Projeto utiliza mindfulness para desenvolver habilidades socioemocionais

Projeto utiliza mindfulness para desenvolver habilidades socioemocionais

Natália Venâncio

16 de outubro de 2019 | 15h27

Prática da atenção plena faz parte da rotina de alunos do Marista Arquidiocesano. Atividade tem relação com a alimentação dos alunos

O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) divulgou dois estudos no fim de agosto sobre os benefícios da prática de mindfulness com crianças. Segundo as pesquisas científicas, que são as primeiras a avaliar os benefícios comportamentais e neurais da prática, alunos da Educação Fundamental podem ter benefícios acadêmicos e melhorar o bem-estar ao desenvolver a meditação de forma rotineira.

O mindfulness é a habilidade de focar no presente, de maneira ativa, evitando distrações. Pode ser desenvolvida por meio de exercícios de concentração e respiração. No caso das crianças, essas atividades devem ser iniciadas aos poucos e, com o tempo, ir evoluindo.

Além dos benefícios conhecidos pelo mundo corporativo – como maior foco e atenção – o universo escolar também sai ganhando com o mindfulness. As pesquisas comprovaram que alunos que praticaram atenção plena com frequência afirmaram ter menos estresse e reagiram melhor diante de situações conflituosas.

No Colégio Marista Arquidiocesano, a prática já faz parte das atividades desenvolvidas em uma turma do 3º ano da Educação Fundamental Anos Iniciais. A rotina faz parte do Projeto de Intervenção Social (PIS), uma prática pedagógica Marista que promove o diálogo, permitindo entender as necessidades humanas e sociais, questioná-las e traçar caminhos para enfrentar as problematizações contemporâneas.

A abordagem da docente Dezirê Grazioli, responsável pelo Projeto, foi a atenção das crianças no momento da alimentação. Segundo ela, no discurso dos alunos da turma foi possível identificar uma preocupação nutricional em relação ao que elas comem, mas também uma inquietação diante de outro viés do ato da alimentação: o aspecto cultural e social.

“Atualmente, a criança não percebe o que está comendo, fica distraída com eletrônicos e não reconhece o que é fome e o que é buscar a comida por estar entediada, frustrada ou triste. As refeições, assim como outras muitas atividades do dia, na maioria dos lares brasileiros, estão sendo feitas no modo automático”, esclarece a docente.

Por meio de técnicas de meditação, que não pertencem a nenhuma tradição religiosa, e exercícios que lidam com a atenção plena, é possível cultivar nas crianças um hábito que pode ser explorado e aprofundado. “A prática de meditação envolve, acima de tudo, aprender a estar completamente presente, não só nos momentos das refeições, como também aplicá-la em todos os aspectos da vida pessoal”, explica a professora Dezirê.

O espaço de intervenção do Projeto inclui a casa dos alunos e suas relações, já que o esperado é que as diferentes dinâmicas trabalhadas desencadeiem reflexões sobre os temas discutidos e possíveis mudanças na qualidade de vida das crianças e de sua família.

 

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