Coordenação de Bibliotecas: novas conexões e união conceitual (parte 2)

Coordenação de Bibliotecas: novas conexões e união conceitual (parte 2)

Colégio Oswald de Andrade

17 Março 2016 | 17h11

Na segunda parte da entrevista para Blog dos Colégios (leia a primeira parte aqui), o coordenador de bibliotecas do Oswald Eric Netto fala sobre o uso de diferentes mídias em pesquisas escolares, a participação dos alunos e os principais projetos para este ano.

Como acontece, no espaço da biblioteca, o diálogo entre diversas mídias como fonte de informação para pesquisas dos alunos?

Um exemplo recente dessa interlocução entre mídias é o que experimentamos no projeto de registros de estudos com o 5º ano do Ensino Fundamental I em  2015. Nosso objeto de interesse partiu da pergunta “como são feitos os registros de estudo no dia a dia escolar e como organizá-los para gerir e ampliar a própria aprendizagem?”. Propusemos aos alunos que construíssem registros pessoais em momentos diversos de uma pesquisa envolvendo dois temas do currículo. Ao final desse projeto, havia um repertório bem mais amplo de modalidades de registros escritos com recursos gráficos e digitais.

Recursos gráficos ampliam possibilidades de registros

Recursos gráficos ampliam possibilidades de registros

Como aconteceu esse ampliação?

Em um primeiro momento houve a passagem de uma linguagem verbal para a visual. Embora o suporte ainda fosse o papel, os alunos compuseram com o professor Francisco Linares, de Artes Plásticas, um registro sobre o andamento do projeto de registros com o uso de convenções iconográficas – setas, cores, posicionamentos na página, caixas e balões – que passaram a compor as anotações dos alunos.

Em parceria com a área de Tecnologia Educacional, ampliamos ainda mais a proposta, incluindo o aplicativo de notas padlat. A proposta era organizar os argumentos de grupos de alunos que participavam de um debate nas aulas de Língua Portuguesa.

Uso do aplicativo padlet para registro de estudo

Uso do aplicativo padlet para registro de estudo

Essas notas no padlat foram construídas com auxílio da educadora Carolina Gil, que introduziu os recursos do programa junto aos alunos. Eles podiam escrever simultaneamente na plataforma, criando um registro coletivo. Ao mesmo tempo, acessavam os argumentos do grupo oponente, o que permitiu estudar o planejamento das defesas contrárias.

Esse foi um projeto em que discutimos como a integração de diversas mídias pode contribuir para tornar os registros de estudo mais significativos para a aprendizagem do aluno.

Como você percebe a participação e a interação dos alunos nos espaços da biblioteca?

Enquanto nas Unidades Tipuana e Girassol (Educação Infantil e Ensino Fundamental I), os alunos transitam com frequência nas bibliotecas, onde têm um maior acompanhamento dos professores polivalentes, na Unidade Cerro Corá (Ensino Fundamental II e Ensino Médio) há uma demanda clara de maior cuidado com a biblioteca, sobre suas propostas e sobre quais funções ela ocupa na escola. Estamos desenvolvendo planos de trabalho para que a consulta e o uso da biblioteca se intensifique ainda mais, buscando um aluno cada vez mais autônomo e crítico em suas pesquisas.

No CLIP, na Unidade Girassol, as crianças sabem dos usos possíveis do espaço da biblioteca nos horários livres. Elas leem o que temos nos acervos. Buscam voluntariamente livros e quadrinhos, indicam para a educadora de biblioteca quando algum exemplar está danificado, cuidam do espaço. Está sendo constituído também o hábito de tanto professores quanto alunos recorrerem ao CLIP quando algum problema de pesquisa surge durante um percurso de investigação.

Espaço do CLIP, na Unidade Girassol

Espaço do CLIP, na Unidade Girassol

Na Tipuana a biblioteca assume-se como ambiente reservado à leitura, à contação de histórias, à troca de experiências literárias, o que fortalece o comportamento leitor na Educação Infantil e que embasará as práticas futuras de experimentação literária e pesquisa autônoma.

Quais são os principais projetos da coordenação para este ano?

Um dos objetivos, num primeiro momento, é ampliar para as turmas de 6º a 8º ano a proposta de trabalho com registros de estudo. Estamos também pensando como reformular um projeto de pesquisa com uso de mapas conceituais no Fundamental I, mais especificamente com o 4º ano. Também no Fundamental I, estamos trabalhando alguns projetos com a temática da autoria literária e das diferenças entre  tradição oral e a escrita, seus modos de transmissão e acesso.

Na Cerro Corá o projeto em andamento é o REMAKE, assim intitulado por um aluno do 9º ano, composto por alguns comitês para repensar o layout do espaço físico e a qualidade dos acervos. Estamos planejando uma visita de alunos da Cerro à Unidade Girassol, para que observem o atual CLIP em busca de inspirações e traços de identidade visual que possam significar a continuidade entre esses espaços.

Alunas participam do comitê

Alunas participam do comitê “Design de Ambiente”, do projeto REMAKE

Temos também a Semana Literária, evento que acontece na Educação Infantil e no Ensino Fundamental I. Estudamos, nos anos precedentes, grandes autores como Manoel de Barros, Cecília Meireles, Arnaldo Antunes, Clarice Lispector. Em 2016, a autora que tematiza a Semana Literária é Ana Maria Machado. Para a Unidade Cerro Corá, em geral, são estudados e trazidos para a escola, semestralmente, autores contemporâneos. Uma das propostas futuras é conseguirmos integrar as Semanas Literárias, assim como outros projetos anuais que envolvam as bibliotecas.