Projeto Bilíngue Ensino Médio – Deslocamentos: um passo para o entendimento global

Projeto Bilíngue Ensino Médio – Deslocamentos: um passo para o entendimento global

Cesar Pazinatto

25 Maio 2016 | 15h20

De onde viemos? Onde estamos hoje? Para onde vamos? Como essas indagações podem nos ajudar a entender uns aos outros mundo afora e nos conhecermos com mais propriedade?

Pautados na busca de tais respostas e no tema central de nosso projeto interdisciplinar bilíngue – “Deslocamentos: um passo para o entendimento global/Displacements: a step toward global understanding” -, a equipe pedagógica do Ensino Médio (professores e coordenadores), em parceria com a empresa UGGI, organizou um intenso estudo de meio pelo município de São Paulo.

Começamos pela primeira pergunta com uma visita a uma aldeia indígena no extremo sul de nossa cidade, Parelheiros, na Aldeia Guarani Krukutu. Vocês podem imaginar estar dentro da sua cidade se sentindo estrangeiro? Crianças brincam soltas cantando e conversando entre si em Guarani, sendo que em sua pequena escola recebem educação bilíngue Guarani/Português com atividades nas duas línguas. Em seguida, ainda ligados à terra, conhecemos uma fazenda de agricultura ecológica na Ilha de Bororé, de onde nos deslocamos em direção ao continente utilizando uma balsa. Mas estaríamos ainda em São Paulo? Sim, mais especificamente na região do Grajaú.

Nosso segundo dia foi dedicado ao entendimento dos deslocamentos humanos que chegam a nossa cidade, ou seja, o fluxo de imigração para São Paulo, tanto no passado quanto no presente. Dentro dessa perspectiva, conhecemos o CRAI (Centro de Referência e Acolhida para o Imigrante) e a Missão Nossa Senhora da Paz, onde não só pudemos conversar com os responsáveis pelos projetos, como também conversar com alguns imigrantes. Como é possível termos recebido tantos imigrantes de Bangladesh e nunca os termos visto? Para explorar mais antigos fluxos migratórios, fomos ao Memorial do Imigrante, onde pudemos interagir com vídeos, documentos e objetos que poderiam ter sido de nossos avós italianos, alemães, espanhóis, portugueses, árabes…enfim, não foi difícil perceber a diversidade que a cidade de São Paulo abriga.

Finalmente, o último dia do estudo culminou com nosso deslocamento via transporte público (mais especificamente, metrô) para vivenciarmos tanto essas viagens diárias que tantos habitantes da cidade fazem, como para chegarmos ao centro histórico, onde tudo começou e onde tantas realidades nos confrontam. Lá conhecemos uma ocupação do Movimento dos Sem-Teto do Centro (MTSTC), que longe do que imaginávamos, tem toda uma organização administrativa e uma população de famílias que se “deslocam” à procura de condições mínimas de vida dentro de uma cidade carente de assistência.

Dentre tantos deslocamentos, físicos e psíquicos, será que de alguma forma nos aproximamos de um maior entendimento de nós mesmos e dos outros?

Esperamos poder responder a essa e tantas outras perguntas na continuidade de nosso projeto interdisciplinar bilíngue do Ensino Médio.

Lia Armelin – Coordenação Pedagógica do Ensino Médio/High School Coordination