PlayPen promove debate inter-religioso para alunos que vão participar do BEO (British English Olympics)

PlayPen promove debate inter-religioso para alunos que vão participar do BEO (British English Olympics)

Rodrigo

07 Março 2016 | 15h11

PlayPen - Evento BEO (2)

Respeito, solidariedade, educação e família. Essas quatro palavras estiveram muito presentes em encontro descontraído promovido pela escola PlayPen para discutir os conflitos ? alguns transformados em guerra ? instigados por alegação de desentendimento religioso. O debate reuniu o reverendo Aldo Quitão, pároco da Catedral Anglicana de São Paulo, representante do cristianismo; Sergio Niskier, ex-presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro, que falou pelo judaísmo, e o sheikh Rodrigo Rodrigues, da Liga da Juventude Islâmica Beneficente do Brasil, em nome do islamismo. Mediado por Evandro Santos, professor de História, o evento faz parte da preparação dos alunos do 8º ano da PlayPen que levarão o tema ao BEO (British English Olympics), competição acadêmica do Oxford International Education Group que acontece ainda este mês em Londres, com a participação de outras 120 escolas de 15 países.

O sheikh Rodrigues disse que é comum as pessoas confundirem cultura com religião. “Nem todo árabe é mulçumano e nem todo mulçumano é árabe. Portanto, não se pode atribuir uma culpa generalizada aos mulçumanos pelos conflitos que ocorrem pelo mundo. Guerra e morte não fazem parte da religião. As convicções das pessoas devem ser respeitadas. O islamismo prega a obediência à vontade de Deus. É lamentável que os atentados na França, em novembro do ano passado, tenham sido provocados por pessoas irresponsáveis que queiram impor a sua verdade aos outros. São indivíduos que usam a religião para justificar atos terroristas. As primeiras orientações religiosas nascem dentro de casa. Nenhum pai quer ver seu filho manchando o nome da sua religião. Muitos utilizam a religião como massa de manobra, como argumento político. O Estado Islâmico não é islâmico porque quem mais sofre são os próprios mulçumanos. Estamos repetindo hoje atos que condenamos na Idade Média. É preciso respeitar sempre a convicção do outro.

Niskier também fez uma apresentação afinada às declarações do sheikh Rodrigues. “A responsabilidade desses conflitos é de quem lidera. Os liderados nem sempre estão preparados para refletir sobre o que é dito. Por isso, devemos estar atentos ao que sai da nossa boca. Não se pode defender a violência. O fim dos violinos não pode representar o fim de uma orquestra. Deus é capaz de conduzir essa que é a mais fantástica das sinfonias: a vida. Deus quis que houvesse a diversidade entre os homens, não a violência. Lembro de dois dos 10 Mandamento que Moisés recebeu de Deus: ‘Honrar Pai e Mãe’ e ‘Não matarás’. “Quem mata em nome de Deus não está sendo religioso. É um crime generalizar os mulçumanos como culpados pelos atentados de 11 de setembro de 2001 ou pelos recentes ataques em Paris. ”

O reverendo Aldo conseguiu sintetizar as mensagens dos colegas em uma lição deixada por Jesus: “Ame a teu próximo como a ti mesmo e não faça aos outros o que não quer que façam contigo”. “Basta seguir esse ensinamento para termos um mundo melhor. Não é preciso seguir a Torá, o Alcorão ou a Bíblia. O maior causador dos conflitos atribuídos às religiões é a ambição pelo poder. Um dos países que mais sofrem com a crueldade atualmente é a Coreia do Norte. E lá o que prevalece é a imposição do poder. É necessário agir com cuidado, pois a crueldade e o terrorismo estão em todo lugar. Precisamos tomar cuidado com as nossas atitudes. Comece a observar isso dentro da sua própria casa, aqui na escola, no relacionamento com seus colegas. Nem o próprio Papa Francisco, que tem estimulado o diálogo inter-religioso, é totalmente aceito por setores mais conservadores do Vaticano. Portanto, prestem mais atenção nos conselhos de seus pais. Ninguém quer melhor a vocês do que eles. ”

Após essas breves palavras dos representantes do cristianismo, judaísmo e do islamismo, o professor Evandro abriu espaço para perguntas dos alunos sobre o que haviam absorvido das palestras. A maior dúvida foi a seguinte: se Deus é contra a violência e as guerras, por que permite que elas aconteçam? “É que existe o livre arbítrio. Não é porque sua mãe não quer que você não faça alguma coisa que deixa de fazer. Não faça nada que possa deixar triste ou envergonhada uma pessoa que ama muito você”, ensinou o reverendo Aldo Quitão.