Jornalismo e produção midiática: a formação do comunicador do futuro já começa na escola

Jornalismo e produção midiática: a formação do comunicador do futuro já começa na escola

Colégio Pentágono

07 de março de 2022 | 18h44

Por Gustavo Urbani Pessutti *

Aproximar as práticas escolares da atuação profissional que o aluno poderá ter no futuro é uma das premissas do novo ensino médio brasileiro. E o Colégio Pentágono tem se colocado como instituição de vanguarda na efetivação de metodologias ativas e na construção de disciplinas que possibilitem ao estudante um contato direto com realidades que, antes da reforma, ele só poderia viver na universidade ou mesmo no mercado de trabalho. Nesse contexto, ainda durante a elaboração das eletivas que passariam a ser oferecidas a partir de 2021, compreendemos que a ruptura do modelo tradicional de produção de conteúdo e a transformação do perfil do profissional de mídia no ambiente digital exigiriam preparação específica e capacitação aprofundada dos adolescentes desde sua trajetória no ensino básico. A partir desse entendimento, avançamos no planejamento e na própria realização da disciplina de Jornalismo e Produção Midiática como um dos destaques das eletivas oferecidas pelo Colégio.

Site criado pelo alunos em 2021. Podcast, vídeo, texto e crônica foram as plataformas selecionadas para abordarem o tema de “Multiculturalismo”

 

Sendo assim, o curso foi pensado de acordo com duas frentes interdependentes e complementares. A primeira delas, mais analítica, é voltada à compreensão das teorias da comunicação social e das bases conceituais da produção jornalística, midiática e audiovisual. Além disso, essa frente inicial também apresenta habilidades técnicas e características de formatos de conteúdo que são essenciais para a segunda parte do curso. Esta, totalmente prática e interativa, emula cenários reproduzidos nos laboratórios de jornalismo das melhores faculdades do país. Como prevê a estrutura de uma redação jornalística, os alunos foram separados em cargos e editorias, que levavam em conta a hierarquia dentro dos grupos de trabalho, as diferentes plataformas de produção midiática e a temática de cada conteúdo a ser produzido. Nossos estudantes, dotados de autonomia para escolher a mídia em que atuariam e as próprias pautas, transformaram-se em chefes de redação, editores, designers, redatores e repórteres.

O grande sucesso da disciplina, então, materializa-se no protagonismo que cada jovem assume no decorrer do projeto, organizado em etapas que, apesar de previamente planejadas, seguem também os rumos imprevistos da elaboração da pauta, da apuração detalhada e da redação de textos e roteiros. Tendo como base pedagógica a Aprendizagem Baseada em Projetos, conforme apontado por Lilian Bacich e José Moran em “Metodologias ativas para uma educação inovadora”, as práticas da eletiva deram espaço e, principalmente, voz para que os alunos pudessem construir seus próprios produtos de maneira colaborativa e integradas.

Ao final de cada semestre, os alunos-jornalistas publicam reportagens especiais, crônicas, infográficos, charges, ilustrações, podcasts e videorreportagens que giram em torno de uma mesma temática transversal, mas carregam especificidades de pauta e plataforma. Todas as produções são concentradas em um Google Site que dá dimensão real ao trabalho de cada grupo e valida as práticas do semestre. Com isso, o Colégio Pentágono possibilita aos estudantes que saibam se colocar perante à volatilidade e à intensidade dos produtos comunicacionais e consigam, efetivamente, produzir conteúdo por conta própria. A disciplina tem conexão profunda, inclusive, com o modo pelo qual nossos alunos – os chamados nativos digitais – obtêm conhecimento. Integrantes da geração Z, estão acostumados à rapidez, à dinamicidade e à hiperconexão e usufruem de uma miríade de fontes e recursos para se formarem e se informarem. Logo, trazer essa realidade para o ambiente escolar e ajudá-los a sistematizar, compreender, organizar e até produzir discursos e conteúdos próximos daqueles com que têm contato no cotidiano é fundamental para que eles se tornem cidadãos mais autônomos e, também pousem no ensino superior com mais recursos para a atuação acadêmica e profissional.

*Gustavo Urbani Pessutti – Professor de Língua Portuguesa e Redação e responsável pela disciplina de Jornalismo e Produção Midiática

 

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