Recreiando propicia a ampliação do repertório de brincadeiras para as crianças

Recreiando propicia a ampliação do repertório de brincadeiras para as crianças

Colégio Oswald de Andrade

21 Novembro 2018 | 19h58

Por compreendermos que o brincar é primordial no processo de desenvolvimento das crianças, o Oswald não poupa esforços em criar momentos e espaços para a brincadeira. Por isso, dentre as muitas propostas que trazem a brincadeira para os diversos ambientes de aprendizagem, também idealizamos o projeto Recreiando, que propicia a ampliação do repertório de brincadeiras para as crianças da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I durante os intervalos.

“Entendemos que é tarefa da escola promover uma organização do tempo, da diversidade de materiais e dos espaços, intencionalmente organizados, para propiciar o brincar”, explica a Assistente de Coordenação Pedagógica, Tainá Herck Lima, que está envolvida no Recreiando.

O projeto, desenvolvido pela equipe de auxiliares de classe do colégio, tem como base as propostas do currículo do Oswald, que valoriza as interações sociais, os trabalhos em pequenos grupos e a diversidade, aspectos que aparecem de forma intensa nos espaços das brincadeiras.

Segundo a auxiliar Maria Fernanda Pugliesi, “além de aumentar o repertório de brincadeiras das crianças, um dos diferenciais do Recreiando está em propor coisas que elas nunca pensaram que poderiam fazer no ambiente escolar, e, com isso, o projeto desconstrói um pouco o que é o ambiente escolar e aumenta nosso vínculo com as crianças”.

Durante as atividades, que são realizadas no horário do recreio, as crianças são protagonistas das brincadeiras. E nosso objetivo, com isso, é propiciar experiências e oportunidades de aprendizado.

Tainá garante que “por meio do brincar as crianças apropriam-se da cultura da qual fazem parte e, simultaneamente, têm a possibilidade de construir novas possibilidades de ação e interação”.

 

O brincar no Recreiando

Com a proposta de ampliar o repertório de brincadeiras das crianças, produzindo experiências significativas nos momentos do parque, por meio da criação de cenários para o brincar e da diversificação dos jogos coletivos, as atividades são planejadas antecipadamente pelos auxiliares de classe, para que em cada dia da semana os espaços da escola sejam apresentados às crianças de um modo diferente.

Do ponto de vista pedagógico, Tainá esclarece que o projeto visa garantir mais que espaços para brincadeiras na escola. “Além de possibilitar o brincar, o projeto propõe a educação em uma perspectiva criadora e consciente, em que a brincadeira é compreendida como uma linguagem constituinte da infância, enquanto espaço de simbolização, de socialização e de aprender a relacionar-se com o outro.”

Neste processo, os educadores assumem uma observação atenta para poder pensar na organização de espaços e materiais a serem oferecidos às crianças, sempre com a intenção de ampliar seu repertório para aumentar a probabilidade de desenvolvimento amplo, criativo e voluntário da brincadeira.

Atuando desde o início do Recreiando, a auxiliar Tammy Niwa garante que observar como o projeto se desenvolveu é muito gratificante: “As coisas mudaram e o projeto, hoje, tem outro formato. Apesar de estar muito diferente, vejo a construção das crianças nas brincadeiras, e observar como elas brincam é enriquecedor, porque a gente pode sempre propor coisas novas e, com isso, atualizamos os repertórios”.

 

Materiais propõem improviso consciente

Para promover a brincadeira nas suas mais variadas formas e possibilitar a interação das crianças, o projeto é desenvolvido, na maior parte do tempo, com o uso de materiais não estruturados, como pneus, barris, galhos, sementes, garrafas, tecidos, entre outros.

“Um barril pode ser transformado em mesa ou em navio, dependendo da posição em que ele for usado. O mesmo acontece com as sementes, que podem virar comidinha, e com os tecidos, que podem ser usados como balanço ou, ainda, como uma cauda. A ideia é ajudar a criança a encontrar diferentes maneiras de brincar com um mesmo objeto”, complementa Tainá.

Segundo a observação da auxiliar Giovanna Colini da Silva, o planejamento das ações tem por objetivo produzir experiências e jogos coletivos para as crianças. “Os espaços são pensados para promover um momento de aprendizado, que pode ser transformado”.  

 

O brincar para o desenvolvimento de relações

Segundo Tainá, o brincar pode proporcionar muitos ganhos para as crianças, que, nesse contexto, têm a oportunidade de viver diferentes papéis na brincadeira. “Estamos falando de promover uma interação, em que as crianças têm nos conflitos uma oportunidade para argumentar, ouvir e negociar. Elas precisam mediar e ceder, e isso é muito enriquecedor, porque lhes dá voz e a possibilidade de adquirirem recursos para lidar com o outro, criando uma interação social entre elas”, conclui Tainá.

Na visão da auxiliar Melina Sanchez, o Recreiando é um momento de escuta das crianças, além de uma troca entre a equipe que promove e organiza as atividades. “As relações entre as crianças são mediadas pelos materiais e pela configuração dos espaços, que se transformam a cada dia. Temos uma cultura viva do brincar, e isso é muito rico para o desenvolvimento das crianças nesta fase da vida”, completa a auxiliar.

A forma com que os espaços são organizados sempre tem como base a escuta das crianças no cotidiano da brincadeira e, a partir disto, o planejamento e reflexão da equipe pedagógica. “Vale ressaltar que o papel do auxiliar não é de fiscalização, mas de interação com o processo de aprendizagem por meio do brincar, e isso é muito interessante”, conclui Melina.