A experiência necessária do ato de performar: encerrando ciclos

A experiência necessária do ato de performar: encerrando ciclos

Colégio Pentágono

16 de dezembro de 2021 | 13h25

Por André Lindenberg*

 

Na obra cinematográfica do diretor italiano Federico Fellini, Ensaio de Orquestra (1979), uma frase épica é declarada: Para onde a música vai depois que escutamos? Esta pergunta poderia ser respondida dentre as mais diversas perspectivas, seja pelos impactos cognitivos que causam as vivências artísticas, ou pela narrativa filosófica e também pela poética. Porém, ao nos deslocarmos ao contexto do aprendizado escolar, o caminho para a resposta é se perguntar: Como escutamos? Assim, avaliando os impactos que a Arte promove é necessário estabelecermos os pontos de partida e os percursos nessa jornada da arte com a educação. O resultado é o processo. A Arte setoriza o vetor para onde vai a partir de como nos preparamos durante toda a nossa vida para absorver aquele tecido músico-visual-performático, que envolve corpo, pulso, cores, harmonia, texturas, timbres, materialidades, melodias e outras ramificações desses fios e tramas. E nós, educadores, precisamos estar atentos e fortes para perceber aonde os alunos querem ir após tantas vivências e experiências ao longo de um ciclo. 

A arte complexa de educar envolve também perceber o tempo certo de cada indivíduo para finalizar os seus ciclos, sejam os cronológicos, semestrais, marcos temporais, ou aqueles internos de um tempo Kairós. Um tempo a ser vivido! As instituições de ensino precisam calcular constantemente esta equação entre os tempos, para que os projetos de conclusão construam resultados similares à profundidade do processo. Imagine, ainda, a variável que existe atualmente, momento em que gerações consomem experiências sonoras, em até 30 segundos, dentro de suas redes sociais. Essa avaliação e ponderação com a diversidade é o que a equipe de Arte do Colégio Pentágono faz. Formada por profissionais das Artes Visuais, Cênicas e Musicais, esses especialistas promovem encontros e ritos, como se fossem linhas expandidas para além do papel. 

A nossa vida clama por experiências cada vez mais significativas, e esse é o objetivo artístico nas salas de aulas onde a arte é presente, e alarga e se amplifica nas entregas dos projetos integradores, que envolvem mostras de arte em pesquisas desafiadoras a cada faixa etária, revelando a construção e transformação da identidade, suas habilidades de apreciação e expressão. O espetáculo teatral “Ver e Viver São Paulo”, realizado pelos alunos do 9º ano, há mais de dez anos apresenta constantemente  esse desafio. Em 2020, durante o período de isolamento social, a representação cênica se transformou em um longa-metragem feito de forma remota, sendo reconhecido pelo excelente trabalho prestado à educação no projeto Learning Heroes (Twinkl – UNESCO), na publicação da editora inglesa. No ano de 2021, o desafio foi migrar do palco italiano para uma versão intimista, dentro dos três pisos de uma galeria de arte, promovendo uma itinerância de um público de apenas 40 pessoas.

O ensejo de expor e performar é uma experiência única e, principalmente, o resultado de uma existência coletiva. Fazer, criar, compor, inventar, recriar, protagonizar, onde há um processo de grupo que aprende junto, a superar e conquistar. Marcas que deixamos, histórias que contemplamos, somos protagonistas e ensaístas de nosso cotidiano escolar. A arte de proporcionar o anseio de performar os sentimentos. 

 

*André Lindenberg é Coordenador de Artes do Colégio Pentágono 

 

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