Um diálogo entre a curiosidade infantil e o pensamento científico

Um diálogo entre a curiosidade infantil e o pensamento científico

Colégio Oswald de Andrade

06 Maio 2015 | 11h18

“É quadrúpede? – Sim. É um réptil? – Sim. É carnívoro? – Não”. Foi a partir de perguntas como essas que um grupo de alunos foi pesquisando e descobrindo as características das tartarugas marinhas, durante a Oficina da Ciência, na Unidade Girassol. Trata-se de uma proposta pedagógica para o 5º ano do Ensino Fundamental I, organizada por professores polivalentes e especialistas.

Para a construção do pensamento científico, as atividades têm como abordagem didática central o ensino por investigação, que parte da observação de fenômenos naturais para a elaboração de perguntas e hipóteses e para a realização de experimentos. As formas a partir das quais o conhecimento é construído, validado e compartilhado na comunidade científica também estão envolvidas nesse processo.

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“É uma construção que existe desde o inicio da relação dessas crianças com o conhecimento, com a ciência. Elas têm naturalmente um ímpeto de perguntar, investigar, criar”, afirma Harlei Florentino, diretor geral do Oswald. Para ele, a Oficina da Ciência possibilita momentos privilegiados para canalizar a curiosidade das crianças e, a partir daí, ampliar a capacidade delas de questionar, perceber contradições e elaborar hipóteses que possam ser testadas. “São aprendizados que contribuem para o desenvolvimento de um olhar mais amplo e criterioso sobre o mundo e que, certamente, transcendem as especificidades das ciências”, ressalta.

Para conduzir as atividades, foram convidados dois professores das áreas de Física e Biologia. Victor Menna, assistente de inovações pedagógicas no Oswald e biólogo, é um dos professores do curso e está entusiasmado com a experiência. “A Oficina da Ciência está deixando de ser uma matéria da grade curricular – que também está presente no 6º e 7º ano – para se tornar um movimento de investigação na escola”, afirma Victor, que orienta a turma com Jacó Izidro, professor de Física do Ensino Médio.

Como não há uma vinculação obrigatória com o currículo de ciências de cada série, há uma maior abertura e liberdade de trabalhar as questões investigativas, como observação, descrições objetivas e representações nas ciências.

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Seguindo essa perspectiva, a professora convidada Beatriz Critelli, mestranda em Ensino de Ciências pela USP, realizou em abril uma oficina de ilustração cientifica. No encontro, os estudantes criaram uma primeira representação de animais e plantas e tiveram contato com algumas das características das ilustrações na ciência.

Outra atividade foi uma dinâmica em que os alunos separaram diversos objetos de acordo com categorias escolhidas por eles. Com o intuito de compreender alguns aspectos do processo de classificação na ciência, foram discutidos, ao final do encontro, os critérios criados pelos grupos. “Quais foram bons?”, “Quais geraram muita confusão?”, “Todos os grupos usaram os mesmos?” e “Como podemos criar um padrão na classe?” foram algumas perguntas levantadas durante a conversa.

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Muitos alunos estão empolgados com o que tem sido trabalhado na Oficina da Ciência. “Acho muito legal e empolgante fazer essas coisas mais práticas! Também gosto da teoria, de anotar informações no caderno, acho que tudo isso tem a ver com Ciências”, conta Alexandre Casagrande, aluno do 5º ano. Ele diz que tem pensado, nos últimos dias, em ser físico. “Acho que penso nisso por causa da Oficina da Ciência, porque gosto muito de entender como as coisas funcionam!”.

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