Conhecer seus filhos é a melhor forma de ajudar na educação e desenvolvimento deles

Conhecer seus filhos é a melhor forma de ajudar na educação e desenvolvimento deles

Colégio Pentágono

26 de agosto de 2021 | 14h27

Por Beatriz Carvalho*

Quando nos referimos à participação efetiva das famílias na educação dos filhos, em destaque a escolar, esta deveria ir muito além do acompanhamento das notas. O ideal seria que valorizassem uma educação com um olhar mais amplo e que se sentissem pertencentes de fato a uma comunidade educativa.

As escolas possuem intencionalidade em formar, contratam profissionais qualificados em suas áreas de conhecimentos e, em parceria com as famílias, podem ir mais longe adquirindo resultados superiores na formação de crianças e adolescentes.

As famílias desejam bons resultados dos filhos nas esferas acadêmica e socioemocional, mas será que os esforços vão de fato nesse sentido?

(Foto: ergonofis)

Filhos reconhecem quando a família valoriza a educação e quando os investimentos são claros, coerentes e constantes, assim tendem a se esforçar na aquisição de conhecimentos e cultura, elevando o seu potencial.

Pais precisam ser cirúrgicos em apoiar os filhos na construção da autonomia nos estudos e na vida. Este é sem dúvida um pré-requisito fundamental,  para que possam ter mais êxito na vida adulta.

Ocorre que os pais, ao reservarem tempo para fazer as tarefas com os filhos,  por vezes se depararem com conteúdos cada vez mais complexos, precisando estudar novamente para ajudá-los. Ser refém desse processo nada ajuda na formação e responsabilização dos filhos por suas  escolhas.  Pais precisam apoiar, sim, isso faz parte do processo educativo, mas não podem fazer tudo pelos filhos, porque essa ação é incompatível com a construção da autonomia. 

Participar ativamente do processo educativo dos filhos e reconhecer a potência deles, é turbiná-los para que se tornem independentes e seguros do seu processo de aprendizagem.

Quando elegemos uma escola, para que, em parceria, nos ajude a percorrer essa jornada, precisamos estar alinhados e seguros diante das escolhas que a instituição faz em relação aos princípios e proposta pedagógica. É importante ressaltar que não conseguiremos concordar com tudo e teremos, também, que nos adaptar às questões, normas e condutas na busca de uma parceria mais produtiva. 

A escola vive, além do individual, o coletivo e, assim, tem como propósito  formar pessoas com foco no bem comum e no desenvolvimento de competências acadêmicas e socioemocionais necessárias para o desenvolvimento saudável de toda uma comunidade.

Percebemos, na prática educativa, que alunos mais independentes e com melhores entregas foram aqueles que receberam instruções claras das famílias quanto a sua rotina de estudo e que foram incentivados a ter recursos e estratégias pessoais para fazer gestão da sua trajetória escolar e da gestão de seus conflitos. 

O ensino atual tende a reforçar o protagonismo do aluno em sala de aula, que agora se torna um espaço para debate onde o professor é o condutor de uma conversa profunda entre jovens. No Colégio Pentágono, a atualização para metodologias modernas é constante e os estudantes sempre vivenciam uma escola sempre em transformação, que permite escolhas, que impulsiona uma trajetória personalizada de acordo com o perfil de cada aluno.

Alguns pontos precisam de investimento quando desejamos um filho autônomo nos estudos:

Compreender o ritmo e estilo de aprendizagem – Conhecer as características de como o filho aprende e identificar os pontos fortes e oportunidades de melhoramento em sua prática de estudo é o início. Quando aceitamos essa condição, sem altas expectativas, conseguimos mais êxito ao ensiná-los estratégias para a autonomia. Ex: Um filho mais disperso e agitado pode ser incentivado a ter recursos visuais que favoreçam sua aprendizagem, pode se organizar a rotina de estudos com mais pausas, mas com constância para garantir entregas. Podemos promover encontros entre pares (crianças/adolescentes da mesma faixa etária) aos filhos que aprendem mais com as trocas do que individualmente, já que sabemos que é na interação e participação ativa que o aprendizado se faz mais completo.

Ouvir – A escuta genuína é um presente para os filhos. Ajuda na comunicação e compreendemos melhor os sentimentos e o raciocínio deles diante dos fatos. Em relação à aprendizagem, quando escutamos, compreendemos como funcionam, aprendem, de modo a podermos celebrar o cotidiano juntos. Por vezes, em função do perfil e/ou faixa etária, pouco falam. Nesse momento, vamos aos poucos criando mais intimidade para que se sintam confiantes e menos controlados por nós. Quando ouvimos de fato temos uma chance honesta de avaliarmos nossas intervenções para checarmos se são positivas ou improdutivas, podendo refazer a rota da nossa interface com os filhos.

Sair de cena – Apoiar os filhos é acreditar que são capazes. Dar suporte não é apenas cobrá-los e dar estrutura (local e horários pré-estabelecidos), mas também incentivá-los. Sugerir recursos, se disponibilizar para conhecer espaços ou apoiá-lo quando solicitam algo que fomente o conhecimento, que não são capazes de fazer sozinhos, é de muita valia. É  preciso sair das cobranças e entrar no universo de aprendizagem quando solicitado. Quando percebem que conseguem caminhar com autonomia, isto os fortalece, e mais empoderados têm mais chances de sucesso.

Respeitar o produto final – Os filhos farão suas produções de acordo com seu conhecimento, destreza, capacidade, enfim, o que conseguem fazer de melhor para a faixa etária e seu perfil. O que podemos fazer é solicitar esforço, organização e que façam o seu melhor, mas jamais exigir que façam o que queremos ou algo que não seja autêntico de acordo com a sua identidade. Se valorizarmos o produto final, mais do que o percurso de aprendizagem, o filho sempre achará que não é capaz de produzir algo com valor. Isso gera desânimo, frustração, sensação de impotência. Sentimentos estes que são pouco produtivos.

Ir além enquanto pais educadores – Bons tutores valorizam os erros e acertos. Percebem a importância das tentativas, da capacidade de superação, não comparam os filhos, compreendem que são diferentes de nós e que podem achar um caminho único de aprendizagem quando acreditam que são capazes, tendo segurança em seus percursos. Para tal, por vezes, precisamos nos reinventar e não repetir modelos vivenciados ou assistidos por nós na nossa trajetória de vida. 

Cada filho exige de nós um olhar diferenciado para o seu desenvolvimento saudável, vivem em outro momento sócio-histórico, percebem o mundo diferentemente de nós e possuem uma gama de conteúdos e reflexos do mundo contemporâneo, muito além do que vivenciamos. Esses fatores influenciam como reagem, como aprendem e como almejam seu futuro.

Participação ativa na escola – Existem oportunidades na escola que contribuem para a educação dos pais e para a sensação de segurança dos filhos em relação ao acompanhamento parental escolar. 

Participar das reuniões sem dúvida é um bom início, os eventos pedagógicos são a celebração dos trabalhos realizados pelos filhos, portanto, um bom convite para a participação familiar, mas podemos ir além disso. 

Escolas oferecem cursos, solicitam que pais façam palestras para a comunidade escolar (da área de domínio), dispõem de programas de voluntariado em várias frentes sejam estas técnicas, artísticas, sejam voltadas a projetos específicos. Essa aproximação tem ganhos para todos, além de nos sintonizar com o espaço e rotina dos filhos.   

Dedicação e reserva de tempo são bons aliados para que possamos registrar o desenvolvimento educacional dos filhos e de fato demonstrarmos o quanto a educação importa para a família! Colocar a Educação no pódio é sem dúvida um bom investimento. O lucro dos pais são filhos autônomos, mais seguros, assumindo o domínio da sua vida adulta! 

 

* Beatriz Carvalho é Coordenadora Pedagógica do Ensino Fundamental Anos Finais do Colégio Pentágono 

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