Alunos conhecem a realidade do Haiti

Alunos conhecem a realidade do Haiti

Colégio Peretz

11 Maio 2016 | 17h16

Na última semana, o  Colégio I. L. Peretz recebeu a visita do jornalista haitiano Berhman Garçon.

A iniciativa de convidá-lo para falar para com os alunos do Ensino Médio partiu do professor de Sociologia David Reichardt, colega de mestrado de Garçon na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

No Brasil há cerca de seis anos, Garçon veio chegou com o objetivo de estudar – que é um dos grandes motivos pelos quais os seus conterrâneos aportam aqui. A outra razão foi o interesse em trabalhar. “Notei, entre outras coisas, que os brasileiros fazem uma grande confusão entre imigrantes e refugiados, o que não é meu caso. ” E explicou aos alunos: “Refugiados são aqueles que, por um fator ou outro, saem de sua terra de origem por perseguições religiosas, falta de condições de vida, enquanto os imigrantes estão por vontade própria. ”

Garçon fala sobre sua vida no Haiti

Garçon fala sobre sua vida no Haiti

Diretor de uma TV no Haiti, formado em jornalismo e fluente em quatro línguas (criollo e francês, sendo esses idiomas oficiais de seu país, inglês e espanhol), decidiu aprender porque há a exigência de dominar pelo menos quatro línguas para ingressar em uma universidade. “Quando cheguei no aeroporto, tive dificuldade em me comunicar, mesmo sendo uma ocasião em que os funcionários aeroportuários deveriam dominar esse quesito, já que receberiam muitos estrangeiros para a Copa. ” Para demonstrar essa dificuldade para os estudantes, fez uma breve demonstração em francês.

Contou que viveu situações bem interessantes e pôde traçar paralelo entre as sociedades dos dois países, sobretudo no modo como as pessoas o enxergam aqui, já que o Haiti tem uma maioria negra com boa posição social: “Apesar de possuir um currículo muito bom, na hora que me veem, a vaga some, infelizmente. ”

Berhman expôs o sistema político e social do Haiti antes e após o terremoto, as consequências são sofridas até hoje por seu povo, mesmo tendo uma força-tarefa de outras nações, por meio da ONU (Organização das Nações Unidas).

Por sua própria vivência, Garçon se dedica muito a receber e apoiar outros conterrâneos, inclusive ocupando a Presidência da Associação de Haitianos, em Campinas. “ É muito difícil chegar em um lugar ‘estranho’, com língua e costumes que não lhes são familiares. ”

Para a morá Tuca, coordenadora de Ciências Humanas, o bate-papo entre Berhman e os alunos foi bastante enriquecedor: “Serviu para desmistificar alguns conceitos que os alunos tinham, para terem uma noção melhor da realidade do Haiti – que eles só conheciam por reportagens ou pelo trabalho que fazemos em classe. ”

O aluno Felipe Schwartz, da 3ª série do Ensino Médio, afirmou que, muitas vezes, existe grande preconceito contra os imigrantes como os haitianos. Muitos acreditam que os refugiados, como os sírios, por exemplo, trarão certos problemas para nosso país. “As palavras de Behrman, no entanto, quebraram grande parte desse preconceito”. E prosseguiu: “ O que mais me impressionou em sua fala foi contar a forma com que os haitianos veem o Brasil: com amor, em especial ao futebol, e com a esperança de melhorar de vida. ”

Segundo Felipe, um ponto importante relatado por Garçon foi a dificuldade de sair do Haiti, seja da forma legal, demorada, ou por meio de coiote, que é mais rápida e bem mais cara. “Behrman abordou a dificuldade que eles encontram ao chegar aqui, principalmente pelos problemas socioeconômicos que o Brasil passa. ”