Por mais propostas interdisciplinares.

Por mais propostas interdisciplinares.

Conhecer a partir das curiosidades que determinado assunto proporciona, colabora para o desenvolvimento do pensamento interdisciplinar.

Ofélia Fonseca

28 Julho 2015 | 06h33

Assim estamos: cegos de nós, cegos do mundo. Desde que nascemos, somos treinados para não ver mais que pedacinhos. A cultura dominante, cultura do desvínculo, quebra a história passada como quebra a realidade presente; e proíbe que o quebra-cabeças seja armado.

(Eduardo Galeano)

 – Professora, estamos na aula de História ou Geografia?

Perguntas como esta surgem em sala de aula quando buscamos relacionar os variados temas das disciplinas do currículo.

O fazer interdisciplinar é um ingrediente essencial para uma prática educativa construtiva e significativa. Adquirir e desenvolver o hábito de relacionar e explorar conceitos é um desafio que deve começar cedo.

Na escola é necessário analisar com os estudantes os objetos de conhecimento por diferentes olhares: histórico, científico, biológico, social, entre outros, de maneira a esclarecer o fato de que a bagagem de saberes das diferentes áreas são complementares e que colaboram ampliando o nosso repertório.

Conhecer a partir das curiosidades que determinado assunto proporciona, colabora para o desenvolvimento do pensamento interdisciplinar

O que é uma lenda? Quem contou a primeira lenda? O que são lendas urbanas? De onde é a lenda do Muiraquitã? Quais são as lendas da nossa região? Por que uma lenda é diferente de uma fábula? Como podemos começar a escrever uma lenda?

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Munidos de questionamentos, os estudantes do 4º ano buscaram nas prateleiras da biblioteca, reviraram alguns sites e estantes das suas casas buscando lendas e novas informações sobre o tema. Realizaram entrevistas, assistiram a documentários, compartilharam ideias e histórias. Esta pesquisa resultou na elaboração de um mapa regional de lendas do país.

Os alunos compreenderam que há saberes das tradições orais que podem perder-se caso não registrados. Sem a tradição escrita, diversos povos formadores do território valiam-se da memória e tradição oral para passar adiante suas culturas.

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Além da divulgação escrita, a perpetuação de lendas, parlendas, trava-línguas, ditados populares, canções e histórias, que enriquecem nosso repertório, também se dá oralmente. Aprendemos uma porção desses versos, brincadeiras e contos – passaporte para o acesso à raiz da  cultura popular – com nossos familiares. Estão em nossas famílias há gerações e permanecem como herança cultural, histórica e afetiva.

As lendas são histórias que misturam dados reais e fantásticos, transmitidas pelas pessoas tantas vezes “de boca em boca” que por isso pode haver diferentes versões em narrativas com contextos semelhantes. Apropriando-se disso, os alunos criaram algumas lendas mesclando mitos que conheceram durante o processo.

Clarissa de Assis Angelo
Professora do 4º e 5º ano