O papel da escola é abrir janelas para o mundo, mas será que é isso mesmo que ela faz?

O papel da escola é abrir janelas para o mundo, mas será que é isso mesmo que ela faz?

Colégio Sidarta

09 Outubro 2015 | 18h43

Como pai e como mãe, é natural querer oferecer o melhor aos filhos, pensando em seu bem-estar e em sua realização – querer que cada um deles se torne o melhor ser humano que puder ser. Pensando assim são selecionadas as escolas, para contribuir com uma formação acadêmica de excelência. Período integral, lição de casa, aula de reforço, três idiomas, atividades extracurriculares… ufa! Entre tantos estímulos diferentes, uma questão fundamental às vezes fica esquecida: de que vale tanta excelência se ela não servir para mudar a sociedade?

Vivemos reclamando do mundo em que vivemos, mas…

O quanto não somos nós mesmos responsáveis pelo tanto de lixo há no mundo, quando jogamos um papel de bala pela janela do carro?

O quanto não somos responsáveis pela corrupção quando dirigimos pelo acostamento?

O quanto não somos responsáveis pela violência quando brigamos no trânsito?

Ter o estímulo do serviço à sociedade como um de nossos princípios é um verdadeiro desafio quando a própria sociedade é cercada de barreiras que deixam nossas crianças “blindadas” para a realidade humano. Elas moram em condomínios e brincam com videogames, são encapsuladas em instituições de ensino que não abrem oportunidades para perceber a vida em sociedade.

O Sidarta se propõe a fazer com que as crianças vivam experiências e desenvolvam, além das competências acadêmicas, competências sociais.

Com o objetivo de proporcionar essa vivência, instituímos, por exemplo, o volunturismo ao final do 9º ano, que encerra o ciclo com uma viagem para realizar trabalho voluntário. Deste modo, se mantém o rito de passagem e a integração com os amigos que a viagem de formatura proporciona, mas são somados a essa experiência outros valores relevantes como a capacidade de olhar para o entorno, a habilidade para transformar informação em conhecimento, a compreensão das relações humanas e a percepção de como ações de serviço à sociedade podem forjar seus princípios e impactar vidas – as suas e a de outros.

Sabemos que falar em serviço à sociedade pode paralisar algumas pessoas. Elas pensam que os atos relevantes são aqueles grandiosos, como implementar a coleta de resíduos e a compostagem em uma comunidade, como o projeto do qual nossos alunos foram participar. Mas participar de ações como essas só faz com que nossos alunos percebam que grandes atos nascem de pequenas atitudes que nos causam desconforto, como ver um papel de bala sendo jogado pela janela.

Nosso exercício diário é fazer com que nossos alunos não se tornem essas pessoas.

 

 

 

 

Por Cláudia Siqueira

Diretora do Colégio Sidarta