Ofélia destaca a importância da literatura no ensino

Ofélia destaca a importância da literatura no ensino

Educadora explica a importância do ensino da literatura na formação dos estudantes.

Ofélia Fonseca

08 Fevereiro 2019 | 09h00

A professora Tatiane durante aula de literatura para uma turma do Fundamental II (Foto: Divulgação/Ofélia)

Além de ser uma disciplina que integra a grade curricular das turmas do Ensino Fundamental II ao Ensino Médio, no Ofélia a literatura é considerada também uma importante manifestação artística e cultural, que tem nas palavras, a matéria-prima necessária para construir versos e ideias de forma sensível e coerente. Mas, você sabe qual a importância da literatura no ensino dos estudantes?

Segundo a professora de língua portuguesa e literatura do Ofélia, Tatiane Reghini de Mattos, além de ser um passo importante na alfabetização, a literatura reforça o interesse dos estudantes pela leitura e promove uma série de transformações em seu processo educacional.

“A aproximação com a literatura desenvolve diversas habilidades. A mais óbvia é a linguagem, através da qual a literatura se estrutura. No entanto, a literatura como elaboração artística busca aguçar o sensível, estimulando também aquilo que extrapola o que está no plano da racionalidade estrita.  Além disso, a obra literária se relaciona com o contexto em que foi produzida, portanto, através dela é possível refletir sobre determinadas realidades culturais, históricas e sociais. A literatura, como toda a arte, é transpassada por ideologia, o que nos auxilia também a entender contextos do passado e do presente”, explica Tatiane.

 

A importância da literatura no processo educacional

Educadora explica a importância do ensino da literatura na formação dos estudantes (Foto: Divulgação/Ofélia)

Para Tatiane, a literatura faz parte do cotidiano de todas as pessoas e é uma importante ferramenta para o desenvolvimento de indivíduos mais preparados. “Acredito que a literatura seja fundamental para a formação de pessoas mais conscientes. Claro, leitoras e leitores que tenham o domínio de instrumentais que proporcionem uma melhor interpretação de textos, bem como uma maior habilidade na escrita. Mas a literatura tem um potencial mais amplo que é o de transformação através do contato que possibilita, por um lado, com o sensível e, por outro, com a interpretação de contextos.”

Com mais de 15 anos de experiência como educadora, ela garante que o interesse é construído aos poucos e, diversas vezes, é possível observar a composição do envolvimento de estudantes com o texto. “Certa vez, uma estudante me disse que não gostava de ler, no início de um curso. Ao longo do tempo, percebi que ela estava se dedicando bastante à leitura, para além de nossos encontros. Um dia, durante a leitura compartilhada de um conto, ela se emocionou muito. Conversamos, depois, e ela me contou que tinha visto a própria família retratada no texto que havíamos lido e que ela pôde entender melhor o comportamento de uma das pessoas da família, que até então tinha dificuldade de entender. Foi muito bonita esta troca”, relembra a profissional.

 

Literatura x tecnologias

 

 

Sabemos que, em tempos de tecnologia, as pessoas costumam não encontrar tempo para a leitura. Mas, como é possível explorar esses novos meios digitais para garantir a qualidade dos acessos e a busca pelo conhecimento?

Para Tatiane, quem estuda literatura vive, de certa maneira, um outro tempo, já que a literatura exige uma disponibilidade que não é imediata, pois a ação narrativa presente na literatura ou na poesia, principalmente quando comparadas ao universo narrativo imagético mais presente hoje no cotidiano de estudantes, exige paciência. “É através do tempo dedicado à leitura que se estabelece um vínculo entre quem lê e o que está sendo lido.”

Para resolver a questão, a educadora garante que costuma trabalhar com os estudantes a construção deste tempo mais vagaroso, com leituras compartilhadas que permitem uma troca de impressões sobre o que está sendo lido. “A experiência da troca, na interpretação e análise crítica do texto literário, auxilia muito a construção deste tempo. Por outro lado, hoje em dia há a produção literária que se constitui no espaço virtual ou conta com ele para sua divulgação. É o caso, por exemplo, do SLAM, que são batalhas de poesia, em geral concentrando um grande número de poetas jovens, que acontecem em espaços públicos e são filmadas e disponibilizadas em vídeo depois, e esta aproximação entre esta produção contemporânea à produção, digamos, mais clássica, auxilia bastante no estímulo à leitura”, conclui.

 

Metodologia de ensino do Ofélia

Educadora dá aulas para turmas do Ensino Fundamental II ao Ensino Médio (Foto: Divulgação/Ofélia)

No projeto pedagógico do Ofélia, há um contínuo na aproximação literária cujos instrumentos de análise vão sendo compostos com o tempo de maturação de cada estudante.

Aqui, cada estudante tem a sua própria construção e isso é respeitado, da mesma forma que também há a construção coletiva da sala, que se estabelece na troca de leituras compartilhadas.

“Buscamos sempre partir do texto para os conceitos, no sentido de perceber o que estudantes apreendem da leitura para depois elaborar as técnicas literárias e os conteúdos presentes no texto”, explica Tatiane.

Desta forma, as reflexões que vão sendo formuladas desde o ensino fundamental se elaboram com o acúmulo de repertório para que os estudantes desenvolvam uma leitura cada vez mais autônoma e crítica.