Projeto “Trocando cartas”, situação real de uso da escrita

Projeto “Trocando cartas”, situação real de uso da escrita

Natália Venâncio

03 Junho 2016 | 19h23

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Se você encontrar cartas pelos arredores do Colégio Marista Arquidiocesano, tais como o Poliesportivo, as bibliotecas, o Jardim Japonês, não estranhe. Elas fazem parte do projeto com alunos do 1° ano do Ensino Fundamental, sob a tutoria da professora Vera Fellipin. A ação começou em abril e não tem uma data específica para terminar.

“Em um primeiro momento, as crianças trocaram cartas entre elas e depois deixaram as correspondências pelo Colégio para interlocutores desconhecidos. Nossa última ação foi deixar as cartas na mesa da sala dos professores para os ‘professores dos grandes’. A ideia é ampliar o círculo de interlocutores com várias atividades, inclusive pensamos em enviar cartas para receber respostas e novamente respondê-las, mantendo um circuito, ainda que limitado, de correspondência. Queremos também colocar cartas nos Correios e, quem sabe, receber a resposta em casa”, explicou a professora.

Os assuntos das missivas são variados e transitam entre animais de estimação, comidas favoritas dos pequenos e perguntas sobre provas e matérias prediletas dos “professores dos grandes”.

As crianças, cuja idade média é de 6 anos, estão em processo de escrita – o que explica os textos escritos em letras de forma – e partiu delas a ideia do projeto Trocando cartas. “Um pequeno grupo na sala de aula estava trocando cartinhas, trazendo-as diariamente de casa. Percebi a movimentação e notei o interesse do restante do grupo em participar, mas eles não queriam novos membros. A partir do cenário, lancei a proposta de termos um projeto em sala que aproveitasse essa ideia, mas que deixasse aberta a participação. Resultado:  todos aderiram ao projeto!”, esclareceu a professora.

Segundo Vera Fellipin, a intenção ao fomentar projetos dessa natureza está em criar situações reais de uso da escrita e é muito importante que a alfabetização ocorra nesse contexto. “As crianças do 1° ano chegam à série com variados níveis de conhecimento sobre a língua escrita, algumas ainda juntando as letras e outras um pouco mais fluentes. O importante é que continuem avançando, não de forma mecanizada, mas imersas nas práticas sociais de uso. Os alunos, com a necessidade de serem compreendidos e de se comunicarem por meio das cartas, sentem-se estimulados e estão se aperfeiçoando em vários aspectos, como ortografia, formas de expressão, conteúdo, etc. Afinal, eles querem ter as cartas respondidas!”, afirmou.

 

Sobre o sucesso do Trocando cartas, confira abaixo o feedback de alguns alunos:

– “Eu gosto muito porque a gente exercita a leitura, a escrita e ainda ganha cartas! É muito legal! Adorei!” (Giovanna de Matos Tripode)

– “Cada vez que eu escrevo uma carta eu ganho outra e faço um novo amigo!” (Gisele Barrella Amaral)

– “Eu amo escrever cartas e fazer os envelopes!” (Emanuel Beall Burger)

– “A gente escreve muito, se arrisca a escrever coisas novas. Eu estou adorando espalhar cartas pela escola, porque é legal, pessoas diferentes respondem.” (Theo Occhiuto Nunes)

– “Eu gosto de fazer cartas para os amigos!” (Isabela Bueno Gentile)

– “Eu gosto de trocar cartas com os professores, eu gostei de saber se as provas dos grandes são difíceis e se eles são legais.” (Lara Gonçalves Brocchi)