era munir seus alunos de ferramentas e ensinar as habilidades necessárias para que dominassem os recursos disponíveis. As escolas visionárias tinham um laboratório equipado e ofereciam aulas de informática. Hoje, em tempos de Google, quando toda a informação é acessível, a questão é: “o que fazer com esse conhecimento?”.

Slide3

Acreditamos ser da escola a responsabilidade de provocar a curiosidade, apresentar referências, promover a investigação das novas tecnologias e colocar o aluno no papel de autor de seu próprio aprendizado.

Com as famílias, dividimos o papel de ajudar no grande desafio enfrentado pela geração dos “nativos digitais”: conciliar o mundo virtual com sua identidade no mundo real. É preciso ampliar o nível de consciência das crianças e jovens a respeito da dimensão entre real e virtual, público e privado. Tanto na escola quanto em casa, é preciso promover interações, ensinar a monitorar o tempo online e a explorar o tempo offline com atividades que ajudem a desenvolver habilidades socioemocionais essenciais para a convivência saudável.

Assim, o ambiente educador que hoje está à frente dos demais é aquele que não somente permite que seu aluno esteja conectado e saiba transitar entre os diferentes meios, mas que o ensina a fazer isso com criticidade.

Tendo um olhar para o universo de possibilidades que hoje se apresentam, crianças e jovens saem do papel de meros usuários e passam a dominar as novas tecnologias com outras finalidades. É uma mudança de paradigma que os tira de um lugar no qual se maravilham frente a tudo que existe, e os coloca em uma posição que provoca pensamentos sobre as possibilidades de suas aplicações na resolução de problemas concretos.

Slide1

Neste cenário, as “aulas de informática” deram espaço para as aulas de programação e robótica, que, aqui no Colégio Sidarta, são oferecidas sob esta perspectiva.

Primeiro, fazemos com que as crianças  adquiram confiança na criação e construção com as tecnologias a partir de atividades lúdicas e exploratórias  por meio das quais elas desenvolvem as habilidadesque serão necessárias para, num segundo momento, resolver problemas do mundo real. Desta maneira, trabalhamos dois princípios muito importantes para nós: o aprender pela experiência e o estímulo do serviço à sociedade.

Neste processo, favorecemos o desenvolvimento de algumas habilidades específicas:

Habilidades Criativas

Afinal de contas, não basta você falar “vou colocar tecnologia em sala de aula, vou colocar a robótica, vou colocar programação” e esperar que os resultados apareçam independentemente da abordagem adotada. Muito mais do que a ferramenta, pensamos na abordagem que vamos usar.  As disciplinas são meios para se trabalhar de forma exploratória, facilitando o teste de hipóteses pela tentativa e erro e permitindo, por meio deste processo de “correção de rota”, o desenvolvimento da criatividade.

Habilidades Técnicas

Para além do funcionamento de uma solda ou um circuito, nossos alunos compreendem como as coisas funcionam.  “Ah! Então é assim que uma porta do shopping que abre sozinha?”. Eles adquirem uma visão geral e um entendimento mais completo da tecnologia presente no dia a dia.

Capacidade de resolução de problemas

Esta é uma característica muito importante. Costumamos dizer que programar é pensar sobre o pensar, porque quando você cria um programa, você tem que ter muito claro em mente exatamente o que é que aquele programa tem que realizar –  você deve avaliar  se o seu pensamento está claro o suficiente para ser compreendido pelo computador.  Assim, os alunos desenvolvem uma capacidade incrível de resolução de problemas deste modo: decompondo as questões em várias partes, situações menores, e analisando as diferentes possibilidades de solução para cada uma delas, da maneira mais clara possível.

Colaboração

Cada aluno que trabalha junto com seu grupo para criar ou programar algo têm características, habilidades e competências diferentes, o que faz com que cada um colabore de um modo específico para o desenvolvimento do projeto. Eles aprendem a ouvir outras ideias e desenvolvem confiança na própria capacidade de solucionar qualquer problema que encontrem. E isso se reflete em qualquer tipo de problema – mesmo que ele não envolva robótica ou programação.

Slide2

O fator mais importante a se considerar ao introduzir disciplinas como a programação e a robótica é justamente avaliar se estas estarão a favor da formação dos alunos. E para que isto aconteça é fundamental que a abordagem adotada ,  favoreça também o desenvolvimento de habilidades não-técnicas Em pouco tempo, as crianças percebem como a programação, a robótica e o uso que fazem dessas ferramentas podem ser socialmente relevantes. Elas entendem rapidamente que, se precisarem fazer alguma coisa, podem construir algo que se adapte a esta necessidade –aprendem que não precisam comprar tudo – são capazes de criar.

Esse sentimento de “ser capaz” é algo que carregam para sempre e que faz com que comecem a se perceber de outro modo. “Se sou capaz de fazer isso, então sou capaz de fazer muitas coisas”! É um sentimento transformador. Essas são linguagens poderosas, que abrem portas para expressão, para criação, para o desenvolvimento de novas ideias e uma infinidade de possibilidades.

Por Cassia Fernandez,

professora de programação e robótica no Colégio Sidarta, é formada em física e também é professora voluntária em uma escola pública.