Fazendo História – Ver e viver a cidade de São Paulo

Fazendo História – Ver e viver a cidade de São Paulo

Colégio Pentágono

11 Novembro 2015 | 08h24

Educação

Ler e escrever são procedimentos tradicionais e primordiais de todas as instituições escolares preocupadas com a formação de seus alunos. A leitura proporciona a compreensão do mundo e a escrita possibilita a participação ativa na sociedade. A escola que consegue promover essas duas práticas está cumprindo grande parte de sua missão, mas aquela que consegue ir além se diferencia das demais por desenvolver habilidades socioemocionais a partir de suas ações didáticas intencionais.

Tendo como base essa concepção, os alunos do 9º ano do Colégio Pentágono desenvolvem, anualmente, um amplo projeto cujo tema principal é a cidade de São Paulo: Ver e viver a cidade de São Paulo.

Em um intrigante poema, Carlos Drummond de Andrade aborda a eterna busca humana pelo novo utilizando como pretexto as viagens espaciais. O poeta afirma que, um dia, o Homem irá cravar seus pés em diversos planetas, mas, logo em seguida, essas conquistas perderão o encanto e ele seguirá rumo a outras, mais desafiadoras. O que ele quer nos dizer com essa metáfora? A mais importante, perigosa e sempre postergada viagem é aquela que realizamos para dentro de nós mesmos.

Foi com esse chamado do poeta que tudo começou. Apesar de acostumados a realizar constantes viagens para diversas partes do Brasil e do mundo, em função de um contexto atual cheio de adversidades locais e oportunidades globais, nossos alunos desconheciam o centro histórico da cidade de São Paulo e, também, a história de ocupação de nosso estado.

Conhecer as origens de São Paulo tornou-se fundamental não apenas por promover a vivência de conceitos históricos abordados em sala de aula, mas também por criar elos de identidade entre o indivíduo e o mundo que está a sua volta. Os alunos do Pentágono foram pouco a pouco percebendo a importância de cravarem seus pés numa realidade bem próxima: a cidade de São Paulo.

Para concretizar o projeto, os professores estabeleceram um plano dividido em fases. Na primeira fase do projeto definiram uma problematização que desencadeou um processo de pesquisa. Algumas semanas depois, foram a campo e visitaram vários locais do centro da cidade, coletando diferentes informações relacionadas a seus respectivos focos de estudo. Alguns meses depois, conheceram a região do Vale do Paraíba, entrando em contato com a riqueza cultural da cidade de São Luís do Paraitinga e com as heranças históricas da fase cafeeira do século XIX.

Após os estudos de meio, os alunos sistematizaram as informações e aprendizagens acumuladas escrevendo um artigo de opinião. Essa ambiciosa proposta poderia encerrar-se naquele momento, pois estávamos cumprindo a nossa missão ao desenvolver as habilidades de leitura e de escrita, porém no Pentágono isso não é suficiente, precisávamos socializar o conhecimento a partir de uma via na qual pudéssemos desenvolver novas habilidades. Depois de algumas reuniões e discussões, nós, educadores, escolhemos a dramatização e apresentamos a proposta aos alunos que aceitaram o desafio.

O teatro, para a criança e para o adolescente, é motivador e os afeta nos aspectos cognitivo, emocional e social e, segundo Vygotsky, qualquer vivência intensa deixa sempre vestígios no nosso comportamento uma vez que as emoções são construídas socialmente. Representar um personagem é colocar-se no lugar do outro, criar possibilidades, compreender a diversidade, as diferenças, as semelhanças e perceber a si e ao outro como sujeitos do mundo.

Assim, à medida que construíam outro fascinante texto, cravaram os pés sobre a cidade e, ao recuperarem sua ancestralidade, humanizaram-se ainda mais. O pretexto apresentado por Carlos Drummond de Andrade se transformara em contexto.

Nas noites das apresentações, nós, educadores do Colégio Pentágono, teremos mais uma confirmação de que os valores que norteiam nossa escola, entre eles excelência acadêmica, formação do indivíduo, ser feliz na escola e parceria com as famílias, são intenções que não constam apenas nos documentos oficiais da instituição.

Paralelamente, nossos alunos se qualificarão nessa outra “sala de aula”, como agentes sociais ou, melhor dizendo, cidadãos do mundo.

Américo Santos
Coordenador Geral do Ensino Fundamental II do Colégio Pentágono

Maria Silvia Santa Fé
Professora de Artes e Teatro do Colégio Pentágono