Ensino Médio na Mostra Cultural: exemplo de Educação 3.0

Ensino Médio na Mostra Cultural: exemplo de Educação 3.0

Paulo Adolfo

30 Outubro 2018 | 12h44

Os desafios contemporâneos são imensos e, talvez, o maior deles seja a inserção dos alunos em um mundo multifacetado. Mundo repleto de conceitos e de necessidades.

A informação e o desenvolvimento tecnológico integram o Admirável Mundo Novo, marcado pelo crescimento populacional, pela diminuição da necessidade da mão de obra, pela urgente implementação da ‘sustentabilidade’ nos mais variados aspectos, pela necessidade de suprir demandas alimentares de 7,53 bilhões de pessoas e pela erradicação da pobreza. Tudo isso significa assumir compromisso social.

Dentro desse contexto, questões importantes surgem no espectro da escola, tais como: “Como os nossos estudantes aprendem para estarem aptos a resolver problemas?”, “Como desenvolvemos valores humanos em nossos alunos para que solucionem os inúmeros desafios que são postos?”.

Todas as respostas passam necessariamente pela leitura de mundo. E ler o mundo pressupõe desenvolver habilidades, tais como interpretar, planejar, executar e avaliar os processos. E as disciplinas credenciam os estudantes para que eles possam executar tais skills, correlacionando o que aprendem e tornando seus feitos eficientes. Todo esse movimento acontece dentro das próprias aulas.

Aprendizado com significado

Em termos práticos, o desenvolvimento de projetos dialoga com as diretrizes atuais. No sábado, dia 20, o Marista Arquidiocesano realizou a Mostra Cultural 2018 e o Ensino Médio, em particular, teve destaque nesse processo, apresentando soluções interessantes sobre sustentabilidade, consumo, novas formas de cultivo, etc.

Órbitas Urbanas, exercício de cidadania

Seguindo o pilar “cidadania”, a exposição da 2ª Série do Ensino Médio sobre o projeto “Órbitas Urbanas” chamou a atenção. Alunos percorreram o centro histórico de São Paulo e desenvolveram produções sob os olhares poéticos e críticos. O processo de ‘relacionamento’ com a cidade foi tão intenso que incluiu passeio ciclístico pelas ciclofaixas de lazer, possibilitando a vivência na cidade de São Paulo.

Urbenautas, conhecendo os ‘bairros perdidos’

Na 1ª Série do Ensino Médio exibiu, na mostra vídeos, a vivência que fizeram em “bairros perdidos”, enfatizando o perfil sociocultural da população e as características físicas do local, também apresentaram trabalhos, fruto da leitura do livro “Sobre a tirania – vinte lições do século XX para o presente”, de Timothy Snyder”, da Companhia das Letras.

O que é dar certo para mim?

A 3ª Série do Médio desenvolveu o “Projeto de Vida – Eu, cidadão em construção”, na qual os visitantes observaram trabalhos que resgataram a infância e a adolescência dos alunos, ressaltando as pessoas, as crenças, os aprendizados e os valores importantes nessa fase de formação do aluno, levando-o a conhecer-se melhor para que possa construir seu projeto de vida. Cartazes com os dizeres: “O que é dar certo para mim?”. “O que rege as nossas vidas”? “O que me conduz?” preencheram as paredes e as mentes. Na ocasião, havia também a possibilidade de se fazer um teste vocacional.

Projeto Casa sustentável

Seguindo os preceitos de suscitar o protagonismo dos alunos e os preceitos da Base Comum Curricular (BNCC) que prevê o desenvolvimento de competências como conhecimento, cultura digital, trabalho e projeto de vida, autoconhecimento e autocuidado, responsabilidade e cidadania, alunos da 2ª série do Ensino Médio desenvolveram o Projeto Casa Sustentável.

Nele, os estudantes foram desafiados a montar um produto, adequado para uma casa de 50 m². Para tal, foram solicitadas tarefas como a construção de um produto em escala reduzida, de um manual de instruções com a elaboração de custos e a realização da propaganda do produto.

Resultado da produção: Ecobar que consiste em um frigobar portátil, construído a partir de uma caixa de isopor e que chega até 8°C de temperatura; Eco cisterna 100% ecológica, construída a partir de materiais de baixo custo, capaz de armazenar e filtrar água da chuva para utilização como água de reuso; Projeto Dejeto que simula o início do ciclo de um vaso sanitário no qual há o tratamento da água e retorno da mesma para o vaso; Telhágua, sistema de aquecimento de água para ser utilizada no banho, levando em conta conceitos como absorção de luz e convecção de fluído.

Outros projetos: hidroplantus, sistema de agricultura hidropônica; Papelar, abrigo criado para oferecer conforto às pessoas em situação de rua. Para a confecção do abrigo, foi utilizado material reciclável (papelão impermeabilizado) e a técnica utilizada para a feitura do mesmo foi a do origami; Comphorta, duas hortas, uma hidropônica e outra por capilaridade; Sunergy: fornecimento de energia elétrica a partir de energia solar; Sustentar: modelo de paredes com cones de argila para direcionamento forçado do ar como alternativa para substituir o ar condicionado; Green Light Luster: lâmpada sem fornecimento de energia elétrica com utilização de luz solar; Irrigação: criação de sistema de irrigação e cuidado com plantas, desenvolvimento de sistema de coleta e de fornecimento de água a partir das chuvas.

Foguetes feitos de material reciclável

Alunos exibiram foguetes que eles mesmos produziram a partir de material reciclável como papel e garrafas PET. Normalmente, os alunos participam da Mostra Brasileira de Foguetes (MOBFOG). Trata-se de uma experiência de protagonismo estudantil.

Em resumo, tivemos projetos e momentos sinérgicos à Educação 3.0, sinônimo de mudança, seja por parte do professor (mediador de uma jornada), seja por parte do estudante (protagonista, delineia seus caminhos), seja por parte da implementação de novas metodologias ou da formação do pensamento crítico.