Percurso investigativo: Malala, a menina que queria ir para a escola                                                   

Percurso investigativo: Malala, a menina que queria ir para a escola                                                   

A história de vida da Malala envolve muitos pontos importantes para serem desenvolvidos com os estudantes. Saiba mais sobre o percurso investigativo realizado com a turma do Grupo 4-A da Educação Infantil.

Ofélia Fonseca

07 de abril de 2021 | 11h34

Foto da estudante Luiza ao lado de um painel com imagens de Malala

Luiza (G4-A) com sua pesquisa sobre o Paquistão (Foto: Arquivo pessoal)

 

Por: Jessica Sacuman e Sophia Frenk*

O tema: como surgiu?

Compreendendo as crianças como atores principais dos caminhos da Educação Infantil, sujeitos culturais, históricos e sociais, sempre levamos em consideração suas falas/vontades/interesses para pautar nossas ações enquanto professoras mediadoras. Este tema surgiu a partir de uma leitura, nada por acaso, da versão do Itaú Cultural do livro ‘Malala, a menina que queria ir para a escola’

O livro ‘original’ foi escrito por Adriana Carranca e ilustrado por Bruna Assis Brasil. A versão lida para as crianças é adaptada para as crianças menores, pois é um livro relativamente longo (conta com mais de 80 páginas). 

Como nos referimos acima, a leitura não ocorreu ao acaso: o início de nosso percurso investigativo aconteceu no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Pensando nesta data como um dia de luta pelos direitos das mulheres ao redor do mundo, decidimos apresentar para as crianças a história da menina Malala, que lutou bravamente pelo direito das meninas estudarem no Paquistão.

Acreditamos ser importante ressaltar que esta leitura, a princípio, não marcava o início de um percurso investigativo. A ideia era trabalhar, por determinado período, com a história de algumas mulheres que mudaram o mundo. Não havia intenção em nos aprofundarmos na história de vida da Malala, especificamente. Porém, como citado no primeiro parágrafo, as crianças queriam se aprofundar, e são elas as protagonistas deste cenário.

A leitura citada ocorreu de forma remota, com o livro digital. Logo as crianças já demonstraram interesse pela história e muitos não conheciam Malala. Uma das crianças nos disse que tinha também o livro e pediu para levá-lo à escola no dia seguinte. Como combinado, além da ‘versão original’ do livro, a estudante também nos apresentou outro: ‘Malala e seu lápis mágico’, de autoria da própria Malala. 

Foi neste dia que percebemos o interesse das crianças pela história e a vontade de saber mais. Perguntas como “quem eram os talibãs?”, “por que eles fizeram isso com ela?”, “por que ela usa esse pano?”, “por que ela não podia ir para a escola?”, começaram a surgir… 

A partir deste momento, decidimos estudar mais sobre a vida da Malala e pensar em sua história como possibilidade de percurso investigativo, abrindo diversas possibilidades de ensino/aprendizado. 

 

Por que estudar a Malala é importante para as crianças?

A história de vida da Malala envolve muitos pontos importantes para serem desenvolvidos, não só com as crianças, mas com todos os estudantes. Temas como: luta por direitos das mulheres, pelos direitos humanos, violência, refugiados, cercam a trama real de uma menina paquistanesa que foi baleada por reivindicar educação para as meninas. 

Claro que há a necessidade de adaptação pensando na idade das crianças e no que está previsto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), na busca de abordar os direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil: conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. 

Portanto, listamos abaixo, alguns objetivos de aprendizagem neste percurso investigativo, com base nos eixos de experiências, previsto na BNCC: o outro, o eu e o nós; corpo, gestos e movimentos; traços, sons, cores e formas; escuta, fala, pensamento e imaginação; espaços, tempos, quantidades, relações e transformações:

  • Manifestar interesse e respeito por diferentes culturas e modos de vida. (EI03EO06)
  • Demonstrar controle e adequação do uso de seu corpo em brincadeiras e jogos, escuta e reconto de histórias, atividades artísticas, entre outras possibilidades. (EI03CG02) 
  • Criar com o corpo formas diversificadas de expressão de sentimentos, sensações e emoções, tanto nas situações do cotidiano quanto em brincadeiras, dança, teatro, música. (EI03CG01) 
  • Expressar-se livremente por meio de desenho, pintura, colagem, dobradura e escultura, criando produções bidimensionais e tridimensionais. (EI03TS02) 
  • Expressar ideias, desejos e sentimentos sobre suas vivências, por meio da linguagem oral e escrita (escrita espontânea), de fotos, desenhos e outras formas de expressão. (EI03EF01) 
  • Produzir suas próprias histórias orais e escritas (escrita espontânea), em situações com função social significativa. (EI03EF06)
  • Selecionar livros e textos de gêneros conhecidos para a leitura de um adulto e/ou para sua própria leitura (partindo de seu repertório sobre esses textos, como a recuperação pela memória, pela leitura das ilustrações etc.). (EI03EF08) 
  • Identificar e selecionar fontes de informações, para responder a questões sobre a natureza, seus fenômenos, sua conservação. (EI03ET03)

 

Como aconteceu/acontecerá: as etapas do percurso

Gostaríamos de justificar a escolha do uso do verbo no passado e no futuro, no subtítulo desta seção: aconteceu/acontecerá. Chamamos a atenção para o planejamento em movimento, ou seja, acreditamos que nossas ações devem sim, ser antecipadas porém nunca engessadas. As ações que previamente planejamos, podem (e devem) sofrer alterações em decorrência do diálogo e observação das crianças.

Além disso, revisões sobre nossas próprias ações se fazem fundamentais, no sentido de auto avaliar o processo. Portanto, algumas etapas já aconteceram, como por exemplo, leituras de história e pesquisa sobre o tema. Algumas ainda estão por vir: estamos construindo, a partir da vivência das crianças, o aprendizado sobre a vida da Malala, a menina que queria ir para a escola.

 

*Jessica Sacuman e Sophia Frenk são professoras do Grupo 4-A da Educação Infantil do Colégio Ofélia Fonseca.

 

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