Vereador por um dia

Vereador por um dia

Natália Venâncio

17 Julho 2015 | 12h32

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“A cidadania hoje está mais relacionada ao consumo do que propriamente ao processo de formação da personalidade”. Essa é a opinião do cientista jurídico Ovídio Jairo Rodrigues Mendes, autor da dissertação de mestrado “Concepção da Cidadania” (Faculdade de Direito da USP). Segundo ele, a verdadeira cidadania passa pela vivência harmônica com o outro, pela capacidade de transformar princípios e valores em atitudes de benefício coletivo.

Daí a necessidade de fomentar as boas práticas sociais. Por isso, alunos do Ensino Fundamental II (do 6° ao 9° ano) são convidados a participar de programas como o Projeto Parlamento Jovem, criado pela Câmara Municipal de São Paulo (Resolução nº 10 de 21 de agosto de 2001), com o objetivo de oferecer aos jovens do Município de São Paulo a possibilidade de exercitar funções e trabalhos do Poder Legislativo por um dia. Para participar, o estudante tem que preparar um trabalho individual na forma de um Projeto de Lei, obedecendo aos critérios no manual do candidato.

“Projetos como esse são importantes por permitir um exercício prático de cidadania”, é o que afirma o Professor de Geografia do Marista Arquidiocesano, Alessandro Bartel. “O senso comum diz que jovem não se interessa por questões políticas e nem gosta de debater sobre o tema. Para quem trabalha Ciências Humanas com público adolescente e jovem, sabe que a história não é bem assim. O que eles querem e precisam é de estímulos: provocações, dados, informações, troca de ideias, enfim, eles querem receber o convite para participar do jogo e, assim, podemos observar a almejada transformação.  O Projeto Parlamento Jovem, para mim, é esse estímulo. É o convite que muitos esperavam para poder exercitar seus direitos e deveres como cidadão”, esclarece o Professor.

Esquentando as turbinas

A preparação para  que os alunos estivessem aptos a participar do projeto só foi possível graças ao apoio e dedicação dos professores de Ciências Humanas (História e/ou Geografia): Adilson Passetti, Ester Abdelnur, Marcelo Pereira, Franceli de Almeida, Paulo Mendes e Alessando Garcia.

As etapas foram complexas, incorporando aulas sobre como elaborar o projeto de lei, abordando temas tais como cultura, lazer e recreação, esportes, habitação, natureza e saúde, planejamento urbano, trânsito e transporte, assistência social, emprego e segurança urbana. “O grande objetivo das aulas foi promover reflexão e preparar os alunos para elaborarem, da melhor forma possível, o projeto de lei sobre os temas mencionados. Além da parte expositiva, teve roda de debates dos alunos do Ensino Fundamental com estudantes do Ensino Médio”, declara Adilson Passeti, coordenador da Área de Ciências Humanas do Marista Arquidiocesano.

Segundo a professora de história, Ester Abdelnur, a Área de Ciências Humanas sempre propôs momentos de reflexão e debates mais profundos sobre as questões políticas do País, porém com o Parlamento Jovem houve uma sistematização das discussões, transformando as reflexões em propostas de mudança. “Trata-se de uma ocasião para colocar em prática o exercício da cidadania que tanto valorizamos”, afirma Ester.

A professora acrescenta que a intenção não se restringiu a atender à demanda do projeto, mas contemplar as necessidades da comunidade escolar. “Pensamos em um novo ambiente de aprendizagem que aprofundasse a formação, reflexão e o debate acerca do funcionamento e das carências que envolvem a política brasileira em suas esferas municipal, estadual e federal”, acrescenta a educadora.

Franceli Catharina de Almeida, da disciplina de História, responsável por ministrar as aulas temáticas sobre Assistência Social, Emprego e Segurança analisa o retorno do envolvimento dos estudantes no projeto: “Os alunos se envolveram nas aulas, na elaboração dos projetos de lei e perceberam que falta, ainda, muita informação a respeito das possibilidades de transformação da nossa sociedade por meio das instituições públicas, da cobrança por parte de todos os cidadãos dos seus direitos bem como dos deveres do Estado”.

Missão: minimizar os altos índices de analfabetismo no Brasil

Pedro Henrique Beck Le Bihan, atualmente no 7° ano, foi selecionado entre os 55 jovens vereadores eleitos para ser vereador por um dia na Câmara Municipal de São Paulo – foi escolhido apenas um representante por escola. O projeto redigido por Pedro contemplou a Secretaria de Educação e propôs a  obrigatoriedade do estudo fundamental para trabalhadores analfabetos em todo município, com direito a determinação de carga horária e condições de estudo (in company).

“Para mim, o Parlamento Jovem foi uma experiência muito proveitosa, pois me aproximou da política, mostrou que devemos brigar pelo que é nosso por lei, que devemos fiscalizar as coisas que acontecem no nosso Município. Também achei muito legal a forma de aproximação dos estudantes com a política por meio da criação de suas próprias leis, podendo ter experiências de como é ser um vereador”, pontua Pedro.

O estudante foi convidado a participar da aula reflexiva, conduzida pelo Professor de História Marcelo Pereira. “Durante a aula, discuti os péssimos índices da educação brasileira, divulgados inclusive nos rankings internacionais. Refletimos também a respeito do desnível entre os sistemas de ensino público e privado”, explica o docente. Marcelo levantou ainda questões como as enormes desigualdades de oportunidades que estão colocadas na ordem social brasileira.

Lição de pura cidadania!

 

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Comunicação e Marketing – Colégio Marista Arquidiocesano