A biblioteca é uma obra aberta!

A biblioteca é uma obra aberta!

É preciso aprender comentar, resenhar, concordar e discordar da opinião de outros leitores. É preciso conectar a leitura com outras já feitas. Apaixonar-se por um autor, uma coleção, uma editora, um ilustrador. Saber que existem traduções, recontos, adaptações e que estas categorias são diferentes e acabam por mostrar diferentes facetas da mesma obra.

Ofélia Fonseca

28 Julho 2016 | 10h33

Cada leitor constrói a sua narrativa dando razão a famosa ideia que a obra só acontece ao ser lida.

Assim são os dias na Biblioteca Carlos Drummond de Andrade do Colégio Ofélia. Os leitores pesquisadores constroem a história do espaço emprestando suas leituras, suas emoções, suas descobertas, seu emaranhado de questionamentos.
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Todos os alunos de Educação Infantil e Fundamental I tem um horário na grade para vivenciar o espaço da biblioteca. Esse encontro-aula é planejado com antecedência e leva em conta o currículo escolar, as efemérides literárias e não literárias, o processo leitor de cada aluno e de cada turma, a vida literária do país, os desafios literários da contemporaneidade.

Ter um horário garantido na grade curricular faz toda diferença para o processo leitor. O convite (e o compromisso) a participar dos momentos de leitura literária e a compartilha-los com os amigos, faz com que o grupo de alunos e professores se preparem com mais competência e entusiasmo e mobilizem conhecimentos e habilidades diversos para o encontro com os livros.  As rodas de leitura propiciam ao menos duas das capacidades mais potentes que se busca no trabalho com leitura: falar do que se leu com propriedade para que a compreensão seja cada vez maior e melhor e enxergar conexões entre os livros.
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É preciso aprender comentar, resenhar, concordar e discordar da opinião de outros leitores. É preciso conectar a leitura com outras já feitas. Apaixonar-se por um autor, uma coleção, uma editora, um ilustrador. Saber que existem traduções, recontos, adaptações e que estas categorias são diferentes e acabam por mostrar diferentes facetas da mesma obra.

Todas as áreas do conhecimento são levadas em consideração e participam em igualdade da conexão que se busca entre os textos lidos. Daí que ler uma narrativa grega está em sintonia com a literatura, a história do povo grego, o fazer cultural dos povos antigos. Entrar em contato com o texto original das Mil e Uma Noites é falar do povo árabe, da múltiplas facetas da transposição da oralidade para a escrita, dos desafios dos textos difíceis, da enorme surpresa quando e depara com a obra original depois de ter lido tantas versões e adaptações de clássicos.
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A biblioteca é um espaço de resistência!

Não é verdade que a crianças e jovens, e até mesmo adultos contemporâneos  não lêem. Mas é dura realidade que leem com menos intensidade e menos paixão. O leitor mudou tanto quanto os gêneros e as condições e motivações para ler.

O que se busca hoje é também a exímia capacidade de se ater ao texto de forma intrínseca ao mesmo tempo que se movimenta aos desdobramentos que ele traz.
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A biblioteca é um espaço múltiplo, donde se deve colocar a disposição todos os materiais quanto possível for.

Jornais, revistas, livros, mapas, suplementos, folders, vídeos, músicas, enciclopédias, almanaques, dicionários. E ainda mais.

O espaço de pesquisa deve ser privilegiado indicando que além do mundo virtual, existem mecanismos de caminhos para os quais as exigências e desafios são outros.

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A construção de uma comunidade leitora, bandeira de escolas e governos que entendem que a compreensão da palavra escrita está totalmente a serviço  da elaboração da complexidade de um mundo que se articula através dos signos, não tem hora de terminar. Trata-se de desafio para toda a vida.
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A questão não mais é o objeto livro que nunca esteve em fase tão boa. Mas sim no personagem leitor, naquilo que profetizou a poeta Cecília Meireles nos anos trinta: “Faltarão leitores e sobrarão obras”.

Drummond ficaria feliz em ver que no espaço que recebe seu nome,  essa construção acontece todos os dias incansável e apaixonadamente.

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Os livros não mudam o mundo. Os livros mudam as pessoas.

Celinha Nascimento
Agente de leitura