Alunas do Colégio Marista Arquidiocesano são aprovadas no IX Congresso Brasileiro de História da Educação em João Pessoa (PB)

Alunas do Colégio Marista Arquidiocesano são aprovadas no IX Congresso Brasileiro de História da Educação em João Pessoa (PB)

Paulo Adolfo

30 Março 2017 | 15h24

Livia Bandeira de Figueiredo, Amábile Miranda Regis Isaac, Mariana Prada de Lima, Mariana Matos da Silva e Larissa Costa Cote, alunas e ex-alunas do Ensino Médio do Colégio Marista Arquidiocesano, atuam como pesquisadoras de Iniciação Cientifica na parceria desenvolvida entre o próprio Colégio e o Núcleo de Estudos Escola e seus Objetos (NEO), grupo de pesquisa coordenado pela Profª Dra. Katya Braghini da PUC/SP. O trabalho desenvolvido pelas alunas foi aprovado para apresentação no IX Congresso Brasileiro de História da Educação (CBHE), que acontecerá na cidade de João Pessoa entre 15 e 18 de agosto, e será publicado nos anais do evento. No evento, as alunas apresentarão a pesquisa “Museu Escolar do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo (fase 1). Planejamento e organização do inventário dos instrumentos científicos: a coleção de óptica”, da qual foram responsáveis.

O CBHE reúne pesquisadores em História da Educação de todo o país, dentre os quais um número expressivo de mestres e doutores. “A aprovação das estudantes de Iniciação Científica de Ensino Médio pela organização do evento nos trouxe muita alegria e satisfação, reafirmando a relevância pedagógica dos acervos históricos e a capacidade dos estudantes em produzir pesquisa científica de qualidade”, explica Raquel Quirino Piñas, historiadora do Memorial do Colégio Marista Arquidiocesano e pesquisadora do NEO.

Tudo começou há um ano e meio com o Projeto Interdisciplinar de 2015, no curso Ofício do Historiador, voltado ao conhecimento do trabalho deste profissional. As oficinas ensinaram como o historiador desenvolve sua investigação e constrói narrativas sobre o passado e a realidade. Para isso, o curso utilizou os objetos científicos que compõem o Museu Escolar do Colégio (instrumentos de laboratório, modelos anatômicos, exemplares de mineralogia, animais taxidermizados, entre outros) e promoveu reflexões sobre temas como patrimônio histórico escolar, ensino de ciências, história das ciências e cultura material escolar.

Ao final do projeto, foi realizada uma sondagem entre os alunos para identificar interessados em participar de um grupo de pesquisa para desenvolver um projeto de Iniciação Científica. Mariana Matos da Silva foi a primeira a sinalizar essa intenção. “Sempre gostei de História e pesquisa e passei a trabalhar com um grupo formado por doutorandos e mestres na área da História da Educação, que desejava ter pesquisadores do ensino médio”. Logo outras alunas com interesse por essa temática foram convidadas a fazerem parte do projeto.

As estudantes desenvolvem com o grupo de pesquisa o projeto “Museu Escolar do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo (fase 1): planejamento e organização do inventário dos instrumentos científicos”, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ricardo Tomasiello Pedro e Raquel Quirino Piñas, da equipe do Memorial e pesquisadores do NEO, fizeram o treinamento das alunas para o trabalho com a coleção do Museu Escolar apresentando conceitos sobre preservação do patrimônio escolar, o manuseio de objetos históricos, como investigar esses objetos científicos e a inserção de informações no sistema Pergamum.

Quando indagadas se tinham ideia de que era necessário tanto cuidado para mexer nas peças, elas responderam que sabiam que eram necessárias algumas pitadas de delicadeza, uso de luvas, máscaras, jalecos. “Há objetos que não são usados há muito tempo. Era engraçado porque passávamos pelos corredores e observávamos e eu pensava para que servem esses objetos? Acabamos descobrindo que gostamos mesmo dessa área de pesquisa e dá até para pensar na área da faculdade”, afirmou Amábile.

“Meu medo era de errar na descrição dos objetos porque eu não tinha noção nenhuma de como isso era feito! E o processo inclui informações sobre o fabricante – muitas vezes obtidas em manuais estrangeiros -, descrição dos aspectos da peça, os materiais com que são confeccionadas (se era ferro, cobre, vidro). Às vezes tinha um verniz, uma pintura que escondia o material, dificultando a identificação”, disse Larissa Costa Cote. “A questão da inserção dos objetos merece uma atenção especial. O sistema que a rede Marista utiliza para a catalogação das bibliotecas é bastante complexo. A interface para acervos de Museus é uma novidade e está em fase de implementação”. Para Raquel, “a dificuldade que as alunas sentiram foi a mesma que os demais membros do grupo e foi muito rica a experiência de aprender juntos!”.

 

Experiência de iniciação científica define caminhos profissionais

O projeto colaborou para que as alunas considerassem a pesquisa científica como uma possível carreira. “Foi uma grande oportunidade a gente ter conseguido entrar nesse projeto. Nós, como estudantes do Ensino Médio, participarmos de um grupo de pesquisa, termos currículo Lattes e apresentar um trabalho num congresso é um bom diferencial. Quando você chega em uma universidade as pessoas te olham de outra maneira e valorizam o que você fez”, reconheceu Mariana Matos da Silva.

Larissa Costa Cote concluiu o Ensino Médio no Marista Arquidiocesano ano passado e atribui à educação Marista e à iniciação cientifica no Ensino Médio seu ingresso no curso de Administração Pública na Fundação Getúlio Vargas (FGV), que possui um núcleo dedicado a pesquisas cientificas. “Para ingressar no curso você deve escrever sobre interesses e estudos realizados e uma das coisas que relatei foi sobre a iniciação científica e certamente isso foi um grande diferencial”, declarou Larissa. “Na universidade, uma coisa que percebi logo na primeira semana é que tem muito incentivo à pesquisa e muitos alunos que acabaram de ingressar não têm ideia do que seja iniciação cientifica e eu já tive esse contato”.

Amábile Miranda Regis Isaac se considera da área de biológicas e pensa em dedicar-se à pesquisa em saúde. “Achar a cura de alguma doença ou ajudar a criar um medicamento para retardar doenças incuráveis”, disse. Mariana Prada de Lima pretende cursar medicina veterinária. Livia Bandeira de Figueiredo está em dúvida entre história e artes plásticas: “Primeiro vou fazer artes e depois vou fazer história”. E Mariana Matos da Silva afirma que nunca quis ser médica, mas sempre quis trabalhar de jaleco: “Descobri que posso usar jaleco em ciências humanas, jaleco para pesquisa”.

A mensagem final das alunas destaca a importância de fomentar a pesquisa desde o Ensino Médio, de modo que ela não se restrinja somente a quem faz mestrado e doutorado. “Tudo no país é fomentado por pesquisadores que vão lá e pesquisam e buscam informações”, finaliza Larissa.