Qual é o melhor momento para o seu filho aprender uma língua estrangeira?

Qual é o melhor momento para o seu filho aprender uma língua estrangeira?

Colégio Pentágono

02 de junho de 2021 | 16h21

*Maria Cristina Chiochetti Pinheiro

Um grande questionamento dos pais é entender qual é a idade mais indicada para os filhos começarem a aprender uma língua estrangeira. Sim, é possível aprender um novo idioma em diferentes fases da vida, no entanto, existem muitas vantagens de se iniciar esse aprendizado ainda na infância. Nos anos iniciais, a criança não “aprende” a língua e sim se “apropria” dela de forma natural, nessa fase não há resistência ao aprendizado, nem o hábito de recorrer à tradução.

Além disso, as crianças também possuem uma curiosidade natural para o novo, o que as beneficia com uma vantagem cognitiva: a plasticidade do cérebro que, ainda em desenvolvimento, tem maior capacidade de organizar aprendizados e faz uma maior quantidade de sinapses – conexões cerebrais. É por isso que, desde cedo, as crianças já podem entrar em contato com um novo idioma, elas estão mais propensas a assimilar informações e conhecimentos. O ato de aprender envolve conexões neurológicas, e um cérebro jovem faz isso com mais desenvoltura.

Muitos pais têm o receio que iniciar muito cedo o aprendizado da segunda língua poderia comprometer a língua materna, mas já existem estudos científicos (teoria americana windows of opportunities – janelas de oportunidades) que desmistificaram esse medo. Hoje, sabe-se que as crianças não confundem a língua materna com a estrangeira e que entendem bem em quais situações comunicativas devem usar cada uma.

Como introduzir o ensino da língua estrangeira

O aprendizado lúdico, por meio de brincadeiras, utilizando o “play” (brincar) como ferramenta para o “learn” (aprender) é o mais efetivo. As crianças encontram prazer em participar de atividades nas quais estão presentes muitos jogos, músicas e dramatizações a partir de contações de história que tanto encantam o universo infantil. “Children love interesting learning!”.

Nessa linha de pensamento, o ambiente de estudo também deve ser cuidadosamente preparado com espaços convidativos e divertidos para que atuem como agente impulsor de avanços no aprendizado, em especial para as crianças mais novas. É pela diversidade de atividades que chamamos de “rotação por estações” que os alunos mais se engajam com o aprendizado ao percorrerem um circuito com diferentes estações dentro dos espaços da escola. Nesse momento as crianças participam de muitas atividades lúdicas, fora e dentro da sala de aula –  e os estímulos recebidos vão repertoriando o “input” (internalização por meio do listening) para que posteriormente o output  (speaking) aconteça de forma natural.

Uma outra estratégia é construir um planejamento em conexão com o “real world” (mundo real), já que quanto mais próximo à realidade do aluno, mais significado terá o ensino da língua estrangeira para sua compreensão. Para isso, é interessante colocar a criança em contato constante com o inglês por meio de leituras, músicas ou vídeos.  Com consistência no contato com a 2ª língua, é possível avançar gradualmente no fortalecimento da confiança para que a criança consiga se aprofundar no domínio do idioma. Isso significa não apenas saber “falar inglês”, mas ser capaz de argumentar e defender ideias, com oratória e vocabulário enriquecidos e  habilidades linguísticas garantidas.  

Muito se fala sobre a importância de uma segunda língua no repertório das pessoas. Por isso inserir seu filho no aprendizado da segunda língua é uma prerrogativa atual mas, embora não saibamos quais carreiras as crianças escolherão no futuro, o fato é que apenas 3% da população brasileira é fluente em inglês. Assim, saber um novo idioma torna-se um diferencial no mundo globalizado em que vivemos, aprendizado  que com certeza amplia as chances de sucesso profissional. 

Fato é que, quanto mais cedo a criança for estimulada a aprender uma língua estrangeira, mais rápido e fácil será a aquisição. Quanto mais tarde se iniciar esse processo, mais esforço será necessário e mais dificuldade o aprendiz enfrentará. No Colégio Pentágono buscamos preparar nossos aprendizes para enfrentar desafios – atuais e futuros – e o quanto antes eles perceberem que podem ir além, mais aptos estarão para se tornarem cidadãos do mundo, um dos nossos grandes objetivos.

Escolhendo a Escola

Outro ponto importante refere-se à escolha criteriosa da escola e dos profissionais que vão atuar com esses pequenos aprendizes. Na reunião com a instituição, vale questionar quais são os critérios para a contratação de professores. 

Além da formação de qualidade, eles devem ter entre suas habilidades a capacidade de fazer uma conexão afetiva com a faixa etária a qual vão ensinar. Ter um olhar cuidadoso para esse aspecto contribui muito para uma maior motivação nas atividades imersivas, que auxiliam os alunos na missão do “learning to learn”,  ou seja, aprender a aprender! 

Curiosidade extra: Estudos da Universidade de Chicago (EUA) mostram que pessoas que dominam uma segunda língua tomam decisões usando mais a razão do que a emoção. Elas tendem a avaliar suas decisões levando em conta o  longo-prazo, o que traz grandes benefícios nos negócios, na carreira, nas finanças pessoais, e até mesmo nas relações afetivas. O cérebro de uma pessoa bilíngue é mais analítico, e avalia as situações de tomada de decisões com maior imparcialidade.

 

* Maria Cristina Chiochetti Pinheiro – Coordenadora do Departamento Internacional Educação Infantil e Anos Iniciais do Colégio Pentágono

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