O “erro” também faz parte da aprendizagem

O “erro” também faz parte da aprendizagem

Colégio Pentágono

14 de dezembro de 2021 | 10h43

Por Priscyla Bonini*

O dia a dia escolar, dentro do universo da educação infantil e Anos Iniciais, envolve grandes desafios para os pequenos estudantes. Regularmente eles se veem diante de atividades que envolvem uma produção gráfica, seja por meio do desenho, ou da escrita das letras e palavras. E, desta forma, começam a se deparar com resultados que nem sempre estão dentro das suas expectativas, reais ou imaginárias, ou mesmo de seus pais .

Algumas crianças possuem uma alta expectativa em suas produções e apresentam forte resistência à frustração inicial de não alcançá-las. Crianças entre 05 e 06 anos de idade, demonstram tendência a comparar a sua produção à de seus colegas de turma. Isso porque, nesta faixa etária, as crianças começam a se preocupar mais com a percepção do outro. Isso nos diferentes aspectos: comportamentais, pedagógicos e sociais. A opinião do amigo ganha uma importância maior neste ciclo escolar correspondente ao G5 e 1° ano.

Foto: Gustavo Fring

É preciso entender que as crianças estão aprendendo e que a alfabetização, letramento ou a aprendizagem, de forma geral, são processos que se dão diante de tentativas e erros. Letras espelhadas, palavras com letras faltando ou desenhos com poucos elementos e cores são comuns para esta fase do desenvolvimento.

Por meio de suas produções, as crianças se comunicam e ocupam um lugar neste mundo, criando suas próprias hipóteses que serão fundamentais para a construção da aprendizagem. Observando seu resultado em uma tarefa, a criança é capaz de refletir e traçar novas estratégias para execução das propostas seguintes. 

No livro Aprender a Ler e a Escrever, de Ana Teberosky e Teresa Colomer, é ressaltado que as “hipóteses que as crianças desenvolvem, constituem respostas a verdadeiros problemas conceituais, semelhantes aos que os seres humanos se colocaram ao longo da história da escrita”. E completa: o desenvolvimento “ocorre por reconstruções de conhecimentos anteriores, dando lugar a novas construções”. 

A equipe de Orientação Educacional do Colégio Pentágono, em conjunto com a equipe pedagógica, trabalha no sentido de fortalecer as conquistas graduais dos alunos e torná-los mais seguros a respeito de suas produções. Só assim, se sentindo confiante diante dos desafios, é que a criança consegue avançar.

As famílias também possuem um importante papel para ensinar às crianças que o erro e a frustração fazem parte. A parceria com as famílias se dá de maneira positiva quando eles estimulam a criança a dar o seu melhor, por exemplo. Um comportamento que pode ser desestimulante para criança é a cobrança da mãe ou do pai, que mesmo sem perceberem, exigem da criança uma produção mais “perfeita” e livre de erros. Muitas vezes, os responsáveis pedem para que a criança apague e faça a atividade novamente, ou dizem  que não está correto ou ainda que não ficou bonito. Por vezes, procuram a escola para declarar sua preocupação, pois a criança não corresponde convencionalmente à tarefa proposta. Nestes casos, trabalhamos com a família a importância de motivar a criança, sem depreciar o seu trabalho. É essencial fortalecer as conquistas e compreender que toda a criança é única e possui o seu ritmo de aprendizado. A frustração de não alcançar o objetivo ou de não corresponder às expectativas próprias e da família, pode ser o disparador para comportamentos como: não querer ir mais à escola, reações agressivas, ou ainda causar um “bloqueio” no aluno, tornando-o mais resistente em executar as propostas da sala de aula.

Agora, como ter certeza se a criança está acompanhando o aprendizado e as tarefas propostas? Diante todo o contexto do “erro” ou do “não conseguir fazer” é importante entender se o aluno está dentro da expectativa de aprendizagem da série ou se de fato precisa de um acompanhamento com  um especialista. Desta forma, quando os pais tiverem alguma dúvida sobre o assunto, é fundamental procurar a orientação da escola.

 A orientação do Pentágono, na Educação Infantil, é no sentido de mostrar que a escola é o lugar para tudo isso: para aprender, acertar, errar e, principalmente, para ser feliz! As diferenças individuais devem ser respeitadas, crianças de um mesmo grupo, irmãos da mesma idade, possivelmente terão diferenças no tempo de aprendizagem, sim! E isso é o que torna a aprendizagem nesta faixa etária tão fascinante.

No Pentágono, o trabalho é norteado pelo princípio da parceria com as famílias, pilar importante para que as crianças encontrem um ambiente estimulante e acolhedor no meio escolar. E, que assim, os pequenos alunos se sintam confiantes na sua trajetória escolar, que está somente começando.

*Priscyla Bonini  – Orientadora Educacional da Educação Infantil e 1° anos do Fundamental Anos Inicias da Unidade Bartira do Colégio Pentágono

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