História e Língua Portuguesa explicando o Renascimento

História e Língua Portuguesa explicando o Renascimento

Equipe See-Saw Panamby

08 Outubro 2015 | 16h21

 

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Por Phaedra Athayde e Diego Escanhuela

No primeiro ano do Ensino Médio, as disciplinas de história e língua portuguesa propuseram uma pesquisa sobre os grandes nomes do Renascimento. Organizados em duplas e trios, os estudantes debruçaram-se sobre vida, obra, momento histórico (contexto político e econômico) e escola literária por trás de cada grande nome.

A inovação da proposta foi desde o formato (livre e a critério dos estudantes) até o método de avaliação (banca para dois professores e grupo de colegas).  Houve um limite de tempo para cada apresentação (08 minutos, no máximo) e o idioma definido foi o português. A novidade aqui é que, por se tratar de um contexto bilíngue, foram permitidas pesquisas, citações e referências em inglês.

É importante frisar que a proposta nasceu de um alinhamento deliberado dos conteúdos programáticos de História e historiografia literária (tema das aulas de literatura brasileira) e que esse trabalho é colocado para um grupo de estudantes já acostumado a esse movimento de “ir e vir” entre as duas disciplinas. No que diz respeito à temporalidade das análises, ambos os professores estavam cobrindo o mesmo período, analisando o século XV e XVI.

Essa aproximação é uma tendência atual, ao contrário do que se pensava anteriormente quando se sugeria a aproximação entre História e Geografia. Agora, a academia e as pesquisas historiográficas têm chamado a atenção para a aproximação da análise da história e das escolas literárias. A literatura pode funcionar como um espelho, um documento de uma época, de uma mentalidade e de um movimento. Para a literatura, a história oferece escopo, aprofundamento e referências.

As ideias iniciais do trabalho eram, sobretudo, aproximar as disciplinas, aumentar o repertório cultural dos alunos e variar o sistema de avaliação.

A proposta desse trabalho faz parte de uma proposição ampla (“demonstre que ‘x’ é um homem de seu tempo ou demonstre que ‘x’ é um homem renascentista”), tanto na sua formulação quanto na sua elaboração (ao permitir formas alternativas de apresentação).

Ainda sobre a formulação da proposta (enxergar a permeabilidade entre história e literatura), cabe ressaltar que essa faz ressonância com as habilidades do ENEM – mais amplas e capazes de serem transpostas para outros contextos e momentos históricos (como por exemplo: “entender que a literatura é expressão de uma época”).

Já a elaboração do trabalho privilegiou diferentes modos de aprendizagem, o que pôde ser verificado com a variedade de apresentações que os estudantes trouxeram. Quando se respeita e estimula o universo real e próximo aos alunos, neste caso, os meios digitais, esses são muito explorados, como – por exemplo – na elaboração de “vídeos” explicativos.

“Senti diferença entre propostas de trabalho normais e mais abertas, como essa. É mais divertido que o seminário. A apresentação é mais dinâmica, a única desvantagem é que, algumas vezes, pode-se não absorver todo o tema. Outras vezes, o entendimento do tema pode ser bem maior, como foi no meu caso” – compara o estudante Rafael. Seu parceiro de dupla, Steven, acrescenta: “eu, particularmente, não senti muita diferença entre essa proposta e propostas mais tradicionais, mas é claro que há algumas: se estivéssemos fazendo uma apresentação power point e falássemos algo errado, não teríamos como corrigir. Além disso, fazer algo diferente chama a atenção dos professores, o que destaca certos trabalhos em relação a outros””.

Sobre a produção do vídeo, Rafael conta: “tive que aprender quase tudo, como utilizar o áudio, as fotos e cortar o vídeo para se enquadrar com o áudio, porém, não é um trabalho muito complicado”. Steven explica que teve que aprender a usar o imovie, “aprendemos o básico para que, pelo menos, pudéssemos fazer algo simples”.

O formato da apresentação (uma banca para 02 professores e para o grupo de colegas), por sua vez, tem ressonância com o “Authentic Assessment”, que se traduz como uma avaliação que analisa o aprendizado do aluno de uma maneira consistente com as funções que as disciplinas curriculares podem desemprenhar na vida real, assim trazendo relevância e significado para seu trabalho e os resultados dele provenientes.

Quando se pensa nas habilidades que vêm sendo construídas ao longo do Ensino Médio, essas puderam ser recuperadas com esse trabalho, visto que os alunos precisaram trabalhar com os conceitos de língua portuguesa sobre paráfrase, citações e afins. Mais ainda, pesquisaram e aprofundaram suas leituras acerca de literatura pesquisando autores do humanismo renascentista europeu, além de precisarem e aplicarem conceitos históricos, como buscar as marcas do renascimento na obra e na vida dos autores.

A atividade foi, de fato, interdisciplinar.

Para Eduarda, “a literatura e a história têm muito a ver com Maquiavel, que foi uma figura muito importante. Tínhamos de criar esse contato entre as duas matérias para poder fazer nossa apresentação. História está totalmente ligada ao nosso tema, que era – em grande parte – literário. Para mim, interdisciplinares são todas as matérias, pois todas têm um pouco de cada uma: sem história, não existiriam línguas e literatura; sem matemática, não existiria ciências e etc”.

 

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