O papel do professor como mediador de vivências significativas na primeira infância

O papel do professor como mediador de vivências significativas na primeira infância

Colégio Pentágono

14 Setembro 2016 | 08h37

Pentágono Alphaville (292)

Um dos grandes objetivos da Educação Infantil é a construção da autonomia, mas como trabalhar este objetivo com crianças tão pequenas? Parece utópico falar sobre autonomia quando se trata da educação de crianças entre 0 e 6 anos, contudo, no Colégio Pentágono, trabalhamos desde cedo na formação de um cidadão para o mundo, que seja capaz de se expressar, conhecer culturas, interferindo e transformando a realidade.

Nós acreditamos que as crianças, desde bem pequenas, são capazes, cheias de vida e participam, sim, da construção de suas aprendizagens. Considerando os pequenos como protagonistas, podemos traçar o planejamento focando sempre nas necessidades e, principalmente, nos interesses do grupo. Desta forma, o professor de Educação Infantil precisa estar atento às demandas de sua turma, a fim de envolver as crianças em todos os processos de ensino, mantendo-as interessadas, motivadas, curiosas e felizes na escola.

Porém, precisamos esclarecer que, ao falarmos sobre a criança como protagonista do conhecimento ou de projetos que nascem a partir dos interesses do grupo, não significa que o professor deixará que seus alunos façam apenas aquilo que desejam. O fato de estar atento aos interesses de seus alunos exige do educador pesquisa constante e busca por experiências significativas, que auxiliem no desenvolvimento cognitivo, social e afetivo dos educandos.

Nesta perspectiva, além de planejar, preparar o ambiente, promover aprendizagens, oferecer incentivo e orientação, o educador assume o papel de mediador do processo educativo, sendo o distribuidor de experiências que envolvem todas as áreas do saber: linguagem, matemática, natureza e sociedade, corpo e movimento, música, artes visuais e literatura. Estas atividades alimentam o desenvolvimento do corpo, do pensamento, da criatividade e da curiosidade.

Nós buscamos estimular as crianças cotidianamente para que realizem pequenas atividades com progressiva independência, como por exemplo: abrir a lancheira e organizar os recipientes para se alimentar, tentar colocar o casaco, fechar o zíper e calçar os sapatos. E, também, manter as garrafinhas de água ao alcance das crianças, permitindo que os pequenos se movimentem pelo espaço e se apropriem do gostoso ambiente que é a escola. Além de promover a independência e os cuidados com o próprio corpo e com os seus pertences, estas pequenas atividades auxiliam no desenvolvimento da autoestima das crianças que, pouco a pouco, percebem tudo aquilo que já conseguem fazer sozinhas.

Trabalhando ao redor do grupo, mostrando-se disponível às dúvidas e aos questionamentos, permitindo que as crianças realizem suas descobertas em seu tempo e criando as condições necessárias para que os alunos se apropriem do conhecimento, o professor oferece às crianças a autonomia necessária para a exploração e o desenvolvimento de suas aprendizagens, sem que seja necessário fazer por elas aquilo que, com auxílio, em breve conseguirão fazer por conta própria.

Assim, como disse Paulo Freire em Pedagogia da Autonomia, o professor compreende que “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”.

Por,
Isabel Maschio Hammoud, professora da Educação Infantil do Colégio Pentágono