Coordenação de Bibliotecas: novas conexões e união conceitual (parte 1)

Coordenação de Bibliotecas: novas conexões e união conceitual (parte 1)

Colégio Oswald de Andrade

10 Março 2016 | 20h13

Como estamos fazendo nossas pesquisas nas bibliotecas? Com quais recursos e propósitos? O que é um programa de investigação e por quais ferramentas a biblioteca pode integrá-lo? O que me faz considerar um livro mais literário que outro? O que dá unidade às bibliotecas, da Educação Infantil ao Ensino Médio? Essas foram algumas das perguntas que nortearam a criação de uma Coordenação de Bibliotecas, uma das inovações do Oswald para este ano.

“As bibliotecas do Oswald estão em espaços físicos diferentes, desenhados considerando a especificidade dos níveis e ciclos da formação escolar, mas unidos em uma mesmo espaço conceitual, com preocupações conjugadas em um mesmo modelo”, afirma Eric Netto, Coordenador de Bibliotecas da escola e entrevistado desta semana para o Blog dos Colégios. Leia a seguir a primeira parte da entrevista:

Em que contexto surge essa nova coordenação de bibliotecas e a que ela se propõe?

Essa nova coordenação está inserida num conjunto de inovações do Colégio Oswald que ampliam a aprendizagem significativa e o trabalho com competências e habilidades, por meio de projetos interdisciplinares e de parcerias entre vários educadores. Alguns espaços da Unidade Girassol, como o recém-inaugurado EI! (Espaço de Investigação) e, desde o ano passado, o CLIP (Centro de Leitura, Informação e Pesquisa Maria Teresa Cappi), inspiraram essa mudança.

Centro de Leitura, Informação e Pesquisa (CLIP), na Unidade Girassol

Esses espaços mencionados imprimem outra dinâmica ao andamento de conteúdos curriculares e projetos, uma vez que são áreas que se concentram em trabalhar certas competências de aprendizagem, isto é, poder de ação que requer mobilizarem-se conteúdos para a prática, para a resolução concreta de situações-problema.

Poderia detalhar o lugar do CLIP para esta mudança?

O CLIP consiste numa experiência que ultrapassa o referencial tradicional de biblioteca. Como o nome já indica, ele instala a concepção de “centro”. Os trabalhos no CLIP se orientam para a formação das competências pesquisadoras e leitoras do aluno, e, dentre essas últimas, a da leitura literária em especial. Observei, ao longo das diversas atividades já desenvolvidas por iniciativa do CLIP, que tais eixos poderiam encontrar ramos de continuidade que viessem alimentados dos trabalhos na biblioteca da Unidade Tipuana e se ampliando para a biblioteca Paulo Pan Chacon, na Cerro Corá.

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Biblioteca Paulo Pan Chacon, na Unidade Cerro Corá

Com isso, o objetivo é transformar essas outras bibliotecas para que estejam mais próximas do modelo atual do CLIP. Vale a ressalva, no entanto: dar ênfase ao modelo do CLIP não significa que esse espaço virá a se repetir nas outras bibliotecas. As atividades próprias de cada uma delas não se substituem nem se achatam a um fazer único, mas se amplificam e complementam exatamente por guardarem diferenças nesse processo. Trata-se de uma espiral de aprendizagens, em que esperamos que o aluno se desenvolva por aproximação, predominância e manutenção das competências pesquisadora e literária. Há um sentido em haver três bibliotecas espacialmente separadas, temos expectativas de aprendizagem diferentes para cada ciclo e nível que utiliza as bibliotecas.

Como essas expectativas são trabalhadas em cada unidade?

No caso do citado CLIP, essas práticas estão voltadas para situações-problema de pesquisa da informação, seus propósitos e meios, por um lado, e, por outro, à potencialização da experiência literária do aluno. No espaço ocorrem momentos semanais de biblioteca por grupo/série, em que os alunos dialogam sobre suas leituras literárias, estudam autores, realizam pesquisas com orientações e intervenções da educadora de biblioteca e dos professores, emprestam livros etc.

Na biblioteca da Unidade Tipuana (Educação Infantil), embora o enfoque seja diferente em função do nível de ensino, os norteadores continuam sendo os experiência literária e a competência pesquisadora. O contato com o livro nos grupos mais novos provocam a atenção das crianças para esse objeto, os modos de manipulá-lo e a postura leitora. As professoras leem, contam histórias, recitam poemas com apoio do livro. Isso expõe as crianças a um repertório considerável de gêneros e a uma certa ritualidade própria das práticas letradas, o que será referencial para os próximos passos.

Biblioteca da Unidade Tipuana

Biblioteca da Unidade Tipuana

No Ensino fundamental II e Médio, os alunos utilizam seus momentos de intervalo e as tardes após o período de aulas para organizarem pequenos grupos de estudo na biblioteca Paulo Pan Chacon, com presença do educador de biblioteca. Nesse espaço há um acervo mais maduro de obras de pesquisa e literatura. A biblioteca também tem entrada como articuladora de projetos como o Concurso de Declamação e a Semana Literária.

Na segunda parte da entrevista, Eric fala sobre o diálogo entre as diversas mídias como fonte de informação, a participação dos alunos no espaço da biblioteca e os principais projetos para este ano. Acompanhe!