Base Nacional Comum Curricular – Um grande desafio

Base Nacional Comum Curricular – Um grande desafio

Colégio Pentágono

21 Junho 2017 | 11h57

“Nós estamos atualmente preparando alunos para trabalhos que ainda não existem, que usarão tecnologias que ainda não foram inventadas, para resolverem problemas que ainda nem sabemos que são problemas.” Richard Riley, Secretário da Educação dos EUA

“Pela primeira vez, o Brasil terá uma base que define o conjunto de aprendizagens essenciais a que todos os estudantes têm direito, na educação básica. Como ela será implementada, dependerá dos currículos adotados pelas escolas.”  Maria Helena Guimarães de Castro, Secretaria executiva do MEC

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tem como propósito deixar claros os conhecimentos essenciais que todos os estudantes brasileiros devem acessar e dos quais devem se apropriar durante sua trajetória na Educação Básica, desde o ingresso na Educação Infantil (G1) até o final do Ensino Médio. Trata-se de um para?metro fundamental a ser consolidado pelo Projeto Político Pedagógico das escolas, tanto as oficiais quanto as particulares.

A BNCC afirma um compromisso com a educação integral: questões como o que aprender, para que aprender, como ensinar, como promover redes de aprendizagem colaborativa e como avaliar o aprendizado são itens amplamente discutidos, pois hoje o fundamental para o indivíduo é saber comunicar-se, ser criativo, analítico-crítico, participativo, produtivo e responsável. Para tal, nosso aluno precisa muito mais do que o acúmulo de informações.

Analisando-se as 10 competências gerais da BNCC, nota-se claramente uma grande preocupação com uma educação integral, ao se reconhecer que a educação básica deve promover a formação e o desenvolvimento humano global, dando o mesmo valor tanto às competências cognitivas como às socioemocionais, deixando, também, bem claro que educação integral não é simplesmente a escola em tempo integral.

A BNCC definiu um conjunto de 10 competências gerais, que devem ser desenvolvidas de forma integrada aos componentes curriculares, ao longo de toda a educação básica:

1- Conhecimento – valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social e cultural, para entendê-lo e poder intervir nele.
2- Pensamento crítico, científico e criativo – exercitar a curiosidade intelectual, desenvolvendo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, a fim de investigar causas, elaborar hipóteses, formular e resolver problemas e propor soluções.
3- Senso estético – desenvolver o senso estético para não só reconhecer e valorizar as mais diversas manifestações artísticas culturais contemporâneas, como também participar de atividades artísticas culturais.
4- Comunicação – utilizar as diferentes linguagens (verbal  oral e escrita, corporal, multimodal, artística, matemática, científica, tecnológica e digital) para se expressar, para partilhar informações, experiências, ideias, sentimentos  e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
5- Argumentação – argumentar, com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões, com posicionamento ético, ou seja, que respeite e promova os direitos humanos e a consciência socioambiental.
6- Cultura digital – utilizar tecnologias digitais de comunicação e de informação, de forma crítica, significativa, responsável, reflexiva e ética, para comunicar-se, acessar e disseminar informações, produzir conhecimento e resolver problemas.
7- Autogestão – valorizar a diversidade de saberes, entender o mundo do trabalho e planejar o seu projeto de vida pessoal, profissional e social, para fazer, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade, escolhas em relação ao seu futuro.
8- Autoconhecimento e autocuidado – conhecer-se, apreciar-se, reconhecer suas emoções e a dos outros, ter autocrítica para cuidar da sua saúde física e emocional, lidar com as suas emoções e com a pressão do grupo.
9- Empatia e cooperação – exercitar a empatia (colocando-se no lugar do outro ), o diálogo, a resolução de conflito e a cooperação, para fazer-se respeitar e promover o respeito do outro; acolher e valorizar a diversidade sem preconceitos, reconhecendo-se como parte de uma coletividade com a qual deve se comprometer.
10- Autonomia – agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, para tomar decisões segundo princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

Alguns itens que deverão ser motivo de estudos e aprofundamento:

– Ensino religioso foi excluído da terceira versão;
– Conteúdo de História passa a ser organizado segundo a cronologia dos fatos;
– Língua Inglesa será o idioma a ser ensinado obrigatoriamente;
– Conceito de gênero não é trabalhado no conteúdo, mas sim o “respeito à pluralidade”;
– Alfabetização plena até o fim do segundo ano;
– Educação Infantil ganha parâmetros de quais são os “direitos de aprendizagem e de desenvolvimento” para bebês e crianças com menos de seis anos.

O Colégio Pentágono, por meio de seu Projeto Político-Pedagógico nos diferentes segmentos, deverá continuar explicitando os procedimentos metodológicos, assim como as mediações pedagógicas. Tais mediações devem continuar proporcionando o estabelecimento de relações entre os conhecimentos a serem desenvolvidos no a?mbito do currículo (base comum e parte diversificada) e as características e necessidades cognitivas dos educandos.

O que e como vamos ensinar  sempre foi  e sempre será o nosso grande desafio, para que nossos alunos possam enfrentar a vida, já que as mudanças no mundo em que estão inseridos são rápidas demais.

Silvia Tuono
Assessora Pedagógica Geral do Colégio Pentágono