Preparando-se para começar a faculdade no exterior

Preparando-se para começar a faculdade no exterior

Colégio Pentágono

20 de julho de 2022 | 10h16

Por Daniela Pensado *

A aplicação para universidades estrangeiras de alguns países demanda esforço e dedicação a um processo que envolve exames, elaboração de redações, organização de uma série de documentos e uma longa espera. Quando as tão esperadas cartas – ou e-mails – de aprovação finalmente chegam, é hora de celebrar o resultado! Após a decisão de qual será a universidade escolhida, uma nova jornada se inicia: a preparação para a mudança de país e início das aulas.

Foto: Lara Jameson

Na maioria das vezes, a mudança significa, também, a primeira vez em que o estudante terá a experiência de morar sozinho ou mesmo em uma cidade diferente de onde vive sua família. O psiquiatra americano Murray Bowen, um dos precursores da terapia familiar, entendia que a família exerce duas funções complementares: criar o sentimento de pertencimento e, ao mesmo tempo, a diferenciação de seus membros. O momento de separação física da família representa o um estágio mais sólido da diferenciação, em que o jovem adulto assume maior autonomia com relação a sua vida. 

Entre o momento em que o estudante recebe a carta de aprovação até a mudança, há o espaço de alguns meses, que podem ser muito bem aproveitados. Um dos pontos primordiais é decidir sobre a acomodação: há opções de dormitórios dentro dos campi ou apartamentos fora – as regras variam de acordo com o lugar escolhido, mas as universidades oferecem suporte e orientações para os alunos novos. A partir dessa decisão, o estudante poderá começar a se preparar e desenvolver algumas habilidades que serão importantes para a vida longe de casa. 

Dedicar-se a aprender a cozinhar pratos de que gosta, a cuidar das roupas e a entender pontos básicos de finanças pessoais pode ser essencial, principalmente, se essas são áreas que não fazem parte do dia a dia do estudante no Brasil. Esse período pré-mudanças pode representar, também, uma oportunidade para criar memórias com a família: identificar quem poderá ajudar a desenvolver cada uma das habilidades ou aprendizados e passar um tempo com essa pessoa irá, seguramente, resultar em momentos marcantes.

Procurar, nas redes sociais ou nos sites das universidades, associações de estudantes trará interessante acesso ao ponto de vista de quem já passou pelo mesmo caminho. Existem entidades exclusivas de estudantes brasileiros, que podem ser uma excelente rede de apoio. A primeira semana de aulas, normalmente, inclui atividades especiais com o intuito de que os novos alunos tenham a chance de se conhecer e iniciar amizades. No livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, o chapeleiro diz para Alice: “O segredo, querida Alice, é rodear-se de pessoas que te façam sorrir o coração. É então, só então, que estarás no país das maravilhas.” Provavelmente, o estudante não viverá apenas momentos de alegria, mas, seguramente, ter uma rede de amizades será importante para adaptação e vivência no exterior, então é importante aproveitar ao máximo os momentos de integração.

Pouco antes da mudança, é o momento de pensar nas malas e quais utensílios deverão ser incluídos. Este momento se torna o resumo da preparação que foi feita nos meses anteriores. Quais serão as necessidades da nova casa? Como as habilidades adquiridas poderão influenciar na escolha dos objetos que serão levados? E para os momentos de saudades de casa, o que pode ser incluído na mala para ajudar a passar por eles?

Algum tempo depois da chegada ao novo país, é esperado que o estudante sinta saudades de casa – em inglês, a expressão homesick é usada para nomear esse sentimento. É comum, inclusive, que o estudante sinta falta de coisas e situações que não eram valorizadas quando faziam parte de seu cotidiano. O choque cultural também é experimentado por muitos expatriados. A percepção de sutis diferenças na forma como as pessoas se relacionam – uso de linguagem mais formal, o toque físico, o sorriso – podem causar estranheza ou até mesmo dificuldade de adaptação por algum tempo. Essas experiências todas, no entanto, podem ser consideradas como uma grande oportunidade de crescimento pessoal e a conquista de uma bagagem cultural que passará a fazer parte de quem é esse estudante e seu futuro profissional. 

*Daniela Pensado é coordenadora do Departamento Internacional do Colégio Pentágono

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