A tecnologia na Educação Infantil: modismo ou não?

A tecnologia na Educação Infantil: modismo ou não?

Colégio Pentágono

07 de outubro de 2021 | 15h32

Por Priscila Azevedo*

Com o advento da pandemia, as escolas se reinventaram  e  no Colégio Pentágono, não foi diferente. Tivemos que nos adaptar ao ensino remoto. Professores, alunos, comunidade escolar, gestores, enfim, todos foram desafiados a garantir que a educação ofertada no presencial atingisse cada criança no remoto como estamos acostumados a trabalhar. E, depois de tanto trabalho árduo, chegamos a um formato próximo do ideal. E, quando nossa rotina já estava estruturada, nos deparamos com um novo desafio: o retorno presencial. E agora? O que fazer com tanto estudo, tanto investimento? A tecnologia seria mais um modismo ou ela veio para ficar? 

É a geração alfa, ou seja, a única 100% digital. Não podemos nos esquecer ou abandonar todas essas conquistas e tratá-los somente como crianças do lápis e papel. Isso seria um retrocesso em relação a concepção de escola, a todo trabalho realizado até aqui, mas a infância em sua plenitude também tem que ser preservada, aquela que prevê ações intencionais relacionadas às vivências de diversas áreas que compõem o desenvolvimento infantil.

De acordo com Anna Penido, diretora do Inspirare, “se antes a gente educava os alunos para usarem a tecnologia, hoje em dia a gente usa a tecnologia para educar os alunos”. Para ela, uma das grandes contribuições da tecnologia é a melhoria na qualidade do ensino ofertado ao aluno. O professor pode desenhar um cenário personalizado, criando novas estratégias que facilitam o processo de ensino aprendizagem, desde a Educação Infantil. 

Temos visto cada vez mais crianças manipulando tablets e celulares, escolhendo o que querem e o que não querem ver, por vezes até sem ponderação pelos responsáveis, mas é uma realidade. A escola não pode ser alheia a tudo isso, mas precisamos ressaltar que a infância transita principalmente pelo brincar, explorar, conviver e vivenciar que vai muito além da tecnologia. 

Por sua vez, o professor Dr. José Armando Valente, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) destaca que a tecnologia por si só não garante a qualidade da educação. Não se trata de uma substituição pura e simplesmente. Segundo o autor, o protagonismo que o aluno assumiu é essencial para o desenvolvimento de competências que a sociedade atual precisa. Ele reforça que o professor continua sendo essencial no processo de ensino aprendizagem. É o docente que, conhecendo a turma e os recursos tecnológicos, decide em que momento trará um determinado recurso, porquê e como será usado. Entretanto, o formato da aula mudou e, com ele, educando e educadores. 

Os investimentos em tecnologia não são novos no colégio, mantemos parceria com a Google for Education e investimos para que toda a Rede Pentágono fosse certificada oficialmente. E não paramos por aí…

Adquirimos chromebooks, ampliamos a sala maker, mas nada disso faria sentido sem o professor ou os alunos. Nossos time de educadores tem se dedicado a estudar. Temos docentes no nível I, II e III de certificação Google. E, há cursos no CPD – Centro de Desenvolvimento Pentágono, permanentes de metodologias ativas para todos os segmentos da Educação Básica.

No caso da Educação Infantil, as turmas possuem sites. O aluno foi instruído a acessar, com o auxílio dos pais, mas isso foi só no começo. Hoje eles já sabem os caminhos, os processos e saboreiam seus registros de imagens do dia a dia na escola e o que vivenciam na infância. 

As crianças mais novas foram para a aula remota com alguma dificuldade, mas avançaram. Com o retorno das atividades presenciais continuamos a alimentar o sistema. Semanalmente inserimos jogos de matemática, de linguagem, contação de histórias ou até mesmo atividades de Educação Física. A página da sala conta com a narrativa de todo processo, com fotos das atividades realizadas ou entrega de material didático. 

Usamos ferramentas como Jamboard, Stop Motion, Padlet. As crianças já sabem como selecionar cor, incluir ou excluir fotos e isso precisa de continuidade.

Enquanto mantivermos o ensino presencial e remoto simultâneos, precisamos nos dedicar para que os alunos tenham sequências didáticas e sejam estimulados em seu desenvolvimento. 

Muitas atividades propõem o movimento do corpo, a exploração do dia a dia tão fundamentais. Assim, a  tecnologia é  utilizada na medida certa com qualidade e não como único recurso destinado a formação dos mesmos, o que não seria conivente a toda proposta que fundamenta a formação infantil. Mas não há dúvida, enquanto educadores, precisamos nos abrir aos desafios e as adaptações provindas do mundo contemporâneo.

A ponderação é a chave. O tempo certo, a ferramenta certa, o momento e a atividade certa. De um modo geral pode-se afirmar que: a tecnologia, na escola, veio para ficar, mas a decisão de uso será sempre do educador que com bom senso fará as melhores escolhas valorizando sempre a Infância.

* Priscila Azevedo é Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil e do 1º ano do Ensino Fundamental Anos Iniciais na unidade Morumbi do Colégio Pentágono

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