Família e escola precisam se unir para desenvolver a autonomia das crianças

Família e escola precisam se unir para desenvolver a autonomia das crianças

Colégio Pentágono

29 de outubro de 2021 | 14h06

Por Adriana Bulbovas Melo *

Sabemos que um bom estudante e, futuramente, um bom profissional, precisa desenvolver habilidades de estudo e pesquisa desde pequeno, sendo esse um grande desafio para as famílias e para a escola na participação desta importante formação das crianças.

Não é fácil conquistar a autonomia se há pessoas à nossa volta fazendo por nós o que podemos fazer individualmente. Independentemente da classe social, cultura, origem da família, muitos pais e responsáveis apresentam dificuldade em delegar para as crianças aquilo que é possível ser realizado a cada etapa da vida, principalmente referente ao desenvolvimento do estudo autônomo. O desenvolvimento da autonomia, implica em tomada de decisão, aceitar risco e, assim, algumas famílias precisam acreditar mais nos filhos e permitir que explorem o mundo ao seu redor. Para ajudá-los, o ideal é que os pais determinem um horário para estudo individual, ter tarefas e delegar ações com  responsabilidade, com rotinas bem definidas, como arrumar a cama sempre depois que acorda, arrumar a mochila e o estojo para as aulas do dia seguinte, fazer a lancheira com o filho e permitir que ele também tome algumas decisões sobre o lanche.

(Foto: Artem Podrez/Pexels)

Afinal, o que é o estudo autônomo?

Estudar é um verbo, uma ação que significa adquirir habilidade ou conhecimento. Autonomia é a capacidade de tomar decisões e agir de acordo com seus próprios valores e conhecimentos sem a interferência dos outros, é administrar seu tempo e organizar suas tarefas de acordo com sua própria análise, sem gerar dependência.

O filósofo Kant define a autonomia como a capacidade da vontade humana de se autodeterminar segundo uma legislação moral por ela mesma estabelecida, tal como uma paixão ou uma inclinação afetiva que não se pode influenciar. Para o biólogo e psicólogo Piaget, autonomia significa a capacidade de decidir por si próprio, entre o certo e o errado na esfera moral, e entre verdade e a inverdade na esfera intelectual, levando em conta fatores relevantes, independentemente de recompensa e punição. Para o educador Paulo Freire, o indivíduo autônomo é aquele que participa de seu próprio processo de aprendizagem, trazendo para a sala de aula suas próprias experiências, o “seu saber”.

É por isso que desde pequeno, família e escola precisam oferecer ferramentas para as crianças desenvolverem hábitos de estudos. A família motivando o filho a ter compromisso com as atividades propostas pela escola, com as tarefas do dia-a-dia em casa, desde guardar seus brinquedos, limpar seu armário, cuidar dos seus pertences, até mesmo estimulando à leitura e atividades culturais. Já o papel da escola, assim como ocorre no Colégio Pentágono, é desenvolver a postura de estudante para favorecer a autonomia. Na sala de aula, o aluno precisa ser  protagonista e autor do seu próprio processo de aprendizagem,  buscando respostas às perguntas e soluções aos seus conflitos, não esperando passivamente que tudo esteja pronto. Além disso, a autonomia também ensina a respeitar os outros e trabalhar coletivamente inserindo seu empenho pessoal.

Por isso também é importante que, conjuntamente, famílias e escolas sejam capazes de desenvolver as habilidades socioemocionais como Persistência na realização das atividades; Autoconfiança para arriscar-se nas propostas; Postura Investigativa ou Curiosidade para perguntar e buscar soluções; Concentração para mobilizar seus conhecimentos e articulá-los; Compromisso com as tarefas domésticas e da escola; Resiliência para aceitar os conflitos e buscar novas soluções; Responsabilidade pelo seu processo de aprendizagem e pelo trabalho colaborativo; e Autonomia para vivenciar o prazer de “poder fazer sozinho”.

Temos a certeza que a escola, em parceria com a família, formará um cidadão consciente para lutar por seus direitos, saber seus deveres, lidar com as diferenças, respeitar diversas culturas, aprender com seus erros e intervir na sociedade buscando a paz e o entendimento. Esse é um dos principais objetivos do Pentágono: a formação integral do indivíduo. 

Como dizia o sábio Aristóteles: Somos o que fazemos repetidamente. Excelência, portanto, não é um ato, é um hábito.

* Adriana Bulbovas Melo é Coordenadora do Ensino Fundamental dos Anos Iniciais do Colégio Pentágono Unidade Perdizes

 

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