Cantos e cantinhos: a preparação dos cenários para as brincadeiras na Educação Infantil

Cantos e cantinhos: a preparação dos cenários para as brincadeiras na Educação Infantil

Colégio Oswald de Andrade

26 Abril 2016 | 09h43

“Em uma sala vazia, uma criança não pode exercer atividade livre; sua liberdade cresce na medida em que lhe são oferecidas possibilidades de ação, isto é, opções. Neste sentido, a liberdade da criança não implica na demissão do adulto: pelo contrário, expandi-la implica no aumento das ofertas adequadas às suas competências em cada momento do desenvolvimento.”  (Heloysa Dantas)

Os momentos de entrada na Unidade Tipuana são um convite ao brincar. Nos “cantinhos”, que marcam o início da rotina na Educação Infantil, as crianças escolhem os cenários, companhias e materiais que acompanharão sua primeira hora na escola.

O texto a seguir, produzido pela equipe pedagógica da Educação Infantil do Oswald, é parte de um documento que resultou de reflexões sobre a organização dos cenários para as brincadeiras, especialmente aquelas que acontecem diariamente nesses momentos de entrada e em outros espaços ao longo da rotina das crianças.

Chamamos de “cenário” a composição de duas dimensões do ambiente: o espaço e a seleção de materiais dispostos nesse espaço. Estabelecendo um paralelo com o teatro, o cenário é o lugar onde se passa a cena, onde se desenrolam as ações do protagonista. No nosso caso, o cenário antecipa uma cena possível, sugere e convida a uma brincadeira ou a realização de ações a serem desenvolvidas pela criança: a protagonista.

Embora o cenário comunique as intenções do professor e disponibilize desafios ao grupo de crianças, é a criança que irá decidir, com seus pares, de que forma irá interagir nesse espaço preparado especialmente para que ela possa fazer escolhas. Caberá ao professor atuar como mediador: observar e analisar o desenrolar das ações para poder intervir, respeitando o modo próprio de cada criança se colocar “em cena” e, ao mesmo tempo, instigando-a a avançar em seus percursos lúdicos, de pesquisa e de socialização.

A proposta de cantos de atividades diversificadas consiste, assim, em uma organização do ambiente em que as crianças possam escolher o que vão fazer a partir de um leque de opções oferecidas e organizadas pelo professor em vários espaços da sala ou do parque.

Para escolher, é preciso que de fato haja opções – inclusive a de ficar sozinhas, se as crianças assim o desejarem –, por isso o professor deverá garantir a diversidade de ofertas e ambientes, organizados de forma confortável e convidativa, por temas, recursos ou tipos de materiais que devem estar sempre acessíveis às crianças.

Com essa modalidade de organização garantimos que as crianças possam vivenciar diferentes situações de aprendizagem, escolhendo, exercitando a autonomia e buscando conhecer as próprias necessidades, preferências e desejos ligados à construção de conhecimento e relacionamento interpessoal.

É importante que esse tipo de organização favoreça o acesso aos mais variados bens culturais como os proporcionados pela produção literária, pela produção artística ou científica, por exemplo.

Essa proposta também permite que o professor observe mais atentamente os problemas enfrentados pelas crianças, suas dificuldades, aprendizagens, gostos e interesses, o que muito o auxiliará em seu replanejamento. Além disso, no que se refere às interações das crianças, uma organização adequada e atraente do espaço em áreas bem delimitadas favorece a organização das crianças em pequenos grupos, de três a cinco crianças, o que é uma situação privilegiada para construir aprendizagens entre pares.

Tal organização é feita, aqui no Oswald, pelo educador, ou seja, é planejada intencionalmente pelo professor e muitas vezes organizada pelo auxiliar, em especial nos momentos de entrada, quando o auxiliar dispõe de um tempo anterior à chegada das crianças para organizá-lo.

Priorizamos esse tipo de organização nos momentos de entrada, pois se trata de uma estratégia interessante para acolher as crianças e as famílias de modo mais individualizado, respeitando o tempo e o ritmo de chegada de cada um.

Tem interesse pelo tema? Para continuar a conversa, sugerimos algumas leituras:

Barbieri, Stela. Interações: Onde está a arte na infância? São Paulo: Editora Edgar Blücher Ltda, 2012.

Carvalho, Mara de. “Organização do espaço em instituições pré escolares” In:  Oliveira, Zilma (Org.) Educação Infantil: muitos olhares, org. Zilma).

Klisys, Adriana. Muitos mundos numa única sala. Revista Avisa lá #29, Tempo Didádico. 29/01/2007