Projeto integrador: a difícil decisão de ser diferente!

Projeto integrador: a difícil decisão de ser diferente!

Cris Marangon

13 Setembro 2018 | 11h08

Alunos recebem prêmio 2030 Escola Transformando Nossos Mundos

por Camila Niemeyer*

Orientadora educacional conta como foi implementar no Sidarta  um projeto envolvendo alunos de 5º e 6º anos

Salas de aulas com carteiras enfileiradas, alunos anotando tudo o que o professor escreve na lousa e um silêncio absoluto. Essa é a sala de aula dos sonhos da maioria dos professores e, para muitos, um sinal de sala boa, produtiva e de aprendizagem na certa. O que esses profissionais não sabem (ou não querem saber) é que esse não é, nem de longe, sinal de que os alunos estão aprendendo.

Hoje, temos o seguinte cenário: educadores de uma geração formando estudantes de outra que eles não sabem bem ao certo como funciona. Por esse principal motivo, é muito comum ouvirmos reclamações sobre uma turma ser agitada, com muita energia e que eles (os professores) não conseguem dar aula.

A lógica é simples: a geração é outra, os interesses são outros e o modus operandi também! Enquanto docentes continuarem na postura de detentor do conhecimento e de “dador” de aula, essa situação permanecerá. Meninos e meninas precisam de desafios, trabalhar ativamente, sentirem-se pertencentes ao processo de aprendizagem e contribuir durante o percurso todo.

Por isso, é fundamental elaborar atividades que motivem os alunos e que permitam trabalhos em grupos, com autonomia, deixando as regras e os objetivos bem claros.

Por um Sidarta mais sustentável

Em 2018, o Sidarta mudou! Começamos um projeto inovador com alunos de 5º e 6º anos. Eles não têm mais carteiras individualizadas e se sentam o tempo todo em grupo. Para que isso aconteça harmonicamente, foi necessário desenvolver algumas estratégias. E não é que deu certo!

No início, algumas famílias nos procuraram com insegurança, sem saber se esse novo modelo funcionaria, se o filho iria se adaptar… enfim, dúvidas. Outras famílias, certas de que esse modelo era o melhor que poderiam oferecer para seus filhos, pensando nos cursos universitários que farão daqui a seis anos e no mercado de trabalho que enfrentarão daqui a uns 10 anos, confiaram seguramente na proposta. As aulas, grande parte delas com metodologias ativas, são feitas com alunos de ambas as turmas, juntas e separadas por temas de pesquisa.

O trabalho é chamado Projeto Integrador, cujo grande objetivo é desenvolver ações que transformem o Sidarta em um ambiente cada vez mais sustentável com o replantio de árvores nativas, a construção de cisternas, o monitoramento constante da estação meteorológica, a análise da água do Rio Cotia, entre outras ações que marcam o trabalho. Inclusive, acabamos de ganhar o Prêmio Desafio 2030 – Escolas Transformando o nosso Mundo, uma certificação externa de comprova que estamos no caminho.

Este é o primeiro ano do projeto e muitas coisas já aconteceram. Claro que fizemos ajustes durante o processo, o que era de se esperar. O mais importante é que temos a certeza de que a decisão de mudar foi difícil, mas foi o rumo certo, pois melhoramos. Precisamos, realmente, romper com antigos padrões e arriscarmos ideias inovadoras na educação. Os adolescentes, em geral, estão abertos e, nós, educadores, é que precisamos repensar nossos modelos. Precisamos nos tornar profissionais a serviço de um mercado de trabalho cheio de novos desafios e novas profissões.

*Camila Niemeyer é orientadora educacional do Colégio Sidarta, em Cotia (SP)