IV Semana de Literatura Infantojuvenil do Colégio Sidarta

IV Semana de Literatura Infantojuvenil do Colégio Sidarta

Colégio Sidarta

20 Abril 2016 | 13h26

“Tem gente que olha para o mundo e acha que tudo está em perfeita ordem. Outros se assustam com as injustiças. Outros ainda decidem, com coragem, lutar contra o que consideram errado. Assim era Dom Quixote, leitor de muitos livros. Inspirado nos heróis de cavalaria, transformou-se em cavaleiro andante que, colocou em prática seu maior sonho: consertar o mundo.”

Ana Maria Machado

Neste ano, a Semana de Literatura Infantojuvenil do Colégio Sidarta realizada entre 4 e 7 de abril, homenageou o escritor espanhol Miguel de Cervantes em seus 400 anos de morte, e sua obra mais importante, Dom Quixote de La Mancha.

Em sua 8ª edição, este evento busca aproximar os alunos dos livros, além de incentivar e valorizar​ a leitura. A programação incluiu oficinas de sucata, exposição de diferentes edições da obra, sessões de cinema e um sarau realizado pelos alunos do 4º e 5º anos.

Dom Quixote: uma obra em várias linguagens

Em torno de um tema central, a proposta feita aos alunos para a realização do Sarau incluía diferentes apresentações da história deste herói tão conhecido. Desde a prosa, na versão de Ana Maria Machado e José Angeli, aos poemas do Drummond, passando pelos quadros de Portinari, as crianças entraram em contato com diversas linguagens, o que é enriquecedor e ajuda a acessar a turma de vários modos, além de trabalhar duas leituras em paralelo – a individual e a coletiva.

O 4º ano está estudando o gênero biografia, e ficou encarregado de contar a história de Cervantes e contextualizar o período de produção da obra. Para a turma, o que mais surpreendeu foi a rapidez com que o Sarau aconteceu, em contraste com a demora dos ensaios, por conta dos erros e da dificuldade de memorização.

O 5º ano estudou a obra em prosa, e, paralelamente, o gênero poema, com as leituras de Carlos Drummond de Andrade, trabalhando o entendimento dos conceitos de soneto, verso, estrofe e rima. “Eu me senti uma atriz!”, conta Júlia. “Nunca vou esquecer as minhas falas!”.

Para Nina, a parte mais interessante foi justamente a discussão da leitura em grupo. “Na hora de explicar o que se passou no capítulo, cada um tinha sua opinião e era legal ver como as outras pessoas pensavam de diferentes jeitos e visões” Diego, também do 5º ano, achou “incrível” que o pintor Portinari “fazia um quadro que dava para entender a história sem ler”.

Para a professora de Língua Portuguesa Gizele Caparroz, essa percepção de alguns alunos foi muito interessante, já que, normalmente, as crianças têm mais dificuldade de entender o poema do que a prosa. “Senti justamente o contrário. Acho que eles entraram tanto no sentimento dos poemas que isso acabou ajudando no entendimento da prosa”, diz.

Novas habilidades, descobertas e conquistas

Mais do que um trabalho acadêmico e pedagógico, com a simples (e necessária) valorização da leitura, este é também um trabalho que leva os alunos a desenvolverem competências sociais: cooperação, resiliência, consciência do coletivo e a superação de obstáculos.

O Leonardo, do 5º ano, resumiu o aprendizado em uma fala: “foi uma surpresa boa a participação do 4º ano, porque foi o primeiro Sarau deles e a gente pôde “ajudar eles” em várias coisas!”. O Enzo completou: “olha, eu gostei porque ninguém errou a fala, ninguém ficou fazendo gracinha e todo mundo decorou certinho”.

Ao serem perguntados sobre a melhor parte desse trabalho, os alunos expressaram suas dificuldades, as principais conquistas e surpresas:

“Eu me senti livre, fui carpir as minhas penas, foi o que eu fiz, mesmo esquecendo alguma parte, eu criava…” disse Diego, citando uma parte do poema de Drummond.

Para João Pedro, o principal desafio foi a memorização de suas falas. “A minha maior dificuldade foi decorar os poemas e ter coragem de ir lá na frente e tentar não errar”, conta.

“Minha surpresa foi saber que meus pais e minha irmã podiam assistir pela internet”, disse a Nina, ao descobrir que a apresentação do evento, que é interno, foi também transmitida ao vivo para os familiares via Periscope.