Como pensar a inclusão escolar a partir do cenário atual de pandemia e isolamento social?

Como pensar a inclusão escolar a partir do cenário atual de pandemia e isolamento social?

Colégio Oswald de Andrade

05 de junho de 2020 | 18h08

Por Nana Navarro, Assessora de Práticas Inclusivas

Nossa casa virou o espaço onde tudo acontece: o trabalho dos adultos, a escola para as crianças, a academia, o local de lazer. Um acúmulo de tarefas e de tantos lugares diferentes em um só local. Isso fez com que enfrentássemos o desafio de criar espaços na nossa casa para a nova rotina. 

A escola sempre foi um lugar de encontros. Encontro e convivência entre crianças, adolescentes, alunos e professores, famílias e diferenças. A impossibilidade de estarmos presencialmente na escola fez com que rapidamente precisássemos nos dedicar a uma novo modo de trabalho. Tivemos que rapidamente localizar nossas preocupações para pensar qual o trabalho possível. Como estar presente por meio das telas? O que é adequado a cada idade? Como garantir os princípios e a concepção de Educação que norteiam o trabalho do Colégio Oswald de Andrade? 

O primeiro passo foi manter todos conectados com a escola, manter os laços  mesmo que distantes geograficamente. O contato visual, a voz, a convivência, a presença – tão fundamentais no cotidiano escolar.

A pandemia não atinge a todos mesma forma. Diferentes estratégias foram necessárias, assim como pensar e repensar sobre essa prática tão nova. As ações e soluções para os desafios diários estão embasadas em concepções que se tem sobre o assunto. Estas concepções são fruto de uma história e dos pilares escolhidos para o trabalho pedagógico.  A ideia foi manter a “cara do Oswald”.  

Com isso, a exigência de manter o compromisso com as práticas inclusivas também estava posta. E ninguém ficou fora das propostas desenvolvidas. 

O Colégio Oswald conta em sua estrutura com uma Assessoria de Práticas Inclusivas que organiza a equipe de práticas inclusivas em um trabalho articulado com os coordenadores pedagógicos e professores nos diferentes segmentos. 

Encaramos o maior desafio das práticas inclusivas: mesclar o coletivo com o singular. Valorizamos a infinita diversidade individual ao lado do compromisso com o coletivo e aprendizagens de cada grupo de alunos. As propostas à distância aos alunos em situação de inclusão começaram com um trabalho caso a caso, envolvendo parceira com as famílias, que nos deram pistas importantes de como cada proposta chegava aos alunos. Essas pistas nos ajudaram a modular o fluxo de propostas e planejar as diferentes necessidades de aproximação além das oferecidas ao grupo. Algumas das soluções foram vídeos específicos para os alunos que demandam uma convocação do professor para se aproximar deste novo contexto de aprendizagens, uso de áudios, orientações precisas aos familiares etc. 

Nossa metodologia e currículo flexível favorecem a ampliação da participação de todos os alunos de forma diversificada. A aposta feita pelo Colégio Oswald em diversificar os recursos digitais, integrando as propostas didáticas à distância com os encontros virtuais individuais com professores ou membros da equipe de práticas inclusivas, favoreceu o processo.  É frequente e constante a convocação de alunos que tendem ao isolamento por sua posição subjetiva ou por um quadro de grande angústia devido ao isolamento.  

O chamado também é feito para os encontros com toda a turma e em pequenos grupos, em que o trabalho entre pares favorece as situações de aprendizagens. 

Outro movimento promissor foi a ampliação de recursos digitais para os alunos com deficiência, que utilizam o recurso de Comunicação Alternativa como uma outra forma de se comunicar que não a fala. Na constante formação da equipe, e em especial neste momento, encontramos novos recursos digitais que possibilitaram diversificação das estratégias de alfabetização destes alunos para a além das já utilizadas presencialmente.

Até mesmo o trabalho organizado presencialmente no contraturno para o atendimento educacional especializado – que no Oswald chamamos de aulas de apoio (para o Ensino Fundamental I) e monitoria (para o Ensino Fundamental II e Ensino Médio) – manteve-se em nova configuração remota.  

Para que tudo isso pudesse acontecer, contamos com um equipe empenhada e articulada, com capacidade de reinventar. São professores, auxiliares, estagiários, assistentes de práticas inclusivas, coordenadores pedagógicos, assessora de práticas inclusivas, direção e funcionários que mantiveram a escola funcionando remotamente, inventando caminhos que permitissem ultrapassar os obstáculos vivenciados neste momento e sustentar nosso compromisso de uma escola para todos

 

 

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