“A política é possível e deve acontecer no espaço escolar”

“A política é possível e deve acontecer no espaço escolar”

Natália Venâncio

11 Março 2016 | 18h59

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Por alguns anos, o Colégio Marista Arquidiocesano ficou sem grêmio e houve uma preparação intensa para sua reativação. No final de 2014, alunas do Ensino Médio procuraram a coordenação psicopedagógica da escola para organizar a comemoração de festas (seguindo a ideia dos proms, bailes de graduação das escolas secundárias americanas), fazendo do colégio o espaço oficial para reunir os jovens. Foram informadas de que o Colégio já fazia a formatura da 3ª Série do Ensino Médio, além de muitas outras celebrações, e que talvez o mais interessante fosse retomar a representatividade dos alunos no Grêmio Estudantil.

Foi lançada a ideia e por meio de uma parceria entre alunos, diretoria educacional, na representação de Marisa Ester Rosseto, coordenadoria psicopedagógica, na representação de Katia Helena Alves Pereira, e Pastoral, a partir de Rafael Parente e Djair Costa da Silva. A proposta para os alunos foi a de elaborar uma agenda formativa, fomentando o protagonismo juvenil, um dos valores Maristas. Os alunos receberam a orientação de organizar um coletivo pró-grêmio (que teve a adesão de 32 alunos) e receberam formação sobre a história do Grêmio no Brasil, o papel desta organização representativa de modo geral e depois estudaram o Instituto Marista (Grêmios Estudantis Livres – uma questão de Direitos Humanos), entre outras coisas.

Os alunos foram também convidados a reescrever o Estatuto do Grêmio. Para tal, os estudantes do coletivo pesquisaram, junto com o núcleo psicopedagógico e com a Pastoral, modelos de outros Estatutos e participaram de reuniões no contraturno escolar. O processo de elaboração do regimento levou 3 meses. Os alunos fizeram um convite aberto a toda a comunidade escolar com o intuito de discutir o estatuto, incluindo os demais estudantes, professores e coordenadores.

“Trabalhamos muito com os alunos a necessidade de fortalecer a política, não aquela que se restringe às atividades públicas, mas toda atividade que pressupõe interação, todos somos agentes de política. E, assim, eles foram desenhando essa participação de modo democrático, agregando outras organizações como os representantes da PJM (Pastoral Juvenil Marista), adquirindo um olhar amplo sobre atuação política no Colégio”, explica Katia Helena Alves Pereira. “Mesmo em um cenário de desgaste político no Brasil, queríamos mostrar que há espaço para o democrático, para o ético e para as práticas coletivas. A política é possível e deve acontecer no espaço escolar”, acrescenta a coordenadora.

De caráter heterogêneo (diferentes séries e idades), o grupo interessado na agremiação tinha uma ideia comum (a de fazer política) e dividiu-se em diferentes chapas: Chapolin, Chapa Quente e Onda. O resultado das eleições foi o seguinte: 1° lugar para Chapolin (com 66% dos votos), 2° lugar para Chapa Quente (15%), 3° para Onda (18%) e 1% de votos nulos.

“Mostramos para os meninos que dentro de uma Instituição é possível dialogar e negociar. Aqui os alunos têm voz e existe uma representação política de verdade. Percebemos hoje que existe uma nova forma de organização, de coletivos juvenis, marcados pela horizontalidade (mais participativa, sem valorização da hierarquia), pelas pautas pré-definidas, enfim, um grupo que se compreende”, disse Rafael Parente.

A eleição para o Grêmio aconteceu no final de 2015 e a posse foi realizada em 4 de março (sexta-feira). A retomada da importância da representatividade estudantil, do interesse das alunas, que motivou a retomada do Grêmio e o histórico da construção desse caminho, estiveram na pauta.