O inglês como habilidade fundamental do século XXI

O inglês como habilidade fundamental do século XXI

Colégio Pentágono

12 de novembro de 2021 | 15h51

Por Erick Holowka*

Quem de nós não se lembra dos famosos “cursos de computação”, que eram anunciados por todos os lados, com centenas de escolas que ofereciam este diferencial para o currículo? Pois bem, há grandes chances de que nossos alunos nunca tenham nem ouvido falar desses cursos. Isso porque o que antes era tido como diferencial, hoje é dado como básico para qualquer pessoa que ingressa no mercado de trabalho, o que se torna bem compreensível quando vemos crianças de três, quatro anos – às vezes, até mais novas – usando um tablet antes mesmo de dominarem sua língua materna.

O século XXI trouxe um novo modus operandi para todas as esferas de relações intersociais, incluindo a educação. O aluno que hoje ingressa na Educação Infantil provavelmente trabalhará no futuro em uma profissão que ainda não existe, talvez em um país que não conheça, certamente em um contexto que não conseguimos prever. Tais imprevisibilidades requerem uma readaptação da forma como a Educação Básica é organizada. Já não podemos nos ater apenas à ensinar conteúdos, mas temos que focar cada vez mais no ensino de habilidades que sirvam aos nossos alunos como ferramentas para operar neste mundo em constante mudança. 

O ensino de idiomas também se insere neste contexto e, como resposta às constantes novas demandas do século XXI, recupera-se e revisa-se o uso da metodologia CLIL (Content and Language Integrated Learning) como imprescindível para um aprendizado contextualizado de linguagem e de habilidades. 

Termo guarda-chuva criado em 1994 pelo pesquisador de educação David Marsh na Finlândia, CLIL surge como uma resposta à demanda crescente da Educação Básica na Europa para formação de cidadãos bilíngues. Compreendendo práticas e metodologias que garantissem uma aprendizagem de conteúdos multidisciplinares, com metas de aprendizagem linguística, o CLIL pressupõe não só a evolução no domínio de um outro idioma, mas também uma maior naturalidade para que tal aprendizagem acontecesse. A teoria aqui é que o aprendizado é mais efetivo quando ocorre de maneira contextualizada, exigindo do aluno não só que decore palavras e regras para uma prova, mas que possa aplicá-las para comunicar uma ideia na vida real.

Desta forma, o CLIL ganha na educação do século XXI uma nova perspectiva que engloba não só o aprendizado de língua e conteúdo de maneira integrada, mas também a missão de desenvolver habilidades imprescindíveis para cidadãos globais do novo século. Assim, a professora e pesquisadora Do Coyle prevê quatro objetivos básicos para a aplicação da metodologia CLIL, conhecidos como 4Cs: o desenvolvimento de Conteúdo e habilidades Comunicativas, e também Cultura e Cognição. Ou seja, CLIL passa a ser o termo empregado para descrever práticas que desenvolvam não só a capacidade do aluno de discorrer sobre múltiplos temas em um outro idioma, mas também que aprofundem seu conhecimento de mundo através de pensamento crítico, colaboração e desenvolvimento da criatividade. 

O emprego do CLIL já ganha destaque como uma prática de sucesso no Colégio Pentágono. O Bridges, programa oferecido para os alunos da Educação Fundamental Anos Finais e Ensino Médio desde 2014, promove uma evolução constante da fluência dos nossos alunos em língua inglesa por meio de duas frentes. A primeira busca suprir as necessidades de falantes não-nativos, como o conhecimento de regras e estruturas do idioma. Já a segunda frente faz o uso exclusivo de metodologias CLIL, ou seja,  trabalha projetos e módulos multidisciplinares que exigem o aprimoramento não só de competências linguísticas dos alunos, mas também de habilidades de pesquisa, comunicação e socioemocionais. Com esses métodos, o programa Bridges um ambiente plural e favorável para o desenvolvimento de cidadãos do mundo. Os resultados colhidos reforçam a efetividade do trabalho realizado: nossos alunos Bridges se destacam nos exames de Cambridge, com uma média acima da nacional, especialmente no conceito de oralidade, destacando a funcionalidade do CLIL em desenvolver cidadãos bilíngues. 

Portanto, mesmo em um mundo moderno, onde inglês é o novo “curso de computação” e o mercado de trabalho já busca profissionais com competências que vão além de sua capacidade acadêmica, o CLIL desponta como uma solução inteligente para a nova realidade da Educação Básica: a de desenvolver cidadãos completos, hábeis para aprenderem e se reinventarem a cada novidade no horizonte. 

* Erick Holowka  é Coordenador do Departamento Internacional do Colégio Pentágono da Unidade Alphaville

 

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