As crianças devem permanecer na Educação Infantil durante a pandemia?

As crianças devem permanecer na Educação Infantil durante a pandemia?

Natália Venâncio

10 de julho de 2020 | 10h08

Docente especialista do Colégio Marista Arquidiocesano explica os benefícios de manter os pequenos na escola

A Constituição brasileira determina que somente crianças a partir dos quatro anos de idade estejam matriculadas na Educação Infantil.  Por isso, com a pandemia da Covid-19, muitos pais optaram por cancelar a matrícula dos pequenos nas suas respectivas escolas, aguardando para que a situação se atenue.

Uma pesquisa realizada entre maio e junho de 2020 com escolas da rede privada de São Paulo pela ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância), em parceria com o Instituto Casagrande e o SIEEESP (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo) apontou que houve uma evasão de 15% dos alunos da Educação Infantil no período, porém nos outros níveis de ensino, ficou em torno de 1%, em média.

Apesar dessa decisão familiar, especialistas apontam benefícios da relação dos pequenos com a escola. Para a coordenadora de Educação Infantil do Colégio Marista Arquidiocesano, Rosana Marin, a relação se constrói na presença, portanto, a escola deve continuar interagindo de maneira efetiva e valiosa para que seja mantida a importância e a confiança já estabelecidas com cada criança e sua família.

“Assim como a caminhada natural do desenvolvimento infantil, que se mantém em pleno movimento e crescimento, as ações da escola também passam por transformações. Deve-se ampliar a escuta à família que, de modo geral, está ansiosa tanto pela preocupação desse distanciamento das crianças ao universo escolar como pelas mudanças ocorridas também em suas atribuições pessoais e profissionais”, explica a docente.

Para a professora, a escola precisa se dedicar, inclusive nesse momento de pandemia, na relação com pais e filhos, não com foco direto na construção dos saberes, mas sobretudo para que as crianças continuem se relacionando de alguma forma entre si, ativando a possibilidade de ver e “estar” com o outro e para que continuem encontrando nos professores, referências importantes de afeto. “Se deixarmos de ser valor de apoio e parceria, que complementa junto às famílias subsídios para o complexo ato de educar, menos importância teremos nessa relação e mais facilmente deixaremos de fazer parte da vida delas”, esclarece.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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