Curiosidade: Como são definidas as faixas etárias na vacinação da Covid-19?

Curiosidade: Como são definidas as faixas etárias na vacinação da Covid-19?

Natália Venâncio

16 de julho de 2021 | 11h49

Professor do Colégio Marista Arquidiocesano, um dos mais tradicionais da capital paulista, tira dúvidas sobre a vacinação

A campanha de imunização contra a Covid-19 começou há alguns meses em todo o país. Primeiro os mais velhos e com comorbidades estão recebendo a vacina, de forma escalonada, até chegar a vez dos mais jovens.

Alguns questionamentos são feitos, principalmente entre os adolescentes, como porque não vacinar primeiro os mais novos, que em teoria possuem a vida mais ativa, do que as pessoas com mais idade.

Mas como é definida essa separação por faixas etárias?

O professor de Biologia do Colégio Marista Arquidiocesano, Marcos Muhlpointner, explica que a vacinação foi definida para começar com as pessoas mais idosas, pois se tratam da população mais vulnerável, em função de possíveis doenças, tais como: pressão alta, problemas cardíacos e do pulmão, diabetes ou câncer e, a partir disso, as faixas etárias vão diminuindo.

“Além disso, as pessoas que trabalham diretamente com os doentes, como médicos e enfermeiros, também foram prioritários na fase inicial. Apesar do fato de terem vida social mais ativa, algumas atividades foram canceladas pelos governos para evitar a circulação do vírus entre as pessoas”, explica o docente.

Muhlpointner ainda esclarece que os profissionais que trabalham nos hospitais devem mesmo ter prioridade. “Se essas pessoas adoecem, o cuidado com os doentes seria muito prejudicado. Pessoalmente, acredito que os policiais também deveriam estar nessa primeira fase da vacinação. Essa definição partiu da Secretaria de Saúde de São Paulo e de um comitê de médicos que foi formado pelo Estado”, afirma.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado em setembro de 1973, é responsável pela política nacional de imunizações e reconhecido como um dos maiores programas de vacinação do mundo.

Contudo, o biólogo constata que no ritmo atual, a vacinação no Brasil só será finalizada no final de 2022. Alguns países, como Israel e Reino Unido estão bem mais adiantados, inclusive, devido a possuir uma população menor que a brasileira, e ter planejado a vacinação e negociado com os laboratórios farmacêuticos com mais agilidade. “Reconheço que são países com mais recursos financeiros que o Brasil, porém, por lá, a postura com os dados científicos foi mais séria e correta, o que, a meu ver, faz muita diferença na abordagem da vacinação”, observa.

Outra dúvida que sempre aparece nas rodas de conversa é: proporcionalmente, quantas pessoas precisam ser vacinadas para que a população comece a ter imunidade contra o vírus?

Segundo o professor, os pacientes que se curaram da Covid-19, em tese, já estariam imunizados, contudo as variantes do vírus podem alterar essa possibilidade e não há consenso sobre esse assunto.

“É possível que a partir da metade da população imunizada e que já se curaram seria mais segura a circulação das pessoas. A imunidade aparece quando as pessoas ficam expostas ao vírus e criam anticorpos, mas o distanciamento social e o lockdown ainda são discutidos, do ponto de vista econômico”, finaliza.

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