A falta de limites na educação dos filhos e a síndrome do imperador

karinabezerra

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A falta de limites por parte de muitos pais forma crianças  e adolescentes que acham que podem fazer tudo, sem ter que pagar pelas consequências de seus atos.

Como explicar o aumento do número de crianças com comportamento autoritário, que agem segundo  seus caprichos e exigências? Existe até um termo para esse tipo de criança: são meninas e meninos imperadores. O termo síndrome do imperador surgiu recentemente para caracterizar um tipo de relacionamento entre as crianças e os adultos que as educam.

A explicação para este tipo de comportamento está na família e na sociedade. O problema tem sua origem, muitas vezes, em pais ausentes que, para diminuir seu sentimento de culpa pelo tempo que não passam com a criança, atendem a todas as suas vontades. Para se aproximar dos filhos, acabam por realizar seus desejos, muitas vezes, antecipando-se a eles. Tendem a ser pais mais permissivos e superprotetores, que não  colocam limites aos filhos nem estabelecem regras claras.

Pedagogos e psicólogos afirmam que as crianças mimadas, que se acostumaram a receber tudo sem dar nada em troca,  transformam-se em adultos vulneráveis, que não conseguem ouvir um não e têm baixa tolerância à frustração. Hoje, sabemos que os limites dão  segurança às crianças, que  se sentem perdidas se não existirem  regras de conduta em casa ou na escola. Os limites são como linhas vermelhas que funcionam como barreiras que a criança deve saber que não pode cruzar. Com os limites  as pessoas vivenciam as frustrações, criam novas estratégias para resolver as situações e se esforçam para novas metas.

E como a escola lida com esse padrão de comportamento? No Colégio Pentágono, existem, claro,  crianças superprotegidas e mimadas, mas não são o padrão. Escola é uma instituição que,  para poder funcionar com eficácia, precisa de regras de conduta  e procedimentos. Cabe à equipe pedagógica estabelecer normas  claras dentro da sala de aula, nos corredores, nos intervalos. Limites são sinais de cuidado e orientação.

Construir esses limites na escola leva tempo, dá trabalho, é um processo com idas e vindas, conforme a faixa etária. Um bom caminho é não ficar fazendo sermão, sempre explicar o porquê das regras, escutar o ponto de vista  dos alunos, mas mantendo princípios que não se negociam. Ações agressivas e raivosas que, muitas  vezes, são maneiras equivocadas de reagir às frustrações são combatidas com firmeza. Na imensa maioria das vezes, as famílias são parceiras,  compreendem que precisamos atuar com sanções quando as regras não são respeitadas.

Nos últimos anos, o Colégio Pentágono intensificou as ações para o desenvolvimento de competências socioemocionais. O aluno com bom rendimento acadêmico é o que aprendeu a desenvolver capacidades, como determinação, responsabilidade, flexibilidade. O aluno que teve oportunidade de refletir e vivenciar a empatia sabe atuar levando em conta as perspectivas próprias e de outras pessoas. O aluno que aprendeu a se conhecer consegue atuar para ter  autocontrole.

O tema da formação de limites é essencial, também, porque os nossos alunos  logo chegarão  ao mercado de trabalho, que pouco espaço dará aos imperadores.

Adriana Giorgi Costa Orientadora Educacional do Colégio Pentágono

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