A Diversidade identificada no trabalho de Campo: São Paulo e São Luis do Paraitinga.

A Diversidade identificada no trabalho de Campo: São Paulo e São Luis do Paraitinga.

Da passagem do centro da sua própria cidade e para a pequena cidade de interior, a equipe acreditou que nossos estudantes pudessem encontrar a si próprios no outro. Promover uma mudança na rotina que permitisse perceber criticamente seu entorno, um estranhamento que levasse ao movimento reflexivo.

Ofélia Fonseca

15 Julho 2015 | 08h03

Trabalhamos cotidianamente com os estudantes a importância de questionar os fatos, os acontecimentos, os dados apresentados e, principalmente, de se questionar. Isto é, de buscar o que está por “trás”, o que não se revela diretamente nem facilmente aos nossos olhos e de sair da explicação que parece óbvia. Para tanto, a cada ano, a equipe de educadores em conjunto com os estudantes definem um tema que acreditam que seja importante os grupos do Ensino Médio trabalharem.

Em 2015 escolhemos o tema Diversidades e iniciamos o ano com discussões com base em leitura de textos, notícias e filmes, fornecendo assim subsídios para que os alunos pudessem entender a complexidade do tema, e escolhessem o que aprofundar, quais temas investigar? Qual diversidade? Assim foram construindo um índice sobre as diversidades de gênero, de classes sociais, ambientais, linguisticas, culturais e religiosas entre outras. Com esses temas, elaboramos um estudo do meio para São Paulo e para São Luiz do Paraitinga. Nessa etapa os estudantes formularam atividades para o estudo que consideram importantes para sua investigação.

Da passagem do centro da sua própria cidade e para a pequena cidade de interior, a equipe acreditou que nossos estudantes pudessem encontrar a si próprios no outro. Promover uma mudança na rotina que permitisse perceber criticamente seu entorno, um estranhamento que levasse ao movimento reflexivo.

Partimos para “São Paulo”.

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No centro de São Paulo os estudantes questionaram este espaço que lhes era distante, um centro que lhes parecia mais uma periferia do bairro que tantos deles moram, mas que muito reflete sobre seus modos de vida; seus “pré-conceitos”; sobre o cotidiano dos diferentes sujeitos que encontramos e, finalmente, as diferentes formas de atuação nesses espaços tão variados como a Praça da Sé, o Parque da Luz, as ruas da Liberdade, ateliês coletivos de artes, grupos teatrais, monumentos históricos, conversas ao acaso, observações… Com toda certeza além dos lugares que percorremos, a vivência do caminhar pelo centro da cidade, observar e interagir com o cotidiano das pessoas foi um ponto de grande aprendizado. Divididos em três grupos durante o dia, tinhamos um momento para a socialização das experiências vividas, momento importante de troca e significação. Escolhemos a praça Roosevelt, o local significativo na retomada no centro de São Paulo. Em um primeiro momento em pequenas rodas de conversa, le parkur, slakline e encontros… Iniciamos um Sarua que aconteceu de forma aberta com a participação dos estudantes, familiares, amigos e pessoas que circulavam pela praça, um local público. Um verdadeira experiência da diversidade e respeito mediadas pelas diversas expressões de arte produzidas e apresentadas.

 

O encontro em São Luiz do Paraitinga.

Essa pequena cidade com um forte tradição no carnaval de rua, festa do divino, congada e diversas manifestações culturais que, após a inundação de 2010, conseguiu que a sociedade civil se organizasse e em menos de 5 anos a reconstruísse. Nela encontramos um novo olhar sobre a diversidade e não mais aquele outro que parecia distante, mas aquele que, de tão íntimo, colocou a nossos estudantes os questionamentos sobre as diversidades veladas e as explícitas; as diversidades que reconstruíram juntas aquele espaço. Em conversas com ativistas culturais, restauradores, comerciantes, cidadãos, discutimos a importância dos rios e da mata ciliar; trabalhamos com as manifestações culturais; a identidade e reconhecimento do espaço urbano pela população.

 

 

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Nossa oficina com o Mestre Benito, representante da tradição do carnaval que durante uma oficina de adereços nos apresentou a singela da brincadeira do carnaval de rua e a história do personagem do Juca Telles.

Após uma tarde na cachoeira, encontramos com o Mestre Ditão, griô de São Luiz que encantando nosso grupo nos contou sobre a vida do caipira, as histórias da cidade, a luta pela terra…. muita emoção e aprendizagem que teve sua celebração com um grande baile com o grupo de Catira, a madeira do salão ecou essa felicidade,

Acompanhados pela a equipe do rafting que resgatou toda a cidade durante a enchente, s estudantes puderam  reconhecer como que a apropriação do seu espaço e valorização das tradições trouxe para essa cidade um brilho muito especial.

Retornamos, educadores e estudantes, com a perspectiva de um trabalho precioso pela frente.

 

Luis Massagardi – Profº de História do Ensino Médio e Coordenador de Projetos
Cecilia Vecina – Profª de Geografia do Ensino Médio
Henrique Kurosaki – Profº de Biologia do Ensino Médio