Ser feliz na escola: um propósito

Ser feliz na escola: um propósito

Colégio Pentágono

10 de fevereiro de 2022 | 12h04

Por Tarsila Krücken Martin*

No Colégio Pentágono, entre os princípios fundamentais que norteiam a prática pedagógica está o “Ser Feliz na Escola”. Vamos pensar sobre o que significa isso?

Escola: local onde nossos filhos e filhas permanecem, cerca da metade das horas úteis de seus dias. Terreno onde, além de conhecimentos sobre fatos, conceitos, procedimentos e atitudes, constroem laços de amizade que carregam para a vida toda. Especialmente nos grandes centros urbanos, a escola também se torna local de sociabilização da nova geração e onde estudantes convivem de maneira menos hierárquica: experimentam a força do coletivo e até algumas vantagens de ser invisível, já que na família, tudo é único, singular. Assim como nós, crianças e adolescentes também gostam de estar com colegas e amigos exercendo vários outros papéis sociais e desenvolvendo suas personalidades.

Sabendo dessa tarefa, é parte do nosso trabalho construir um ambiente em clima de confiança, uma comunidade escolar à qual se possa pertencer, acolhedora de singularidades, que fortaleça potências individuais, em que se conviva com diversidades e onde se  possa crescer por dentro e por fora.

Feliz: Descrever o que me faz feliz ou me satisfaz é fácil, mas ser feliz pouco tem a ver com sentir prazer ou realizar sonhos e desejos. Ser feliz requer que sejamos protagonistas na produção do próprio sentimento de felicidade e exige treino diário para o qual poucos estão ou se sentem realmente preparados. Neurologicamente, a sensação de satisfação ou “felicidade” não dura mais que segundos e nosso cérebro é totalmente viciado nesse prazer, muitas vezes, nos seduzindo a buscar essas sensações de maneira rápida, superficial, artificial.  Para nos sentirmos felizes, é preciso que saibamos atravessar dificuldades ou tristezas e transpor nossos limites superando a nós mesmos,  o que exige bastante trabalho, interno e externo. O resultado dessa alquimia cerebral se apresenta num olhar mais que brilhante, em iniciativas vibrantes e no desenvolvimento da resiliência.

No cotidiano do Pentágono, isto está relacionado às propostas nas quais as alunas e alunos são protagonistas e podem lidar com os próprios erros, quando têm que lidar com conhecimentos humanos aos quais cabem críticas, revisões e atualizações, ou quando são chamados a se regular a partir das próprias expectativas, da família, de professores ou colegas. São situações que demandam o olhar próximo e cuidadoso dos educadores e tempo para, numa época de imediatismos, os estudantes poderem desenvolver aprendizagens conceituais, sociais ou emocionais. A partir disso, eles se tornam capazes de revelar suas trajetórias e conclusões em desenhos e esculturas, presentaciones orales, engenhocas do maker, prosas e poesias, memes e películas, equações químicas, padlets and jamboards, funções binomiais ou cenas teatrais.

Ser: Verbo que significa ter uma identidade ou característica: ser inteligente. Gosto de pensar que o ser acontece quando um estar se repete tantas vezes, que acabamos por dizer que somos isso ou aquilo. Quando o “estar feliz” se repete várias vezes, dizemos “somos felizes”. Nessa perspectiva, temos de dar importância ao tempo presente, no sentido de que não somos: estamos. Mas não estamos soltos ou sozinhos, estamos num processo onde acontecem conexões, parcerias, experiências, idas e vindas, surpresas e conquistas. Um caminhar que tem um sentido, um significado, focado em individualidade, mas onde miramos um horizonte com projetos coletivos, em que a felicidade se revela no equilíbrio entre o bem comum e o meu próprio bem.

No Colégio Pentágono há ações e convites diários para os estudantes se auto regularem diante de certezas ou ansiedades; desafios pedagógicos coletivos e individuais para provocar e engajar; escolhas mais personalizadas, como as pensadas no desenvolvimento do Projeto de Vida e as proporcionadas nas escolhas dos cantos na Educação Infantil, ou nas eletivas ofertadas a partir do 7º ano, mais que abrilhantadas com o Novo Ensino Médio implementado desde 2021, e os afagos caprichados que aparecem em momentos musicais, recreios mais diversificados, dias com roupas descontraídas entre outras gostosuras.

Foi pensando na amplitude e importância de “ser feliz na escola”, como resultado e disparador para o que chamamos de excelência acadêmica, em parceria com as famílias na formação de indivíduos, cientes de nosso papel como cidadãos do mundo é que, ser feliz na escola é nosso norte e mote de trabalho para 2022.
 

*Tarsila Krücken Martin é Orientadora Educacional Ed. Infantil e Ens. Fundamental Anos Iniciais do Colégio Pentágono

 

 

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