Alfabetização: os desafios da escola durante a pandemia

Alfabetização: os desafios da escola durante a pandemia

Colégio Pentágono

16 de março de 2022 | 15h56

Por Isabele Veronese*

Os desafios da escola brasileira frente a alfabetização e a formação do leitor e do produtor de textos sempre existiram e não são consequências apenas do período de pandemia e das aulas remotas. O maior estudo sobre educação do mundo, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), apontou, em 2018, que 50% dos estudantes brasileiros com 15 anos de idade não possuíam, na época, nível básico de leitura. No ranking dos 78 países avaliados, o Brasil ocupa a casa do 55º lugar. 

No entanto, não podemos negar que esses desafios foram agravados pelo período da pandemia. Isso porque a alfabetização não é um processo natural e exige um trabalho didático sistematizado e carregado de intencionalidade pedagógica. As áreas da leitura, da escrita e da matemática não nascem prontas no cérebro, são construídas na interação com os colegas de sala e com a linguagem em diferentes contextos comunicativos, planejados para ensinar e assegurar que os estudantes aprendam a ler, a escrever e a fazer contas. 

No Colégio Pentágono, além do planejamento das aulas em formato remoto, que foram garantidas aos estudantes durante todo o período em que a escola ficou fechada, desenvolvemos um plano de ações para prevenir e, se necessário, minimizar os impactos desse período na alfabetização e no desenvolvimento do raciocínio matemático. Esse plano contempla três ações fundamentadas em um dos valores do Colégio: a excelência acadêmica.

A primeira e a segunda estão entrelaçadas e envolvem o estudo aprofundado da proposta curricular da escola, com vistas à identificação das aprendizagens prioritárias, e a avaliação diagnóstica. Num movimento intenso de formação continuada dos professores e coordenadores, a equipe pedagógica revisitou o currículo, fez uma análise aprofundada das habilidades e elegeu aquelas que são fundamentais para que os estudantes aprendessem a ler e a escrever com qualidade. Após a aplicação da avaliação diagnóstica, analisamos os dados e traçamos as metas para assegurar a alfabetização das crianças ao final do 1º ano do Ensino Fundamental, entre elas um planejamento pedagógico consistente, assertivo e inovador no que diz respeito às metodologias ativas e ao uso da tecnologia. 

E por fim, o Colégio deu mais um salto em inovação e produziu materiais didáticos próprios para os estudantes dessa turma. O material foi desenvolvido para Língua Portuguesa e Matemática, dois componentes curriculares importantes para a formação integral do indivíduo e, claro, desafiadores em função da complexidade dos conhecimentos que as crianças devem aprender nessa idade.  

O material de Língua Portuguesa foi organizado em sequências didáticas, a partir dos gêneros discursivos e das práticas de linguagem essenciais para a faixa etária. O conteúdo ajudará a potencializar o registro, a sistematização das aprendizagens e o desenvolvimento das competências leitora e escritora. Contempla, também, as metodologias ativas, para assegurar o protagonismo do estudante e o uso da tecnologia que possibilita o desenvolvimento das práticas de letramento digital e multiletramentos – atividades diferenciadas que incentivam a aprendizagem. 

Já o material de matemática contempla os conteúdos de conhecimento e as habilidades previstas para o 1º ano dentro de cada uma das unidades temáticas: números, geometria, grandezas e medidas, álgebra, probabilidade e estática. Há um grande investimento no desenvolvimento do senso numérico, conhecimento imprescindível para a alfabetização matemática.

Assim como a excelência acadêmica, ser feliz na escola é um valor que orienta a tomada de decisões, inclusive pedagógicas no Colégio. E essas ações, que compreendem avaliar, monitorar, acompanhar, intervir e, em 2022, lançar um material didático personalizado fruto da inovação e da pesquisa que são marcas do Colégio. Assim, evidenciamos como estamos trabalhando para que todos estejam felizes na escola, para que os estudantes se alfabetizem e, por meio da leitura, da escrita e da matemática, possam pensar e atuar no mundo, sendo respeitados no direito que possuem de serem crianças. 

“Por trás da mão que pega o lápis, dos olhos que olham, dos ouvidos que escutam, há uma criança que pensa.” Emilia Ferreiro

*Isabele Veronese  – Assessora de Língua Portuguesa da Educação Infantil e Ensino Fundamental anos iniciais 

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