O Leituraço e as aulas on-line para as crianças

O Leituraço e as aulas on-line para as crianças

As crianças e as famílias se adaptaram e reconhecem a importância das aulas on-line.

Ofélia Fonseca

15 de junho de 2020 | 16h40

 

Por: Caio Martinez* 

Logo no início do isolamento social começamos a mobilização para adaptar o que antes parecia ser impensável: educação remota na Educação Infantil. Se antes nós nós costumávamos recomendar menos tempo de exposição à tela para as crianças pequenas, naquele momento, nos sentimos reféns dessa necessidade, por conta das aulas on-line.

Na medida em que esses encontros avançaram, tanto a equipe docente quanto as crianças e as famílias, foram se adaptando com o novo cenário, entendo cada vez mais a importância das aulas on-line. Existe uma diferença imensa entre um vídeo para distrair a criança em casa e uma seção de até 30 minutos com seus colegas de sala e sua professora (ou professor). 

Ampliar a interatividade da criança com outros adultos e crianças, além dos que moram na mesma casa, amplia o repertório de aprendizagem e desenvolvimento socioemocional dos pequenos. A escola sempre foi um refúgio de protagonismo para as crianças. Na escola ela não é a filha de alguém, ela existe em um grupo de pares e através dessas relações estabelece-se uma mini sociedade. O convívio com a escola garante um resgate dessa posição de protagonista da criança.

Com o passar do tempo, começamos a sentir falta das interações que aconteciam em outros momentos que não a sala de aula na escola. O encontro com as outras turmas no parque, na praça da escola, no refeitório ou nas atividades Intergrupos, foi assim que chegamos ao Leituraço.

 

“Na escola a atividade Intergrupos na Educação Infantil e no 1º ano é dividida em eixos:
arte, contação de histórias e brincadeiras. As crianças e os professores de diferentes
grupos  interagem aumentando o vínculo, e todos acabam se conhecendo.”
Emilene, professora do 1° ano do Ensino Fundamental I 

 

 

Leituraço: aprendizado por meio da leitura

As relações intergeracionais proporcionam muitos aprendizados. Ao se estabelecer trocas entre os diferentes ciclos neste encontro entre as crianças mais velhas (com mais repertórios), com as mais novas, proporcionamos aprendizagens que vão além do currículo escolar. 

Neste cenário remoto, promover esses encontros com muitas crianças de diferentes faixas etárias em uma mesma sala de videoconferência é um desafio gigantesco. Foi então que as professoras e professores da Educação Infantil tiveram a brilhante ideia de realizar uma das atividades Intergrupos que poderia funcionar neste formato remoto e síncrono. Nascia então o Leituraço.

“O ‘Leituraço’ faz parte de um momento na escola em que proporcionamos uma maior
interação entre as crianças da Educação Infantil, mas desde que tivemos que ficar em
casa e repensar o planejamento para esse novo formato, essa interação acabou se perdendo.
A volta desses encontros possibilitou que nós pudéssemos ver outros alunos que não
fazem parte do nosso grupo, mas que convivíamos diariamente, e que os próprios alunos pudessem ver os colegas que já não tinham contato no ambiente escolar virtual.”
Mel, professora do G3B da Educação Infantil

 “No ensino remoto, foi possível realizar a contação de histórias no mesmo perfil,
demos o nome de Leituraço, é gratificante perceber crianças que não são da minha
sala ouvindo e interagindo com a história que estou contando.”

Emilene, professora do 1° ano do Ensino Fundamental I

 

No Leituraço, são oferecidas três ou quatro opções de livros para a criança escolher. O adulto que fará a mediação da leitura é uma surpresa, a única informação é o título da obra que será lida. Todas as leituras acontecem de forma simultânea e, ao final da atividade, sempre acontece um bate-papo sobre a experiência. O mais legal de tudo é certamente a possibilidade de encontrar subitamente um colega de outra turma que as crianças não vêem mais desde o início do isolamento.

Todas essas experiências nos fazem refletir que existe muita potência no desejo e na intencionalidade desses encontros. Assim, podemos finalizar o primeiro semestre com o coração mais tranquilo, em relação ao início do ano, em ver muito sentido nos olhos das crianças sempre que organizamos alguma atividade. 

Queremos muito voltar para o formato presencial, mas estamos muito contentes com todas as possibilidades que estamos descobrindo nesse novo cenário virtual. 


*Caio Martinez de Almeida é coordenador pedagógico da
Educação Infantil e do Ensino Fundamental I do Colégio Ofélia.

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