Bullying, um fenômeno a ser observado

Bullying, um fenômeno a ser observado

Natália Venâncio

31 Agosto 2016 | 18h52

foto 2 Marisa Rosseto

Muitas instituições de ensino têm investido em planos de formação nos diferentes espaços educativos, levando em conta particularidades, contextos e processos.

A partir deste cenário, trouxemos o tema “Direitos Humanos” como um grande “guarda-chuva” para organizarmos estudos formativos tanto nas Escolas Maristas em São Paulo como nas Unidades Sociais Maristas. Proteger crianças, adolescentes e jovens e fazer da escola verdadeiro espaço de convivência, de integração e de vida têm sido nossos propósitos.

Trouxemos para um de nossos encontros a questão do bullying, trabalhando o tema para além do senso comum e passando pelas questões legais e práticas, gerenciamento de conflitos entre os sujeitos da escola, etc.

Esclarecer o conceito de bullying já é um grande passo, pois o tema ganhou dimensão em vários espaços da sociedade, porém muitas vezes de forma e utilização equivocadas. Nem tudo é bullying. O bullying é a manifestação de atitudes agressivas recorrentes – e não pontuais – verbais ou físicas entre pares (crianças e adolescentes). Assim, além de tratar, cuidar e atuar, o papel das escolas e espaços de educação, formal ou não, deve ir além. Devemos prevenir este movimento que desumaniza, trazendo reflexões éticas que antecedem qualquer ação. Nossa preocupação é refletir sobre o conceito da alteridade – capacidade de se colocar no lugar do outro na relação interpessoal – ou seja, à medida que eu entendo o outro, sem colocar qualquer dimensão de julgamento ou nivelamento, vamos além do respeito. Precisamos romper com qualquer forma de intolerância nos diferentes campos.

Em evento de formação para discutir o tema em pauta, discutimos a importância da mediação de conflitos na escola, das práticas de conciliação e promoção de movimentos restaurativos com profissionais de outras áreas convidados.

Hoje, é na escola onde ocorre o maior tempo de convívio entre os estudantes da Educação Básica, onde há os movimentos de cidadania, disputa de espaços, convívio com pares iguais e diferentes, onde há a necessidade do encontro, de pertencer a um ou mais grupos ou tribos. Antigamente, esse público tinha mais irmãos, primos, brincava na rua ou em outros espaços coletivos e parece que as famílias tinham posturas mais semelhantes – entre elas – em relação às formas e maneiras de educar, de orientar (não cabe aqui julgamento, quero apenas chamar a atenção para os novos movimentos e envolvimentos das famílias). Agora, a escola e outros espaços educativos devem estar mais preparados para auxiliar os sujeitos nestes tantos e tão importantes exercícios de “viver e conviver” para o desenvolvimento emocional, social e cognitivo.

A contemporaneidade nos traz outras particularidades. O bullying físico extrapola os muros das instituições e chega em locais não mais controláveis, aparecendo então o cyberbullying. A internet pode, se não for devidamente utilizada e, no caso dos menores, acompanhada pelos seus responsáveis, acabar se tornando um meio para dar vazão a ofensas e agressões. Com isso, temos que refletir sobre o papel de todos os adultos, responsáveis pelas crianças, adolescentes e jovens neste contexto. Orientação, informação, diálogo e acompanhamento, sempre!

Temos que atuar e proporcionar espaços de diálogo, organizar projetos e ações que desenvolvam a prevenção e não podemos nos acostumar com o bullying. Precisamos construir, juntos, culturas de convivência.

Por Marisa Ester Rosseto, Diretora Educacional do Colégio Marista Arquidiocesano