Como acontece o acolhimento das crianças na Educação Infantil do Oswald?

Como acontece o acolhimento das crianças na Educação Infantil do Oswald?

Colégio Oswald de Andrade

24 de fevereiro de 2022 | 16h48

O ingresso das crianças na escola acontece de forma gradual e requer planejamento e atenção especial de toda a equipe, tendo a brincadeira como elemento central para o processo de acolhimento e o estabelecimento de vínculos. 

 

O início da vida escolar é um momento delicado para todos os envolvidos – famílias, crianças e educadores – e marca a passagem da criança do âmbito privado para o público.  Esse marco representa uma ruptura na vida da criança: é o momento em que ela ganha um novo papel social, o de aluno ou aluna. Também é um período de ampliação de vínculos e experiências para a criança e de separação das referências afetivas mais próximas. Trata-se de um momento único, marcado por grande expectativa e por sentimentos ambíguos de alegria e insegurança. Por tudo isso, requer da escola atenção especial e planejamento para que o acolhimento das crianças se dê de forma cuidadosa e progressiva, tendo as famílias como parceiras para transmitir segurança a seus filhos e filhas. 

Para que o ingresso das crianças na escola aconteça de forma tranquila, é necessário garantir que tenham tempo de apropriação das mudanças e novidades em sua rotina e que estabeleçam vínculos de confiança para explorarem o espaço e as propostas da escola com segurança. Para tanto, amplia-se progressivamente o tempo de permanência da criança na escola, ao mesmo tempo em que diminui-se a presença do adulto que a acompanha. A partir da vivência de cada dia, planeja-se o dia seguinte, em um trabalho bastante personalizado e que respeita o tempo de cada criança, pois o processo de acolhimento se dá de modo singular e não linear. 

No planejamento para os momentos de acolhimento, também são levadas em consideração as características individuais de cada criança, como rotina e brincadeiras preferidas, buscando proporcionar um espaço atraente e repleto de experiências. Por isso, nesses momentos, investimos em atividades nas áreas externas, espaço que proporciona movimentação e desafios corporais, além de permitir brincadeiras com água, tinta, areia, entre outros. Os ambientes internos também trazem aprendizados importantes neste primeiro momento, sendo eles relativos à organização, ao conhecimento dos limites espaciais e também ao próprio processo de acolhimento, em um ambiente mais silencioso e restrito – o que pode trazer mais segurança às crianças que não estiverem confortáveis nos ambientes externos.

A brincadeira tem um papel fundamental no momento de acolhimento e pressupõe algumas condições para acontecer, uma delas é o engajamento voluntário da criança. Nada que é imposto à criança se configura como uma brincadeira genuína. É nesse sentido que o espaço externo organizado em cantos ou cenários diversificados é especialmente valorizado: é o espaço em que a criança pode se sentir livre para escolher brincar daquilo que ela deseja e está precisando brincar. Uma criança que escolhe brincar com água mostra que esse elemento está fazendo sentido para ela naquela fase, naquele dia, e que vai se sentir bem nessa atividade. Quando o acolhimento acontece na área interna, também está presente essa lógica da escolha e do livre engajamento – e, da mesma forma, o espaço é organizado em cantos diversificados. 

Nesse primeiro momento, o vínculo com os professores e com o grupo é um aspecto fundamental, proporcionando segurança para que a criança possa se distanciar da família, confiar, experimentar e se arriscar nas experiências que estão sendo propostas pelos professores. E a brincadeira, mais uma vez, mostra-se um elemento central nesse processo. Nas brincadeiras de faz de conta, que remetem ao cotidiano da casa, a criança tem um espaço para expressar seus sentimentos sobre a separação. Ao observar as ações das crianças nessa brincadeira, os professores ampliam sua percepção de como a criança está vivendo esse momento. Algumas brincadeiras, em especial para os menores, permitem elaborar emocionalmente e cognitivamente a separação, como é o caso das brincadeiras de esconder e achar, com as crianças ou objetos. Dessa forma, a criança vai percebendo e sentindo-se mais segura quando vê que as coisas e pessoas “desaparecem” e depois reaparecem.

Nesse processo, em que todos vivem mudanças em sua rotina, o diálogo entre a escola e as famílias é constante, antes e durante o processo de acolhimento. Assim, as famílias vão construindo com a escola um vínculo de confiança e reconhecendo-a como espaço de aprendizagem e crescimento.

 

Bibliografia:

http://avisala.org.br/index.php/assunto/jeitos-de-cuidar/entre-adaptar-se-e-ser-acolhido/

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