Novo Ensino Médio: a hora e a vez do protagonismo dos jovens

Novo Ensino Médio: a hora e a vez do protagonismo dos jovens

Natália Venâncio

12 de agosto de 2021 | 14h29

Estudantes e professores se preparam para se adaptar e encarar as mudanças na carga horária e na dinâmica de formação dos alunos do ensino médio. Além dos conteúdos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os jovens poderão optar por seguir alguns dos itinerários formativos: Linguagens e Códigos, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e as trilhas formativas voltadas para o desenvolvimento do Projeto de Vida.

A Lei nº 13.415/2017 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e estabeleceu uma mudança na estrutura do ensino médio, ampliando o tempo mínimo do estudante na escola de 800 horas para 1000 horas anuais (até 2022). Foi definida, ainda, uma nova organização curricular, mais flexível, que contemple as habilidades e competências da Nova Base Nacional Comum Curricular e a oferta de diferentes possibilidades de escolhas aos estudantes, como os itinerários formativos, com foco nas áreas de conhecimento e na formação técnica e profissional.

A mudança tem como objetivos garantir a oferta de educação de qualidade a todos os jovens brasileiros e de aproximar as escolas à realidade dos estudantes de hoje, considerando as novas demandas e complexidades do mundo do trabalho e da vida em sociedade. O currículo começou a ser implementado progressivamente aos alunos da 1ª série do ensino médio em 2021. Em 2022, para os estudantes da 2ª série, e consequentemente, para a 3ª série no ano de 2023.

O Novo Ensino Médio pretende atender às necessidades e às expectativas dos jovens, fortalecendo o protagonismo juvenil. Isso é possível na medida em que possibilita aos estudantes escolher o itinerário formativo no qual desejam aprofundar seus conhecimentos ou, ainda, em cursos ou habilitações de formação técnica e profissional.

O Novo Ensino Médio não exclui disciplinas dos currículos. Ele mobiliza conhecimentos de todos os componentes curriculares em suas competências e habilidades e, portanto, torna seu desenvolvimento obrigatório.

Na carga horária referente aos itinerários formativos, o estudante precisa escolher uma ou duas áreas de conhecimento da formação geral para aprofundar seus estudos, ou ainda, a formação técnica e profissional para se aprofundar.

No Colégio Marista Arquidiocesano, o projeto implementado no Ensino Médio é chamado de Future Skills, e visa desenvolver habilidades humanas e digitais, cada vez mais exigidas no mundo atual. Os estudantes cursam disciplinas como pensamento criativo, gamificação, inteligência emocional e programação, por exemplo. Outro itinerário ofertado por esta unidade é o Hub, no qual os estudantes dividem-se nas quatro áreas do conhecimento e utilizam-se dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis da ONU (ODS) para a resolução de problemas complexos com foco em transformações socioambientais, sempre pensando global e agindo local.

A BNCC tem como objetivo tornar a educação brasileira menos desigual e com mais equidade. Dessa forma, busca reduzir as disparidades, no que tange a qualidade da educação, encontradas entre os diferentes estados brasileiros.

O direito de aprender conteúdos e desenvolver habilidades ao mesmo tempo é o eixo norteador da base, contemplando escolas públicas e particulares. Não se trata somente das aprendizagens de cada componente, e sim da capacidade de ação e reflexão críticas, necessárias à prática da cidadania: são os conteúdos das diferentes áreas do conhecimento a serviço do desenvolvimento de competências e habilidades.

*Prof. Thiago Cachatori é formado em Geografia, mestre em Educação e Coordenador de Ensino Médio do Colégio Marista Arquidiocesano. 

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