Educação não é questão de gênero

Educação não é questão de gênero

Colégio Sidarta

04 Novembro 2015 | 13h41

O tema causou polêmica nas redes sociais nos últimos dias. E como disse o filósofo e professor de ética da Faculdade de Filosofia da Universidade de Madri, Fernando Savater, “Se houve controvérsia, é preciso mesmo falar disso em aula”.

Embora tenha sido tirado dos Planos de Educação em alguns estados e municípios, o debate sobre a questão de gênero se faz cada vez mais necessário, principalmente dentro das escolas.

Alinhadas ao princípio que valoriza o reconhecimento da unidade na diversidade, já fazem parte do conteúdo acadêmico regular do Colégio Sidarta algumas vivências que permitem a discussão dessa questão, como o Ciclo de Debates que aconteceu em setembro, cujo tema foi a prostituição. Entretanto, trabalhar conteúdos como esse apenas em sala de aula não é o bastante.

Com esse espírito nasceu o Coletivo Maldita Geni. Criado por Anna Sui Woo Gomes e Larissa Souza, do 3º ano do Ensino Médio, tem como intuito marcar um ponto no debate sobre o machismo e a heteronormatividade na nossa sociedade. “Sentimos que não adianta nada tentar mudar o mundo, sem mudar antes o meio em que a gente vive”.

As alunas contam que desde sua fundação, em agosto deste ano, o Coletivo foi se “metamorfizando” para tornar-se um movimento feminista focado em educação. “Acreditamos que o único jeito de acabar com o machismo, que é estrutural na nossa sociedade, é se a gente começar pela pessoas que vão mudar e definir as próximas gerações”.

O Coletivo pertence ao grupo, que inclui meninas e meninos de outros anos, mas recebe apoio principalmente do professor de sociologia e filosofia, Caio Sarack, e da orientadora educacional, Ana Carolina Dorigon, para realizar atividades e dinâmicas que envolvem todos os estudantes.

Para dar mais corpo ao movimento falaram com pessoas de outros lugares que se manifestaram e se mostraram no Maldita Geni. “Queremos incentivar a participação dos estudantes para continuarem com o Maldita Geni aqui dentro do Colégio quando a gente sair. Temos várias outras escolas para onde pretendemos levar esse projeto”, contam.

O plano das alunas inclui ainda entrar em contato com o Ministério da Educação e para estabelecer a discussão de gênero em todas as escolas.

E por que as escolas? “É um lugar de formação de pessoas”, afirmam. E é assim que o Coletivo Geni deseja atuar: colocando em questão padrões e normas já consolidados, construindo um debate, fomentando o diálogo e formando pessoas para encarar o mundo com novos olhos.